De Povos Indígenas no Brasil
Foto: André Toral,1982

Karajá do Norte

Autodenominação Onde estão Quantos são Família linguística
Karajá do Norte TO
287 (Siasi/Sesai, 2014)
Karajá

Os Karajá do Norte, mais conhecidos como Xambioá, estão divididos em duas aldeias, localizadas na margem direita do rio Araguaia. Falam a mesma língua que os Karajá e os Javaé da Ilha do Bananal, mas mantêm muito menos contato com estes que com a população vizinha. Devido ao intenso decréscimo populacional e às uniões recorrentes com regionais, os Karajá do Norte passaram por mudanças culturais importantes. No entanto, parece haver um consenso entre eles quanto à necessidade de implementar projetos e iniciativas destinadas a prestigiar aspectos mais tradicionais de sua cultura e a afirmar sua identidade étnica.

Nome

Atualmente são conhecidos como Karajá do Norte. Entre os demais grupos de língua Karajá são conhecidos como ixybiowa ou ainda de iraru mahãdu ("turma de baixo"), em oposição aos demais, chamados de ibòò mahãdu ("turma do alto"), conforme sua localização ao longo do rio Araguaia.

Os Karajá do Norte eram, e ainda são, conhecidos como Xambioá na literatura etnológica. São chamados de "Karajá", simplesmente, pela população regional e de "Xambioá", mais freqüentemente, ou "Karajá do Norte", muito raramente, desde o século passado, por viajantes, missionários e, mais recentemente, por funcionários do SPI e da Funai.

Os membros do grupo indígena quase nunca utilizam a palavra Xambioá para se auto-referirem. "Xambioá" vem de ixybiowa ("amigo do povo") que era como se chamava uma aldeia que existiu na foz do rio de mesmo nome, a montante do atual Posto Indígena. Especulativamente, pode-se supor que o nome tenha sido aplicado a todos seus habitantes e, posteriormente, a todos os Karajá do Norte. Mais comumente serve como designação da atual região da cidade de Xambioá.

A auto-designação Karajá do Norte, e o desuso do termo Xambioá, indica o desejo do grupo de se identificar, prioritariamente, com a macro-etnia, com uma matriz cultural comum a todos os grupos Karajá.

Língua

Foto: André Toral,1982
Foto: André Toral,1982

Falam o xambioá, um dialeto específico da língua karajá, pertencente ao tronco Macro-Jê. Os outros dois dialetos, o javaé e o karajá propriamente dito, designam também os outros dois grupos falantes da mesma língua.

Localização

Os Karajá do Norte são tradicionais habitantes da região do baixo Araguaia e, especificamente, das proximidades de seu trecho encachoeirado. As duas aldeias atuais, Xambioá e Kurehe, no município de Araguaína (TO), localizam-se na margem direita do Araguaia, distantes seis quilômetros uma da outra. Estão 100 km a montante da cidade de Xambioá, a 150 km, por estradas de terra e asfalto, de Araguaína e 70 km de Santa Fé do Araguaia, os centros urbanos mais importantes para o grupo.

Em 1888, os Karajá do Norte possuíam quatro grandes aldeias entre a corredeira Pau d'Arco (nas proximidades da atual cidade com esse mesmo nome) e a "grande cachoeira de São Miguel". Suas excursões de caça, entretanto, os conduzem até as proximidades de São Vicente do Araguaia (atual Araguatins), de onde foram expulsos pela colonização. Sua área de ocupação, no início do século XX, ia dos 7° 30' até 5° 50' de latitude sul, ou seja, por mais de 240 km ao longo do Araguaia. Por volta de 1920/30 a população Karajá do Norte encontrava-se espalhada em por volta de oito aldeias.

Além dessas, são mencionados outros locais, que não se sabe se constituíam pontos tradicionais de aldeamentos ou se foram ocupados em função do desejo de manter relações com os adventícios. É o caso, por exemplo, dos arranchamentos estabelecidos por algum tempo junto ao garimpo Pedra Pedra, no local denominado Karabitxana. Além da grande redução populacional, a população remanescente encontrava-se dispersa em locais distantes uns dos outros, como Araguanã e aldeia da foz do Cabiriru.

