De Povos Indígenas no Brasil
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Autodenominação
Onde estão Quantos são
AM 1699 (ISA/Foirn, 2017, 2017)
Colombia 2036 (, 1998)
Família linguística
Tukano
m (Inserção de links para Terras Indígenas)
 
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Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. 
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Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os [[Povo:Tariana|Tariana]] têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e [[Povo:Maku|Maku]]
  
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes
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As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''[[Povo:Arapaso|Arapaso]], [[Povo:Bará|Bará]], [[Povo:Barasana|Barasana]], [[Povo:Desana|Desana]], [[Povo:Karapanã|Karapanã]], [[Povo:Kubeo|Kubeo]], [[Povo:Makuna|Makuna]], [[Povo:Mirity-tapuya|Mirity-tapuya]], [[Povo:Pira-tapuya|Pira-tapuya]], [[Povo:Siriano|Siriano]], Tariana, Tukano, Tuyuca, [[Povo:Kotiria|Kotiria]], Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes
  
 
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).
 
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).
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== Organização social ==
 
== Organização social ==
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|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.
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|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3921 Terra Indígena Balaio].
 
Foto: Piort Jaxa, 1993.
 
Foto: Piort Jaxa, 1993.
 
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg
 
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg
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O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:
 
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:
  
 
 
 
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<li>moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;</li>
 
<li>moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;</li>
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De toda forma, o que define o "céu" ou o "mundo inferior" depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.
 
De toda forma, o que define o "céu" ou o "mundo inferior" depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.
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=== Leia mais ===
 
<htmltag href="http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" tagname="a">''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''</htmltag>, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu
 
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Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma "camada" são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou "Terra", o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.
 
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma "camada" são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou "Terra", o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.
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De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são "rios"; e, ainda, que os vermes parasitas são "anacondas". Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para "ler" o que está por trás das narrativas sagradas.'''
 
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são "rios"; e, ainda, que os vermes parasitas são "anacondas". Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para "ler" o que está por trás das narrativas sagradas.'''
 
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=== Saiba mais ===
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<htmltag href="http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" tagname="a">''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''</htmltag>, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu
 
<!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. -->
 
<!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. -->
  
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Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.
 
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.
  
 
 
 
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|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.
 
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.
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Masa (em barasana), a palavra para "gente", é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).
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''Masa'' (em barasana), a palavra para "gente", é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).
  
 
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são "gente" - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como "bicho de pau"); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu "ar", é impressionante que os humanos não saibam respirar "debaixo da água". Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.
 
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são "gente" - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como "bicho de pau"); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu "ar", é impressionante que os humanos não saibam respirar "debaixo da água". Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.
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|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.
 
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.
 
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg
 
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg
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== Fontes de informação ==
 
== Fontes de informação ==
<ul>
 
<li>AIKHENVALD, Alexandra Y. Classifiers in Tariana. Anthropological Linguistics, Bloomington : Indiana University, n. 36, p. 407-65, 1994.</li>
 
</ul>
 
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<ul>
 
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</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
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</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
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</ul>
 
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--------. Ecosofia Makuna. In: CORREA RUBIO, François. La selva humanizada : ecologia alternativa en el tropico húmedo colombiano. Bogotá : Ican/Fondo FEN Colombia/Cerec, 1993. p. 109-26.
 
 
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</ul>
 
 
 
 
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<li>ATHIAS, Renato. Hupde-Maku et Tukano : les relations inegales entre deux societés du Uaupes, Amazonie (Bresil). Nanterre : Univ. de Paris X, 1995. (Tese de Doutorado)</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>BARBOSA, Manuel Marcos; GARCIA, Adriano Manuel. Upiperi Kalili : histórias de antigamente - histórias dos antigos Taliaseri-Phukurana. São Gabriel da Cachoeira : Foirn ; Iauarete : Unirva, 2000. 287 p. (Narradores Indígenas do Rio Negro, 4)</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>BEKSTA, Casimiro. A Maloca Tukano-Desana e seu simbolismo. Manaus : Univ. do Amazonas, 1984. 126 p. (Dissertação de Mestrado)</li>
 
</ul>
 
--------. Osservazioni sulla trasmissione orale di miti e riti tra gli indigeni del bacino del Caiari “Uaupés” (Amazzonia-Brasile). Bollettino CSSMS, Roma : CSSMS, n.7, p. 12-27, s.d.
 
