De Povos Indígenas no Brasil
Foto: Sergio Bloch, 2000

Waimiri Atroari

Autodenominação Onde estão Quantos são Família linguística
RR, AM
2.009 (PWA, 2018)
Karib

Os Waimiri Atroari, durante muito tempo, estiveram presentes no imaginário do povo brasileiro como um povo guerreiro, que enfrentava e matava a todos que tentavam entrar em seu território. Essa imagem contribuiu para que autoridades governamentais transferissem a incumbência das obras da rodovia BR 174 (Manaus-Boa Vista) ao Exército Brasileiro, que utilizou de forças militares repressivas para conter os indígenas. Esse enfrentamento culminou na quase extinção do povo kinja (autodenominação waimiri atroari). A interferência em suas terras ainda foi agravada devido a instalação de uma empresa mineradora e o alagamento de parte de seu território pela construção de uma hidrelétrica. Mas os Waimiri Atroari enfrentaram a situação, negociaram com os brancos e hoje têm assegurados os limites de sua terra, o vigor de sua cultura e o crescimento de sua gente.

Waimiri Atroari, o povo Kinja

Contam os Waimiri Atroari que antigamente existiam dois grupos denominados Iky e Wehmiri. Os Iky viviam na cabeceira do rio e tinham a pele sakra (mais clara) e os Wehmiri moravam próximo à foz e tinham a pele tapyryma (mais escura que os Iky). Esses grupos habitavam tanto o fundo do rio, pois eram parentes do Xiriminja (entidade mitológica que mora nas águas), quanto na terra firme.

Mulher preparando bebida feita de açaí. Desenho: Mepeni, 1999.
Mulher preparando bebida feita de açaí. Desenho: Mepeni, 1999.

Foi a filha dos Iky quem deu o pênis para kinja emymy (kinja sem pênis) e a partir daí teria começado uma das histórias sobre a origem desse povo. Os Waimiri Atroari se denominam kinja (gente verdadeira) em oposição a kaminja (não indígena), makyma (canhoto) e a irikwa (morto-vivo). O nome Waimiri Atroari, como são conhecidos na atualidade, data do início do século XX, na época do SPI (Serviço de Proteção aos Índios). No entanto essa denominação composta representa somente um povo: o povo kinja.

Tahkome e Nysakome, os ancestrais Waimiri Atroari e os domínios da terra, do ar e da água

Menino com arco. Foto: Sergio Bloch, 2000.
Menino com arco. Foto: Sergio Bloch, 2000.

Segundo o povo kinja (autodenominação Waimiri Atroari), antigamente todos os seres mitológicos e animais que habitavam a Terra eram gente e viviam no meio de kinja. Um dia "choveu" muita pedra e todos pensaram que o mundo iria acabar, no entanto havia uma casa cujo esteio central era de piria (pau d'arco), madeira muito dura que agüentou as pancadas das pedras.

Nessa maloca moravam várias famílias e a partir delas surgiram os ascendentes dos atuais Waimiri Atroari.

Sua gênese é portanto assinalada pelo marco antes e depois da "chuva" de pedras. Atualmente dizem que são descendentes (segunda geração) desse povo que sobreviveu protegido pelo piria dentro da maloca.

Os antigos Waimiri Atroari são chamados de tahkome (masculino) e nysakome (feminino). Tahkome é um termo que também pode se referir a um passado muito distante (ao tempo que existiam os tahkome), onde todos conviviam em igualdade de condições, eram todos humanos, apesar de alguns terem poderes sobrenaturais.

O weiepe, conhecido também por jamaxi, é um dos artefatos tradicionais dos Waimiri Atroari, confeccionado pelos homens e usado pelas mulheres para transportar produtos da roça. Fotos: Sérgio Cleto, 1999.
O weiepe, conhecido também por jamaxi, é um dos artefatos tradicionais dos Waimiri Atroari, confeccionado pelos homens e usado pelas mulheres para transportar produtos da roça. Fotos: Sérgio Cleto, 1999.

Nesse tempo passado não havia os animais e as pessoas viviam das frutas e tubérculos existentes na natureza. Mawa, que também era gente, vivia na terra e fornecia à kinja todas a provisões necessárias. Foi Mawa um dos responsáveis por transformar gente (que transgredia regras) em animais e por alguns produtos cultivados em seus roçados.