Grande parte dos habitantes dessas aldeias foi reunida pelo SPI nas proximidades do local denominado Água Fria, nome de um tributário da margem esquerda do Araguaia, logo ao norte dos limites da atual Terra Indígena, onde o órgão pretendia estabelecer um posto para o grupo. A essa primeira tentativa de implantação do SPI no final da década de 1940 teria se seguido outra, igualmente malsucedida, dessa vez na aldeia Cabiriru (Kabiriry, que significa "estrada da bacaba"), localizada junto à barra do rio homônimo, no limite sul da atual Terra Indígena. Ainda no início da década de 1940, o Posto do SPI e a população Karajá ali reunida foram transferidos para o local onde se encontra hoje, entre o rio Matinha e o córrego da Paca. Em seguida, se deu a definitiva reunião dos habitantes das aldeias remanescentes e das famílias que viviam juntas com a população regional ribeirinha. Aí permaneceram até o verão de 1985, quando pouco mais da metade de sua população se instalava em Kurehe hawa, a seis quilômetros do Posto Xambioá. A tendência verificada em 1987 era a de permanência dos dois grupos locais, com população equivalente, paralelamente a um discreto crescimento de população que se registra atualmente.

A Terra Indígena Xambioá reúne toda a população Karajá do Norte. Representa, todavia, apenas um fragmento do território tradicionalmente ocupado pelo grupo nas suas atividades de pesca, caça e coleta de alimentos e materiais. Sua exigüidade faz com que os índios, surpreendentemente, sejam considerados como "invasores" pelos alegados proprietários das áreas que continuam a percorrer, como faziam no passado. Para pescar, atualmente, dirigem-se às lagoas e outros pontos piscosos localizados fora da TI Xambioá. Fora dela também fazem coleta de alimentos. Da mesma forma, para obterem materiais necessários à elaboração de artesanato são obrigados a comprá-los da população regional que ocupou seu território.

População

Foto: André Toral,1982
Foto: André Toral,1982

A população do grupo era de 185 pessoas, em contagem de outubro de 1997 realizada pela Seção de Saúde da Administração Regional de Araguaína, da Funai.

Esta população estava dividida em duas aldeias: 95 pessoas na aldeia de Xambioá e 90 na aldeia Kurehe. Compõe-se majoritariamente de Karajá do Norte, além de alguns regionais, que se incorporaram ao grupo principalmente na década de 1950, e de alguns poucos Mbya-Guarani que se casaram na década de 1980 com os Karajá do Norte. São os remanescentes de uma vintena de índios Guarani que aí habitaram nessa mesma época.

O tamanho da população atual não reflete a existente até o final do século passado, quando oscilava ao redor de 1.350 pessoas. O grupo sofreu um processo extremamente violento de perda de população, desde essa época, que a reduziu, em 1959, a 40 pessoas, cerca de 3 a 4 % do que era a cinco ou seis décadas antes.

O crescimento de população total das duas aldeias, de 135 em 1987 para 185 em 1997, mesmo com a retirada dos Mbya Guarani, indica que a população Karajá do Norte, aos poucos, começa a se recuperar numericamente e aponta uma tendência cada vez maior de procurar cônjuges dentro do próprio grupo, anunciando o que pode ser o fim do período de uniões com regionais.

Dado o grande número de jovens com menos de quinze anos e a regularização da assistência, é possível prever o crescimento do grupo, embora a passos lentos. Em 2006 os Karajá do Norte somavam 269 pessoas (Funasa).

História do contato com outros grupos indígenas

Foto: André Toral,1982
Foto: André Toral,1982

Os Karajá do Norte tiveram contatos históricos com diversos grupos Kayapó (Xikrin, Metuktire e os atualmente extintos Irã-amrãire, de Pau d'Arco), Timbira (sobretudo os Apinayé) e Akwen (Xerente, principalmente no século XIX).