 
--------. Primeira cartilha Tukano. Manaus : Seduc/N.R.T., 1984. 74 p.
 
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</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>BIDOU, Patrice. Le travail du chamane : essai sur la personne du chamane dans une société amazonienne, les Tatuyo du Pirá-Paraná, Vaupés, Colombie. L’Homme, Paris : EHESS, v.23, n.1, p.4-53, jan./mar. 1983.</li>
 
</ul>
 
--------. Trois mythes de l'origine du manioc (Nord-Ouest de l'Amazonie). L'Homme, Paris : Ecole des Hautes Etudes en Sciences Soc., n. 140, p. 63-79, 1996.
 
<ul>
 
<li>BRANDHUBER, Gabriele. Why Tukanoans migrate? Some remarks on conflict on the Upper Rio Negro (Brazil). Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, v. 85, p. 261-80, 1999.</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>BRITO, Cândido et al. Dicionário Tariana-Portugues - Taria Yarupene Panumape karalitekaphe. Camberra : s.ed., 1999. 338 p.</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>BUCHILLET, Dominique. Contas de vidro, enfeites de branco e "potes de malária". Brasília : UnB, 1995. 24 p. (Série Antropologia, 187)</li>
 
</ul>
 
--------. Interpretação da doença e simbolismo ecológico entre os índios Desana. Boletim do MPEG: Série Antropologia, Belém : MPEG, v.4, n.1, p.27-42, jul. 1988.
 
 
--------. Maladie et memoire des origines chez les Desana du Uaupes (Bresil). Paris : Univ. de Paris X, 1983. 264 p. (Tese de Doutorado)
 
 
--------. Nobody is there to hear : Desana therapeutic incantations. In: LANGDON, J. M.; BAER, L. (Eds.). Portals of power : shamanism in South America. Albuquerque : Univers. of New Mexico Press, 1992. p.211-30.
 
 
--------. Pari Cachoeira : o laboratório Tukano do projeto Calha Norte. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 107-15. (Aconteceu Especial, 18)
 
 
--------. Perles de verre, parures de blancs et 'pots de paludisme' : epidemiologie et representations Desana des maladies infectueuses (Haut Rio Negro, Bresil). Journal de la Sociétè des Américanistes, Paris : Sociétè des Américanistes, n. 81, p. 181-206, 1995.
 
 
--------. Los poderes del hablar : terapia y agresión chamánica entre los índios Desana del Vaupes brasileiro. In: BASSO, Ellen B.; SHERZER, Joel (Coords.). Las culturas nativas latinoamericanas a traves de su discurso. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1990. p. 319-54. (Colección 500 Años, 24).
 
 
--------; GALLOIS, Dominique Tilkin; CABALZAR FILHO, Aloisio; LOPES, Paula Morgado Dias. Epidemies et medecines traditionnelles en Amazonie bresilienne. Orstom Actualites, Paris : Orstom, n. 50, p. 2-8, 1996.
 
<ul>
 
<li>CABALZAR FILHO, Aloísio. Descendência e aliança no espaço Tuyuka : a noção de nexo regional no noroeste amazônico. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 43, n. 1, p. 61-88, 2000.</li>
 
</ul>
 
--------. Organização social Tuyuka. São Paulo : USP, 1995. 234 p. (Dissertação de Mestrado)
 
<ul>
 
<li>--------. O templo profanado : missionários Salesianos e a transformação da maloca Tuyuka. In: WRIGHT, Robin (Org.). Transformando os Deuses : os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil. Campinas : Unicamp, 1999. p. 363-98.</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>CABALZAR, Flora Dias (Org.). Nossa Terra - Conhecimento para o manejo - mariya dita - Inanunuse masire. Brasília : MEC ; São Paulo : ISA ; São Gabriel da Cachoeira : Foirn, 2002. 131 p.</li>
 
</ul>
 
 
 
