Foto: Eduardo Viveiros de Castro, 1991

Araweté

  • Autodenominação
    Bïde
  • Onde estão Quantos são

    PA467 (Siasi/Sesai, 2014)
  • Família linguística
    Tupi-Guarani

Nome e população

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O nome "Araweté", inventado por um sertanista da Funai, não significa nada na língua do grupo. O único termo que poderia ser considerado uma auto-denominação é bïde, que significa "nós", "a gente", "os seres humanos". Todos os humanos são bïde, mas os humanos por excelência são os Araweté: os outros povos indígenas e os 'brancos' (kamarã) são awî, "estrangeiros" ou "inimigos".

A população imediatamente anterior ao contato era de pelo menos 200 pessoas. Devido às condições em que o 'contato' com a Funai se realizou, a mortalidade causada por epidemias e desnutrição levou o grupo ao mínimo de 120 pessoas, em 1977. Em setembro de 1992 a população chegou a 206, alcançando assim o efetivo da época pré-contato. Em razão do relativo isolamento em que vivem (mais do que à assistência dos órgãos públicos competentes), não tiveram grandes baixas demográficas devido a doenças estrangeiras até o segundo semestre de 2000, quando a população foi acometida por um surto de varicela (doença virótica popularmente conhecida como catapora). Nesse ano, dados da Funasa registravam 278 índios, dos quais pelo menos 218 foram acometidos pela epidemia, resultando em nove óbitos.

Segundo depoimento de Tarcício Feitosa (membro do CIMI - Conselho Indigenista Missionário) ao ISA na época, a morosidade do DSEI (Distrito Sanitário Indígena) de Altamira em tomar as devidas providências facilitou o impacto da epidemia sobre a população. Desde então, a população retomou seu crescimento e em maio de 2003, segundo dados da Funai, contava 293 pessoas, sendo três recém-nascidos. A seguir, uma lista dos dados censitários disponíveis sobre os Araweté desde o contato oficial:

 

Data/Fonte Censo
27.07.76 [inf. Lisbôa, 1992] 27 pessoas chegam ao Posto da Funai no Ipixuna
04.09.76 [Diário João Evangelista de Carvalho] 44 pessoas na aldeia próxima ao Posto
Censo JEC de março 1977 [Müller et al., 1979: 24] 120 pessoas
Meados de 1977 [Censo JEC] (Arnaud, 1978: 10-11) 119 pessoas (59 homens/60 mulheres)
11.05.77 [Censo JEC] 129 pessoas (61 homens/ 58 mulheres)
17.06.77 [Censo JEC] 120 pessoas (62 homens/58 mulheres)
11.10.77 [Censo JEC] 117 pessoas
14.03.78 [Censo Funai] 121 pessoas
Julho de 1978 [Censo Funai] (Müller op.cit.: 25) 122 pessoas
Meados de 1979 [Censo Müller] (op.cit.: 28) 133 pessoas (71 homens/62mulheres)
02.01.80 [Censo Funai] 136 pessoas (66 homens/70 mulheres)
25.04.80 [Censo Funai] 138 pessoas (66 homens/72 mulhres)
Junho de 1981[Censo Eduardo Viveiros de Castro] 130 pessoas (62 homens/68 mulheres)
Abril de 1982 [Censo Eduardo Viveiros de Castro] 136 pessoas (63 homens/73 mulheres)
Fevereiro de 1983 [Censo Eduardo Viveiros de Castro] 136 pessoas (64 homens/72 mulheres)
19.12.83 [Censo Funai] 139 pessoas
Dezembro de 1985 [Censo Funai] 153 pessoas
03.11.86 [Censo Funai] 160 pessoas
16.06.87 [Censo Funai] 162 pessoas (85 homens/77 mulheres)
1988 [Censo Eduardo Viveiros de Castro] 168 pessoas
15.12.89 [Censo Funai] 181 pessoas (91 homens/90 mulheres)
04.04.92 [Censo Eduardo Viveiros de Castro] 195 pessoas (92 homens/103 mulheres)
1992 [Censo Lo Curto-Funai de setembro] 205 pessoas (95 homens/110mulheres)
2000 [Censo Funasa de novembro] 278 pessoas
12.05.2003 [Censo Funai] 293 pessoas