No século XIX, essas relações eram geralmente conflituosas, com exceção de alianças de duração limitada com os Xerente contra as guarnições militares, principalmente em função da alteração da localização dos grupos indígenas devido à chegada da colonização. Há indícios seguros, no entanto, que nos séculos anteriores houve considerável intercâmbio social, principalmente com os grupos kayapó, dentre os quais os Xikrin - que ainda praticam rituais aprendidos com os Karajá do Norte - e os Metuktire, que conservam inúmeras peças de sua cultura material, principalmente cestos e plumárias, também "importados" dos Karajá do Norte. Segundo o antropólogo Terence Turner, os Metuktire referem-se aos Karajá do Norte como uma espécie de "cultura mãe", o que remete à profundidade dos contatos entre esses grupos indígenas.

Ainda no século XIX, mantiveram relações quase sempre conflituosas com os Tapirapé, grupo de língua Tupi-Guarani, quando estes se deslocaram em áreas marginais ao baixo Araguaia no seu movimento rumo ao sul.

História do contato com a sociedade brasileira

É provável que os Karajá do Norte tenham sofrido ataques de expedições escravagistas oriundas de São Paulo no período colonial, mas não eram seu alvo preferencial. Chegaram ao início do século XIX relativamente preservados e considerados como o mais numeroso dos grupos karajá. Seu contato com "brancos" se restringia apenas a traficantes, missionários e aventureiros que atingiam o baixo Araguaia pelo Pará.

Durante o governo de Fernando Delgado (1809-20), uma delegação dos Karajá do Norte esteve na sede da capitania de Goiás, manifestando desejo de serem aldeados. O governador, no entanto, não lhes deu a menor importância, uma vez que, nesse período, os aldeamentos governamentais estavam em completo abandono em Goiás.

Talvez a razão para o envio de emissários fosse mais o desejo de arranjar uma forma de convivência com os colonos e guarnições militares que se instalavam no baixo Araguaia do que propriamente o desejo de se transferirem para os aldeamentos reais, que, aliás, deveriam conhecer graças aos demais grupos karajá que neles viveram. Seja como for, as tentativas feitas pelos Karajá do Norte de normalizar as suas relações com a sociedade brasileira não foram consideradas.

Em 1813, iniciavam-se os conflitos desse grupo com as guarnições militares que durariam até o final do século. Nesse ano, aliados a grupos Akwen, provavelmente Xerente, arrasaram o presídio de Santa Maria.

A partir da segunda metade do século, amiudaram-se os ataques dos Karajá do Norte às guarnições militares dos Martírios e Santa Maria, principalmente. Foram também registrados choques armados na Missão de Xambioás, onde um missionário capuchinho comandou a ação repressiva do destacamento ali estacionado, que causou a morte de cerca de 30 índios.

A maioria dos ataques dos Karajá do Norte foi dirigida contra os militares por meio dos quais se tentou afirmar a presença brasileira no baixo Araguaia: presídios, acampamentos, destacamentos e embarcações militares, mesmo sob forte escolta.

Os núcleos pioneiros, não-militares, em função de sua fragilidade frente à (relativamente) numerosa população indígena, certamente não adotaram um comportamento declaradamente hostil perante os índios.

Nos últimos anos do século XIX e primeiras décadas do XX, os Karajá do Norte sofreram enormes perdas populacionais, devido principalmente a doenças e, numa escala muito menor, a choques armados com as guarnições militares. Finalmente, deixaram de se apresentar como um obstáculo à navegação e ao estabelecimento de núcleos pioneiros no baixo Araguaia. Ironicamente, os planos para a navegação e colonização já se encontravam abandonados. A principal conseqüência da política agressiva adotada em relação a eles é o deserto populacional existente nos dias de hoje no baixo Araguaia, resultado da extinção de suas aldeias. Estas, atualmente, encontram-se separadas por mais de 250 km de rio da mais próxima aldeia Karajá.