 
<ul>
 
<li>CABRERA BECERRA, Gabriel. La iglesia en la frontera : misiones católicas en el Vaupés - 1850-1950. Bogotá : Universidad Nacional de Colômbia, 2002. 252 p. (Originalmente Tese de Doutorado)</li>
 
</ul>
 
--------. Indios, misiones y fronteras : una história de las misiones católicas en el Vaupés 1850-1950. Bogotá : Universidad Nacional de Colombia, 2001. 260 p. (Tese de Doutorado)
 
<ul>
 
<li>CARVALHO, Silvia Maria S. de. Jurupari : estudos de mitologia brasileira. São Paulo : Ática, 1979. 388 p. (Ensaios, 62)</li>
 
</ul>
 
 
 
 
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</ul>
 
--------. Hierarchy and economy of the Uanano (Botiria) speaking peoples of the middle Uapes Basin. New York : Columbia University, 1983. 180 p. (Dissertação de Mestrado)
 
 
--------. The "ideal speech moment" : women and narrative performance in the Brazilian Amazon. Feminist Studies, s.l. : s.ed., n. 1, p. 73-96, 1997.
 
 
--------. Indigenous fishing in the neotropics : the tukanoan uanano of the blackwater Uaupes river basin in Brazil and Colombia. Interciencia, s.l. : s.ed., v.10, n.2, p.78-86, mar./abr. 1985.
 
 
--------. Pesca e hierarquização tribal no alto Uaupés. In: RIBEIRO, Berta G. (Coord.). Etnobiologia. Petrópolis : Vozes, 1986. p. 235-50. (Suma Etnológica Brasileira, 1).
 
 
--------. Tukanoan fishing. Nat. Geogr. Research &amp; Exploration, s.l. : s.ed., v. 10, n. 4, p. 440-57, 1994.
 
 
--------. The Wanano indians of the Brazilian Amazon : a sense of space. Austin : Univ. of Texas Press, 1993. 185 p.
 
 
--------; LEED, Eric J. As perdas da história : identidade e violência num mito Arapaço do Alto Rio Negro. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco : cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo : Unesp ; Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 469-86.
 
 
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<li>CIPOLLETTI, Maria Susana. La creación del cosmos y sus protagonistas : los Secoya (Tucano) de la Amazonía ecuatoriana. Bulletin de la Soc. Suisse des Américanistes, Genebra : Soc. Suisse des Américanistes, n. 55/56, p. 11-21, 1991/1992.</li>
 
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--------. Un manuscrito tucano del siglo XVIII : ejemplos de continuidad y cambio en una cultura amazónica, 1753/1990. Rev. de Indias, Madrid : Instituto Gonzalo Fernandes de Oviedo, v. 52, n. 194, p. 181-94, jan./abr. 1992.
 
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</ul>
 
 
 
 
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Esta tese foi publicada no final de 1995 pelo MPEG de Belém dentro da Coleção Eduardo Galvão.
 
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Publicado também no n. esp. de dez. 1991 da mesma revista, p. 32-41.
 
Publicado também no n. esp. de dez. 1991 da mesma revista, p. 32-41.
 
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--------; KENHÍRI, Tolamãn. Chuvas e constelações : calendário econômico dos índios Desana. Ciência Hoje, Rio de Janeiro : SBPC, v. 12, n. esp., p. 14-23, dez. 1991.
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<li>RIVIÈRE, Peter. AAE na Amazônia. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 38, n. 1, p. 191-203, 1995.</li>
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<li>SANTOS, Antônio Maria de Souza. Etnia e urbanização no Alto Rio Negro : São Gabriel da Cachoeira-AM. Porto Alegre : UFRS, 1983. 154 p. (Dissertação de Mestrado)</li>
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<li>SCHADEN, Egon. Relato sobre la creacion de los Tariano. Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropologia, v. 28, p. 193-228, 1990/1991.</li>
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<li>SEPULVEDA, Marco Aurelio Zambrano. Los Cubeo : algunos aspectos de su cultura. Bogotá : Univ. de los Andes, 1975. 246 p. (Dissertação de Mestrado)</li>
 
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<li>SILVA, Alcionílio Brüzzi Alves da. A civilização indígena do Uaupés. São Paulo : Missão Salesiana do Rio Negro, 1962. 496 p.</li>
 
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--------. Crenças e lendas do Uaupes. Quito : Abya-Yala ; Manaus : Inspectoria Salesiana Missionária da Amazônia, 1994. 368 p.
 