Um dia, cansado da convivência na Terra e para impedir o céu de cair, Mawa pediu ao jaboti para flechar o céu para que se formasse uma escada e assim se tivesse acesso a esse lugar. Através da corda de sucessivas flechas, que ligou a terra ao céu, Mawa conseguiu chegar ao espaço superior, estabelecendo nesse local sua moradia. Algumas pessoas tentaram subir também, no entanto Mawa cortou a corda e derrubou todos. Os que ficaram pendurados nas árvores transformaram-se nas diversas espécies de macacos. Mawa é o regulador das forças da natureza, por isso está presente em várias narrativas sobre o dia e a noite, o surgimento do trovão e o dilúvio.

Mulher com tanga tradicional utilizada na época dos primeiros contatos com os brancos. Desenho: Iarymaky, 1999.
Mulher com tanga tradicional utilizada na época dos primeiros contatos com os brancos. Desenho: Iarymaky, 1999.

Na terra vive kinja, que escolhe lugares onde edifica sua moradia. Ao redor de sua casa planta o roçado e, após o roçado, existe a floresta. A floresta é o espaço da caça, no entanto é um lugar perigoso para os Waimiri Atroari, sendo evitado por crianças e mulheres desacompanhadas. É onde moram os Irikwa (mortos-vivos), os Iamai (entidade parecida com um morcego) e os Ianana. Todos seres terríveis que se alimentam do sangue e da carne de kinja. Irikwa e Iamai não podem ser vistos pelos humanos. Caso aconteça, a pessoa virá a perecer, sentindo suas energias vitais se esvaindo lentamente.

Ianana mora no tronco de angelim. Matava e comia kinja. Um dia kinja descobre sua moradia e a incendeia. Seu filho sobrevive, é levado para a aldeia e criado como um kinja. Ele tinha muita sorte na caça causando grande curiosidade em todos. Contava como caçava, mas muitos não acreditavam. Andando pela floresta, desacreditado, encontra com sua avó, que lhe conta toda sua história, fazendo com que ele retorne para a floresta.

No mundo aquático encontram-se os peixes, outra fonte de proteína importante para os Waimiri Atroari. Nesse domínio vivem os xiriminja, entidades semi-humanas que habitam o fundo dos rios e lagos. Xiriminja ofereceu suas filhas em casamento aos kinja. Nessa época os homens não tinham pênis, foi a filha do xiriminja quem ofereceu esse órgão aos kinja. O estreitamento das relações entre esses dois povos trouxe como benefício o enriquecimento da cultura material e imaterial dos Waimiri Atroari. Xiriminja ensinou a cestaria (com seus vários desenhos), alguns cantos e danças do maryba de iniciação masculina e a plantar as mudas de diversas plantas comestíveis que ofertou.

Apesar de ocuparem espaços distintos, os seres mitológicos e humanos mantêm estreita relação entre si. Os domínios se interpenetram, constituindo o Todo do universo waimiri atroari.

Mydy taha, as aldeias

Aldeia waimiri atroari. Foto: Homero Martins, 2001.
Aldeia waimiri atroari. Foto: Homero Martins, 2001.

Mydy taha ("grande casa") é a denominação dada ao espaço que constitui a aldeia, a moradia e todo seu entorno, inclusive o roçado. Mydy taha é também a denominação da maloca comunal em formato circular, onde habita a maioria das pessoas da aldeia. A Mydy taha é um espaço importante para os Waimiri Atroari, porque, além de moradia, serve como espaço ritual durante suas festividades.

São formadas de acordo com as necessidades da comunidade, como aumento de população, esgotamento do solo para plantio e escassez de caça.

As mydy taha são localizadas perto de igarapés e grandes rios. Cada aldeia dispõe de autonomia econômica e política, não havendo poder centralizado. A formação de uma nova aldeia dá-se de maneira gradual e depende de uma pessoa de prestígio - mydy iapremy ("dono da aldeia") - para mobilizar um conjunto de grupos domésticos na construção do novo espaço. Primeiramente escolhe-se o local, dentro da região destinada àquele aglomerado, e iniciam-se os trabalhos de roçado. Com o roçado produzindo, começam a construção de uma grande moradia comunal em formato circular - a mydy taha. Na maloca comunal habitam vários grupos locais constituídos por parentes afins e cognatos, tendo cada família seu fogo e lugar especificado.