Nas quatro primeiras décadas do século XX, os Karajá do Norte viviam em cerca de oito aldeias, ocupadas basicamente no "inverno" (novembro a março), época em que se dedicavam às atividades agrícolas. No restante do ano, eles viviam nas praias, explorando o rio e se relacionando com grupos de Karajá meridionais, que viviam dispersos e que, futuramente, formariam as aldeias Karajá Macaúba, Lago Grande e a Javaé de Kanoano, com outros grupos indígenas (basicamente Kayapó) e com a população regional.

Os pequenos grupos familiares dispersos experimentavam, já nesse período, intensa perda de população, causada pela irrupção violenta de doenças importadas da população regional e pela inexistência de apoio por parte do SPI ou de missões religiosas.

No período de 1940-1950, com o objetivo de fundar um Posto, o representante do SPI dirigiu-se à aldeia Kabiriry. Como o porto da aldeia era inadequado para a atracagem de barcos, na época a única possibilidade de ligação com núcleos regionais, ele conseguiu que os Karajá do Norte mudassem para o local onde atualmente se localiza o PI Xambioá. Depois da mudança e instalação do Posto, o SPI procurou reunir os habitantes das demais aldeias e as famílias que viviam em contato com os regionais ribeirinhos, com o objetivo tornar sedentária essa população que vivia em freqüente deslocamento e, assim, viabilizar o trabalho assistencialista. Foram construídas casas, grandes roças foram abertas e, ainda, foi instalada uma olaria para a fabricação de telhas.

Esse primeiro aldeamento, formado pela reunião dos habitantes de diversos grupos locais, teve curta duração. Devido a brigas e dissenções internas, seus habitantes se dispersaram.

Nessa época, os Karajá do Norte se achavam expostos à influência dos regatões que percorriam o baixo e médio Araguaia e que vendiam-lhes peixe fresco e salgado, principalmente as mantas de pirarucu salgado, além de couros de diversos animais, sobretudo felinos e lontras. Em troca, recebiam, entre outras coisas, cachaça.

Os conflitos e tensões, evitados por meio da circulação de indivíduos e famílias por diversas aldeias, eclodiram de forma violenta quando seus habitantes foram reunidos e sujeitos ao convívio cotidiano. Vivendo anteriormente em unidades locais politicamente autônomas, os diversos grupos Karajá do Norte passaram a uma situação radicalmente diferente: diversas lideranças, juntamente com seus segmentos familiares, tiveram que se acomodar e aceitar o convívio e a autoridade do "capitão" escolhido pelo SPI. As numerosas brigas e discussões foram agravadas pela introdução do consumo rotineiro de álcool.

A situação interna da aldeia recém-formada deteriorou-se rapidamente, forçando a dispersão de seus habitantes e o retorno aos locais onde viviam anteriormente. Também concorreu para essa dispersão a desativação do Posto e o fim da assistência que prestava.

No início da década de 1950, além de retornarem aos locais que habitavam até o começo da década anterior, diversas famílias passaram a conviver com regionais, instalando-se nas proximidades de núcleos ribeirinhos. Contraíram as primeiras uniões matrimoniais com membros da população regional, que não deixaram descendentes. Continuaram a ocorrer numerosas mortes devido a doenças e à inexistência de cuidados médicos.

Em meados da década de 1950, fez-se a segunda tentativa de implantação do SPI. Seus funcionários dirigiram-se a todos os locais onde viviam os remanescentes dos Karajá do Norte, convencendo-os a se reunir.

Nessa época, foram contraídas 14 uniões com pessoas da região. Em 1982, viviam na aldeia nove regionais (cinco homens e quatro mulheres) casados com Karajá do Norte. A essa população juntou-se, em l980, um grupo de aproximadamente vinte Guarani-Mbya, vindos do Mato Grosso do Sul e provavelmente do Paraguai, três dos quais se casaram com Karajá do Norte. Poucas uniões se deram com Karajá e Javaé, devido à distância de suas aldeias. Foi a incorporação dos regionais e dos Guarani que permitiu a recuperação populacional, impedindo sua extinção física na década de 1960, quando os Karajá do Norte foram reduzidos a apenas 40 pessoas, devido à irrupção violenta de diversos tipos de moléstias, alcoolismo e lutas internas.

O estabelecimento de uma assistência médica regular e a definitiva fixação dos Karajá junto ao Posto para facilitar tratamentos também tiveram efeito positivo na recuperação populacional, conseguindo, no final da década de 1960, deter o efeito devastador das epidemias.

Durante os anos 1970, a infra-estrutura da Funai junto ao grupo foi ampliada, com a construção de casas para o Posto, envio de alguns membros do grupo para serem treinados como monitores bilíngües, atendentes de enfermagem etc.

Depois de estabelecidos na área que lhes foi destinada, a mesma sofreu diversas tentativas de invasão por parte de fazendeiros vizinhos e os Karajá do Norte envolveram-se em negócios com a madeira existente no interior da TI.

Em 1985, por motivos de política interna, um grupo de dissidentes fundou a aldeia Kurehe, seis quilômetros a jusante.

Organização social e meio ambiente

Os Karajá do Norte, como os demais grupos de língua Karajá, marcam o que corresponderia às nossas estações do ano pelo regime das águas do rio: "início da enchente", "enchente", período entre o fim das enchentes e início da vazante quando o rio fica estacionado (behetxi), "tempo das praias novas" (vazante) e "tempo das praias" (estiagem).

Suas manifestações religiosas, formas de organização social e política, bem como suas atividades de subsistência encontram-se centradas na sua relação com o rio durante o ciclo de estações. Cada estação pressupõe um ritmo e atividades sociais bem definidas. O tempo da chuva e do estio não marcam apenas regimes de subsistência bem diferenciados, mas também a chegada e partida de seres sobrenaturais esperados e recebidos pelos grupos de língua karajá ao longo do ano e os movimentos de reunião e dispersão dos habitantes das aldeias, que resultam em formas sociais singulares no tempo das chuvas e do estio.

A maneabilidade desse sistema social e religioso, capaz de "funcionar" em pequenos acampamentos nas praias e em grandes aldeias, diferencia-os dos grupos Jê do Brasil Central, possuidores de uma morfologia social que necessita grandes aldeias para seu pleno funcionamento.

Os povos de língua karajá se vêem como pertencentes a parentelas de vivos (wasy) e de mortos (wabàdè). Todo o território karajá se relaciona intimamente às parentelas dos mortos que o ocuparam, reconhecidas pelos nomes de seus líderes ancestrais masculinos. As parentelas de vivos que o ocupam evocam os nomes desses seus ancestrais para justificarem direitos a parcelas desse território. Os Karajá organizam-se basicamente em famílias extensas, partes de parentelas com expressão territorial, organizadas em facções com elevado potencial de fissão em relação à comunidade onde vivem. Suas menores aldeias são formadas por apenas uma família extensa, onde geralmente o sogro vive acompanhado pelas famílias dos genros; as grandes, por uma reunião de parentelas formadas por diversas famílias extensas. Os componentes dessas parentelas também costumam apresentar-se espalhados por diversas aldeias, o que impede a existência de hostilidade entre estas.

Além dessas cisões semi-definitivas, as aldeias dos Karajá, Karajá do Norte e Javaé experimentam, uma vez por ano, uma relativa dispersão de seus moradores na época do "verão". Embora fosse mais intensa até a década de 1950 e 1960, ainda ocorre, parcialmente, na maioria das aldeias. Para melhor explorar os recursos do rio, a população das grandes aldeias divide-se em unidades sociais menores, formadas por desde uma simples família nuclear até várias famílias extensas coligadas. Espalhando-se por praias, furos, lagos e subindo afluentes do Araguaia, procuram, com grande mobilidade, explorar as espécies vegetais e animais que a estação do ano oferece. O "tempo das praias", portanto, subdivide-se em "tempo da tartaruga e seus ovos, do tracajá e seus ovos", "tempo do crumatá" e assim por diante.

Religião e ciclo anual

O sistema religioso dos grupos de língua karajá, por meio de um elaborado sistema ritual, manifestava-se durante o verão nas ijasò anaràky, uma vez que asseguram o contato da comunidade com os seus ancestrais longínquos, os ijasò, senhores dos animais do céu, da água e da terra. A atuação dos xamãs, da comunidade organizada e dos ijasò, traz o alimento para a aldeia. Os povos de língua karajá, conceitualmente, alimentam-se através da renovação dessa sua aliança com seu passado.

Essa concepção, de que a subsistência é garantida, entre outras coisas, por uma atitude religiosa correta, marca uma visão tradicionalista e bastante comum a respeito da disponibilidade dos recursos naturais.

A partir do início das chuvas e subida do nível do rio, os Karajá reúnem-se nas suas aldeias maiores, localizadas nas "barreiras" ao longo do Araguaia. É o tempo da caça, de se iniciar a preparação das roças, do milho verde, da colheita das roças e da coleta de diversas espécies vegetais.

Devido à perda de população e à mudança nas suas condições de vida em geral, os Karajá do Norte simplificaram sua vida cerimonial. Mantiveram, no entanto, suas festas de iniciação masculina, realizadas anualmente no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Nesse cerimonial, que marca a passagem de grau de idade de "meninos" para a de "rapazes", a aldeia é visitada por representações de kàralahuni, "espíritos de guerreiros Kayapó" (mortos em combate com os Karajá do Norte), que se associam aos iniciandos como espíritos protetores. Os kàralahuni são alimentados pelas famílias dos iniciandos, que lhes preparam o korotxu, bolo de beiju recheado com pedaços de peixe. Assim como os demais grupos de língua Karajá, os Karajá do Norte enfatizam a iniciação masculina realizando-a, igualmente, no auge para o final da estação das chuvas.

Vida política

As famílias extensas, que sozinhas ou coligadas vivem de maneira independente durante o verão, são a base e o limite do sistema político dos povos de língua karajá. Sua reunião anual no período das chuvas causa um aumento considerável da atividade política, através da formação e atualização de um complexo sistema de alianças, quando se fazem e desfazem facções, consagram-se lideranças e afastam-se outras.

Essa intensa atividade política geralmente resulta na formação de novas aldeias por facções que se encontram em situação desvantajosa. A instalação de agências religiosas ou governamentais, a partir do século XX, entre os povos de língua karajá, abriu uma nova pauta de negociação entre as diversas famílias extensas articuladas em facções. Doravante, o domínio do aparelho da Funai, dos empregos, da interlocução com os "brancos", das oportunidades e vantagens oferecidas ao grupo se transformou em objetivo das partes envolvidas nessa disputa política.

A formação da atual aldeia de Kurehe foi apenas mais uma demonstração da vigência da política tradicional, em que restam às facções em situação desvantajosa as opções de permanecer numa situação de sujeição ou de procurar outro lugar para viver.

Ainda hoje, as principais facções dos Karajá do Norte estão ligadas aos líderes das famílias extensas que se coligaram na época da formação da aldeia Xambioá. A ligação dos indivíduos atuais com os grupos familiares "originais" que formaram a aldeia parece ser, hoje em dia, uma referência forte, como indica a permanência do nome desses líderes familiares das décadas de 1940 e 1950 como "sobrenome" dos atuais Karajá do Norte. Atualmente os nomes "típicos" são compostos de (1) nome em português, acrescido do (2) nome Karajá do Norte, (3) sobrenome familiar (nome do principal da facção familiar: Txebwaré, Axure etc.) e (4) sobrenome "étnico" (Karajá).