 
 
--------. As tribos do Uaupés e a civilização brasileira. O método civilizador salesiano : o índio tem o direito de ser índio ou de ser civilizado? Belém : s.ed., mai. 1978. 55 p.
 
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<li>SMOTHERMON, Jeffrey R.; SMOTHERMON, Josephine H.; FRANK, Paul S. Bosquejo del Macuna : aspectos de la cultura material de los Macunas - Fonologia, gramática. Bogotá : ILV, 1995. 91 p.</li>
 
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<li>TELBAN, Blaz. Grupos etnicos de Colombia : etnografía y bibliografía. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1988. 526 p. (Colección 500 Años, 3).</li>
 
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<li>TORRES, Patrícia Espinosa. La presencia misionera como factor de deculturación indígena dentro de la Comisaria del Vaupes. Bogotá : Univ. de los Andes, 1976. 263 p. (Tese de Doutorado)</li>
 
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<li>TRUPP, Fritz. The Tukano. In: --------. The last indians : South America's cultural heritage. Wörgl (Áustria) : Perlinger, 1981. p. 85-112.</li>
 
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<li>VELTHEM, Lúcia Hussak van. Plumária Tukano. Boletim do MPEG: Série Antropologia, Belém : MPEG, n.57, 42 p., fev. 1975.</li>
 
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<li>VINCENT, William Murray. Daxsea Mahsa : cosmology and material culture among the Tukano indians of Brazil. Illinois : Univ. os Chicago, 1985. 438 p. (Ph.D. Dissertation)</li>
 
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<li>WRAY, Natalia; PENA, Oscar. Estrategias economicas : los Letuama, Macuna y Yucuna en el Caqueta Colombia. In: SMITH, Richard Chase; WRAY, Natalia (Eds.). Amazonia : economia indígena y mercado - Los desafios del desarrollo. Quito : Coica ; Lima : Oxfam América, 1995. p. 105-27.</li>
 
</ul>
 
 
 
 
 
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<li>WRIGHT, Robin. Uma conspiração contra os civilizados : história, política e ideologias dos movimentos milenaristas dos Arawak e Tukano do Noroeste da Amazônia. Anuário Antropológico, Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, n. 89, p. 191-234, 1992.</li>
 
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.
 
Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.
 
<!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. -->
 
<!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. -->
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[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]

Edição atual tal como às 21h19min de 23 de janeiro de 2021

Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku

As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yuruti (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes

O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).

Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico acesse o verbete especial sobre a região

Línguas

Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.
Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.

A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.

Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.

Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.

Saiba mais

Língua Desana @ Museu do Índio

Localização

Fonte: Instituto Socioambiental.
Fonte: Instituto Socioambiental.

O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.

Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.

Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.

Etnias e demografia

No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:

1) Arapaso: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.

2 ) Bará: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.

3) Barasana: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.

4) Desana: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.

5) Karapanã: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.

6) Kubeo: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.

7) Makuna: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.

8) Miriti-tapuya ou Buia-tapuya: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.

9) Pira-tapuya: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.

10) Siriano: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.

11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.

12) Tariana: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.

13) Povo: Tatuyo: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.

14) Tukano: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).

15) Tuyuka: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.

16) Kotiria: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.

17) Yuruti: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.

A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:  

Etnia População no Brasil
Arapaso 328
Bará  39
Barasana  61
Desana 1.531
Karapanã 42
Kotiria 447
Kubeo 287
Makuna 168
Mirity-tapuya 95
Pira-tapuya 1.004
Siriano 17
Taiwano 0
Tariana 1914
Tatuyo 0
Tukano 4.604
Tuyuca 593
Yuruti 0
TOTAL 11.130

Identidade e diferença

Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.
Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.

Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.

Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.
Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.

Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a "mandioca brava" o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.

Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.
Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.

Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um corpus mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da "porta da água" no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.

Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou dabukuris) que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).

Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancest