Foto: Ugo Maia Andrade, 2002

Karuazu

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    AL1.013 (Funasa, 2010)
  • Família linguística

Introdução

O longo processo de migração experimentado por famílias pankararu desde a extinção oficial do aldeamento de Brejo dos Padres, no penúltimo quartel do século XIX, promoveu a formação recente de coletivos de identidade indígena genealógica e culturalmente ligados aos índios Pankararu (PE). Dentre esses grupos estão os Karuazu, constituídos a partir de uma das frentes de migração do aldeamento matriz pernambucano que foi responsável também pela constituição dos grupos Geripankó e Kalankó, dispersos entre os municípios alagoanos de Água Branca e Pariconha, alto sertão do estado e a cerca de dois dias de caminhada de Brejo dos Padres. Conservando fortes vínculos com os Pankararu e com o território de origem, os Karuazu vêm há gerações atualizando suas referências sociocosmológicas através de viagens regulares ao aldeamento matriz, motivadas por propósitos rituais ou pelo simples desejo de rever os parentes, vínculos que proporcionaram sua recente etnogênese.

Ao lado de tais referências, os casamentos interétnicos entre as famílias provenientes de Brejo dos Padres e negros locais comporiam um meio fundamental de inserção econômica e social das famílias caboclas na nova terra, possibilitando-lhes, além disso, novas referências necessárias à construção de uma territorialidade paralela àquela representada pelo aldeamento de Brejo dos Padres. Desta forma, sobrepondo, articulando, costurando e sintetizando referências e memórias, os Karuazu demonstram como movimentos históricos de diásporas indígenas podem originar ricos e criativos processos sociais onde o local e o translocal, o endógeno e o exógeno encontram-se a fim de produzir novas identidades.