Considerando o esperado aumento de população e a vigência desse mecanismo cíclico de cisão, vislumbra-se a formação de novas aldeias num futuro próximo. Com uma maior presença ao longo de seu território e dada a exigüidade dos recursos da atual "Terra Indígena", é possível prever um aumento progressivo nos conflitos dos Karajá do Norte com os proprietários vizinhos.

Atividades econômicas

Foto: André Toral,1982
Foto: André Toral,1982

Como os demais grupos karajá, os Karajá de Norte podem ser definidos, basicamente, como pescadores. A base da alimentação do grupo é conseguida com a pesca e coleta daquilo que o rio e seus terrenos marginais lhes oferecem. A reduzida produção de suas lavouras e os gêneros agrícolas que compram fora da aldeia completam sua subsistência, que está longe de satisfatória.

O peixe é a principal fonte de proteínas para os Karajá do Norte. A pesca se faz basicamente ao longo do rio Araguaia, em locais apropriados, ou então em lagoas situadas fora da TI, principalmente na margem paraense, subindo o rio Maria. Suas excursões de pesca causam freqüentemente atritos com fazendeiros e proprietários das terras que percorrem. Durante o verão, costumam subir os afluentes do rio Araguaia, à procura de peixes e de ovos de quelônios nas praias. Nessa estação, suas excursões podem durar alguns dias, não mais que uma semana. Durante a época das chuvas são freqüentes as pescarias feitas em geral por dois homens, que saem pela manhã e retornam ao final da tarde. Além da pesca com anzol, tarrafa, redes e arpões, costumam utilizar-se também do arco e da flecha.

Foto: André Toral,1982
Foto: André Toral,1982

A caça no interior da TI, atividade altamente compensadora na década de 1980, teve sua importância diminuída nos dias de hoje. As espécies de animais mais procuradas são o caititu, veados, tatus, macacos e jabutis. Em função dos desmatamentos e queimadas feitas nas áreas vizinhas, a caça acabou por se refugiar nas matas da TI, a única que manteve parte da cobertura vegetal original. Os resultados que conseguem nessa atividade, no entanto, são limitados pela dificuldade de obterem dinheiro para comprar munições e pela qualidade inferior dos cartuchos fabricados na aldeia e das velhas armas que utilizam.

Depois que foi proibido o comércio de peles pela legislação federal, a caça se limita à obtenção de alimentos. A única espécie animal que ainda caçam para comercialização é a arara (azul e vermelha). Vendem ocasionalmente seus "couros" com penas para os Karajá e Javaé da ilha do Bananal, que os utilizam na fabricação de artefatos. É, no entanto, um comércio esporádico, dada a distância que os separa dos compradores.

A atividade de coleta atualmente se limita a diversas frutas sazonais tais como o marmelo, bacaba, macaúba e anajá em dezembro, do açaí em agosto e do cajá em fevereiro. Essas espécies são coletadas em zona de floresta, fora da TI. Além dessas espécies nativas, o grande número de mangueiras existentes na aldeia fornece-lhes boa quantidade de frutos nos meses de dezembro e janeiro.

Inserção na economia regional

A insuficiência de materiais destinados à elaboração de artesanato, utilitário ou destinado à venda, no interior da atual reserva, faz com que os Karajá do Norte se envolvam num indesejado e custoso comércio de matérias primas com a população regional. Para a elaboração de flechas, por exemplo, têm que comprar o taquari, pagando por "touceira", em Pau D'Arco. Podem consegui-lo também no regime "à meia", dando metade das flechas a quem lhes forneceu as taquaras. Conseguem-nas também nas cabeceiras do rio Matinha, fora da TI. O imbé para fixar a ponta ao corpo da flecha é conseguido no comércio com os Tapirapé e Javaé, ou então nas cabeceiras do rio Maria, onde o compram a metro. O mulungu ou olho-de-cabra - semente preta para confecção de colares, pulseiras e brincos - é conseguido na margem paraense do Araguaia, ou então é comprada por saco. Também a palha de buriti - essencial para elaboração de esteiras, cestos e cobertura de casas - é comprada de pequenos fazendeiros em Pau d'Arco e em Araguaína, pagando-se por "molho". Também o pati, para fabricação de arcos, é conseguido na margem paraense do Araguaia.

Apesar da dificuldade para conseguir o material necessário à elaboração de artesanato, vendem regularmente sua produção à população regional. São principalmente objetos de uso prático, como moringas, remos, ao contrário dos demais grupos de língua karajá, que se especializaram como produtores de artesanato "turístico".

A despeito de conhecerem técnicas de elaboração de sofisticados trabalhos de plumária e disporem da matéria-prima (penas de pássaros), é relativamente rara a produção dessas peças mais elaboradas, dada a ausência de compradores, preferindo concentrar sua produção em itens de baixo valor, como colares, testeiras e chocalhos.

Seu engajamento na economia regional é relativamente pouco importante devido à distância de centros economicamente significativos e a inexistência de pólos de desenvolvimento. Os empregos costumam estar ligados às secretarias estaduais da saúde e educação, à Funai, aposentadorias do Funrural, venda de peixe e artesanato e venda esporádica de força de trabalho para as fazendas vizinhas, que lhes permitem a compra de produtos industrializados (sal, tecidos, açúcar, farinha, arroz, óleo, artigos de ferro e para a pesca, querosene).

Os Karajá do Norte vendem pequenas quantidades de peixe para as corrutelas e garimpos num raio de 30 km e também em Araguaína. Hoje não mais comercializam as mantas de pirarucu salgadas, como faziam até meados da década de 1960, quando os regatões percorriam aquele trecho do Araguaia.

De abril a junho, alguns Karajá do Norte empreendem derrubadas nas fazendas da região. Esporadicamente, alguns homens chegavam a trabalhar de peões em fazendas próximas por períodos limitados.

Nota sobre as fontes

Existem poucos trabalhos publicados sobre os Karajá do Norte. O grupo foi visitado pelo etnógrafo alemão Paul Max Alexander Ehrenreich em 1888. O extenso material dessa visita, dividido em cultura material, mitologia e danças de máscaras, recolhido entre os Karajá do Norte e os Karajá, foi publicado em Berlin em 1891. No Brasil foi publicado com o título Contribuições para a Etnologia do Brasil, traduzido por Egon Schaden e publicado pela Revista do Museu Paulista, nova série, volume II, São Paulo, 1948.

A próxima caracterização etnográfica do grupo vai aparecer em 1992 com a tese do antropólogo paulista André Toral sobre os povos de língua Karajá. História, população e organização social dos Karajá do Norte são abordados por meio de bibliografia e pesquisas de campo realizadas em 1982. O trabalho intitula-se Cosmologia e Sociedade Karajá, dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1992.

Fontes de informação

  • AZAMBUJA, Elizete Beatriz. O índio Karajá no imaginário do povo de Luciara-MT. Campinas : Unicamp, 2000. 144 p. (Dissertação de Mestrado)

 

  • BALDUS, Herbert. Mitologia Karajá e Tereno. In: --------. Ensaios de etnologia brasileira. 2a. ed. São Paulo : Ed. Nacional ; Brasília : INL, 1979. p. 108-59. (Brasiliana, 101)

 

  • --------. A mudança de cultura entre os índios do Brasil. In: --------. Ensaios de etnologia brasileira. 2a. ed. São Paulo : Ed. Nacional ; Brasília : INL, 1979. p. 160-86. (Brasiliana, 101)

 

  • --------. Tribos da bacia do Araguaia e o Serviço de Proteção aos índios. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 2, n.s., p. 137-68, 1948.

 

  • BONILA JACOBS, Lydie Oiara. Reproduzindo-se no mundo dos brancos : estruturas Karajá em porto Txuiri (Ilha do Bananal, Tocantins). Rio de Janeiro : Museu Nacional, 2000. (Dissertação de Mestrado)

 

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  • Tigrero : the film that was never made. Dir.: Mika Kaurismaki. Filme Cor, 35 mm, 1994.