Foto: Paulo França, s/d

Huni Kuin (Kaxinawá)

  • Autodenominação
    huni kuin
  • Onde estão Quantos são

    AC10.818 (Siasi/Sesai, 2014)
    Peru2.419 (INEI, 2007)
  • Família linguística
    Pano

Arte

O Kene Kuin, desenho verdadeiro, é uma marca importante da identidade Kaxinawá. Os povos vizinhos (Kulina, Yaminawa, Kampa) não têm um estilo de desenho comparável ao kene kuin. Para os Kaxinawá o desenho é um elemento crucial na beleza da pessoa e das coisas.

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O corpo e o rosto são pintados com jenipapo por ocasião de festas, quando há visitas ou pelo simples prazer de se arrumar. Crianças muito pequenas não recebem desenho, mas são enegrecidas dos pés à cabeça com jenipapo. Meninos e meninas têm só uma parte do rosto coberto com desenho e os adultos têm o rosto todo pintado.

A pintura com jenipapo é uma atividade exclusivamente feminina. Em dias sem festa muitos andam sem desenho, mas quando um dos homens da casa traz jenipapo da mata, sempre há alguém que se anima a preparar tinta e chamar os outros para pintá-los. As pessoas que mais andam pintadas são as mulheres jovens; os homens menos, a não ser que sejam hóspedes.

O estilo do kene kuin contém uma variedade de motivos que têm nomes. Quando um motivo tem dois ou mais nomes, isto geralmente se deve à ambigüidade, típica do estilo Kaxinawá, entre fundo e figura. Os mesmos motivos, ou desenhos básicos, usados na pintura facial, são encontrados na pintura corporal, na cerâmica, na tecelagem, na cestaria e na pintura dos banquinhos.

Assim como nem sempre e nem todos os corpos são pintados, também nem todos os objetos keneya têm desenho. Panelas para cozinhar comida não são pintadas, mas pratos para servir comida podem sê-lo. A pintura é associada a uma fase de novidade na vida do objeto ou da pessoa, uma fase na qual é desejável enfatizar a superfície lisa e perfeita do corpo em questão. O desenho chama a atenção para as novidades na experiência visual, que anunciam eventos cruciais da vida. O desenho desaparece com o uso e só é refeito por ocasião de uma festa. Assim, coisas com o desenho ocupam um lugar especial na cultura Kaxinawá, como em outras culturas do ocidente amazônico.

Abaixo, assista ao curta "BIMI, Mestra de Kenes" dirigido por Zezinho Yube. O vídeo, com produção do projeto Vídeo nas Aldeias , mostra a história de Bimi, uma das grandes mestres da arte da tecelagem Hunikui. Ela fala da sua aprendizagem e dos resguardos que uma tecelã deve respeitar.

 

Leia mais:
 

MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin

por Amilton Pelegrino de Mattos
Projeto Espírito da floresta/UFAC – Floresta e MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin

O MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin consiste num coletivo de pesquisadores-artistas do povo Huni Kuin. O MAHKU tem sua gênese no processo tradicional de formação de Ibã Huni Kuin (Isaias Sales) com seu pai Tuin Huni Kuin (Romão Sales), notável pesquisador dos conhecimentos desse povo. Ao longo de sua vida resguardou os saberes musicais e rituais que corriam o risco de desaparecer na sociedade seringalista. Ibã aliou essa formação tradicional com os instrumentos da escrita e da pesquisa ao se formar professor, passando a registrar e publicar esses cantos. 

Sentindo a necessidade de aprofundar essas pesquisas com as novas gerações, Ibã e seu filho Bane Huni Kuin (Cleiber Sales) adotam a expressão visual do desenho e da pintura para fazer traduções visuais dos cantos. Nesse momento, a possibilidade do audiovisual a partir do LABI – Laboratório de Imagem e Som da UFAC – Floresta abre as perspectivas do suporte ideal para essa composição de som e imagem e tem origem, na Licenciatura Indígena da UFAC – Floresta, o projeto de pesquisa Espírito da floresta, que organiza em 2011 o I Encontro dos Artistas desenhistas Huni Kuin, na Terra Indígena do rio Jordão, e a I Exposição dos Artistas Desenhistas Huni Kuin, em Rio Branco.

Txanu desenhando huni meka no I Encontro de Artistas-Desenhistas Huni Kuin
Terra Indígena Kaxinawa do Rio Jordão, 2011

 

Em 2012 os artistas huni kin são convidados para expor na Fundação Cartier para a Arte Contemporânea em Paris. A partir dessa experiência o grupo se organiza no MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin, associação que tem entre os seus objetivos fortalecer a pesquisa e a arte, criar fonte de renda digna que proporcione a cultura viva e a vida na floresta.  

Os trabalhos dos artistas, em maioria homens, consistem quase sempre em traduções visuais de cantos da ayahuasca, os huni meka pesquisados por Ibã. Eventualmente desenham outros cantos rituais e mitos. O desenho continua vigorando, mas a pintura tem ocupado cada vez mais os artistas. 

Vídeo O espírito da floresta

O vídeo O Espírito da floresta (Dir. Amilton Mattos) foi realizado em 2011 e 2012. Apresenta o trabalho de pesquisa de Ibã e registra o surgimento do projeto Espírito da Floresta (UFAC – Floresta) e do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin no I Encontro de Artistas-Desenhistas Huni Kuin (2011). O vídeo foi realizado para a apresentação do projeto na Exposição Histoires de Voir da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea em 2012.
 


O MAHKU mantém desde 2011 um site onde publica seus trabalhos: www.nixi-pae.blogspot.com.br