Cabe às mulheres providendiar lenha. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.
Cabe às mulheres providendiar lenha. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.

As atividades econômicas de uma aldeia estão baseadas na caça, pesca, coleta de frutos silvestres e na agricultura. As caçadas são realizadas por homens e podem ser feitas no período noturno e diurno. As pescarias são atividades permitidas a ambos os sexos e é comum toda a família sair para pescar. Outra atividade que conta com a participação de toda a família é a coleta de frutos silvestres. Na agricultura percebe-se maior separação de trabalho, cabendo aos homens o desmatamento, a queimada e a limpeza. O plantio é coletivo e todas as famílias participam dessa atividade dividindo coletivamente a sua produção, sendo a coleta uma atividade feminina.

Além dos produtos produzidos no roçado (mandioca brava, macaxeira, vários tipos de batatas doce, cará e algumas frutas) e dos peixes fazem parte do cardápio animais como a antas, macacos (guariba e coatá), paca, porcos do mato, mutum, jacamim entre outros. Nem todos os animais e peixes são permitidos no dia a dia dos Waimiri Atroari. Há várias restrições alimentares que estão condicionadas a alguns acontecimentos marcantes na vida dos Waimiri Atroari como nascimento, ritos de passagem, primeira menstruação e purificação antes e pós-guerra.

O casamento preferencial é entre primos cruzados e traz um novo status para o casal, que, além da "cidadania plena", passa a constituir um novo grupo doméstico dentro do grupo local. Com o casamento acentuam-se os compromissos familiares: ao homem cabe a manutenção do roçado e o provimento de alimentos para sua família; e a mulher assume a cozinha e cuidados com os filhos.

A divisão de tarefas varia de acordo com o sexo, a idade e o estado civil. As tarefas aumentam com a idade, diminuindo, no entanto, com a velhice. Ainda assim é comum ver os homens auxiliando as mulheres no trato da caça e da pesca, no cuidado com os filhos e na preparação de farinha para consumo do grupo doméstico.

Aldeia waimiri atroari. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.
Aldeia waimiri atroari. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.


A formação de um Waimiri Atroari varia de acordo com o sexo. Os meninos e meninas até aproximadamente quatro anos ficam aos cuidados das mães e são estimulados a repetir/imitar tarefas relacionadas a seu gênero. Nessa idade os meninos passam por um ritual de iniciação, tendo uma festa específica onde se comemora essa passagem. A partir dessa faixa etária passam a ter atividades associadas tradicionalmente ao seu gênero.

Outra atividade constante no cotidiano de uma aldeia é a confecção dos artefatos. Os Waimiri Atroari são exímios tecelãos. Toda a cestaria é confeccionada pelos homens, que ensinam o ofício aos jovens em idade de se casar. São eles que produzem os objetos para o trabalho das mulheres, como o wyiepe (cesto cargueiro), o matepi (tipiti), matyty (cesto com tecido duplo) e o wyre (abano). Os homens fazem também o pakra (cesto com tampa para guardar os materiais para confecção de flechas) de uso pessoal, o arco e as flechas que utilizam nas caçadas e pescarias. A maioria da cestaria dos Waimiri Atroari é ilustrada por desenhos que eles herdaram de algumas entidades mitológicas e também de seus antepassados. O aprendiz de artesão inicia os trançados começando por um desenho "simples", de acordo com sua idade, até obter habilidade e consentimento para tecer as ilustrações mais complexas e permitidas somente aos homens mais velhos.

Casa sendo construída. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.
Casa sendo construída. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.

As mulheres recebem os artefatos que utilizam de seus esposos ou sogros. Também tecem as redes de fibra de buriti utilizadas nos partos, as pulseiras, os colares e os abanos para o fogo. Antigamente modelavam as panelas e os fornos de barro, hoje substituídas pelas de alumínio e ferro.

É comum na aldeia ver-se vários objetos que antes não faziam parte da vida dos Waimiri Atroari. Os primeiros foram sem dúvida os objetos cortantes e a vestimenta. Num passado recente, um pouco mais de 30 anos, era comum ver homens vestidos de cipó titica, que constituía o cinturão peniano. As mulheres confeccionavam as tangas com fibra de tucum enfeitadas com sementes de bacaba. Essa era a indumentária tradicional dos kinja. Hoje em dia é comum ver os homens de calção e as mulheres com saia.

Maryba, a origem das festas

Foto: Sérgio Bloch, 2000.
Foto: Sérgio Bloch, 2000.

Durante vários períodos do ano, os Waimiri Atroari interrompem suas atividades cotidianas para realizarem suas festas. Não há um calendário específico para os maryba e as datas são definidas com os eremy (cantores), ocorrendo geralmente nos períodos de pouco trabalho comunitário, como preparo e plantio de roçados.

Maryba pode ser traduzido como festa, canto, dança. É um momento ritual e também um momento festivo, onde há suspensão do cotidiano para se transportar para um outro tempo e espaço. As festas têm um significado especial na vida dos Waimiri Atroari é onde vários grupos locais se reúnem para estabelecer e reafirmar alianças entre eles e os diversos aglomerados.

Algumas histórias são referências para explicar o surgimento dos maryba. As mais conhecidas são as seguintes:

Na época de tahkome, kinja não fazia festa, não sabia cantar nem dançar. Xiriminja, que cedeu esposas aos tahkome, ensinou um maryba para ser cantado na ocasião em que foi visitar seu neto. Enviou recado pedindo para que ninguém chegasse perto de seu descendente, pois queria certificar-se que ele tinha os traços do povo d'água: os dedos ligados por uma membrana. Chegando na aldeia, com todo seu séquito de cobras grandes e outros xiriminja, assustou a todos. Porém, logo que saíram das águas os habitantes da aldeia já escutavam seus cantos e puderam ver sua dança. Dançaram e cantaram junto com kinja.

Dentro da maloca, uma criança panaxi (muito curiosa e travessa) quis observar a criança neta de Xiriminja e, quando viu a mão parecida com um pé de pato, esticou os dedos e rasgou a membrana. Xiriminja, muito irado, retornou para sua moradia. Dessa maneira, somente um pouco dos cantos pode ser aprendido. Esses cantos e danças são executados no maryba de iniciação masculina, mas não pode haver nenhuma mulher gestante participando, pois Xiriminja pode pensar ser aquele o seu neto.

Foto: Henrique Cavalleiro, 1998
Foto: Henrique Cavalleiro, 1998

Num outro momento, kinja tahkome estava caçando e parou para dormir um pouco. Um pingo de água caiu em seus cílios e, ao abrir os olhos, observou que havia uma mulher diante dele. Tratava-se de weriri kyrwaky, a filha do papagaio. Kinja ia flechar essa mulher, no entanto seu pai interviu e prometeu a filha em casamento. Esse kinja casa-se com a mulher papagaio e a leva para a aldeia. Lá, weriri kyrwaky ensina vários cantos e danças para os Waimiri Atroari. Passado muito tempo, weriri kyrwaky sente saudades de seu pai e começa a cantar no roçado para chamar atenção de seu genitor. O esposo desconfiado da artimanha de sua cônjuge mata-a para não deixá-la fugir. Desde de então, até hoje, kinja passou a cantar e dançar todos os maryba que aprendeu com seus antepassados.

Algumas Maryba

Foto: Twadja Joanico, 1998.
Foto: Twadja Joanico, 1998.

Durante vários meses, os Waimiri Atroari se preparam para a festa de iniciação masculina. Essa festa acontece quando crianças atingem a idade de três a quatro anos. Os pais das crianças de um mesmo grupo local se reúnem com os eremy para definirem quando será a festa. Decidida a data, o pai da criança tece um calendário feito com várias taquaras cortadas em lascas e ligadas umas as outras com uma fina corda de cipó titica. Essas lascas de taquara representam os dias que faltam para os convidados chegarem ao local dos festejos. Nesse calendário também há uma marca, feita com faca, identificando o dia da coleta da banana para madurar e poder preparar-se o mingau.

Terminado o calendário, os pais saem de sua aldeia para convidar seus paxira (parentes mais distantes que moram em aglomerados distintos do grupo que promove a festa). Os parentes do mesmo aglomerado se deslocam para a aldeia onde haverá a festa para auxiliar nos preparativos.

Foto: Carmen Do Vale, 2000.
Foto: Carmen Do Vale, 2000.

As mulheres cuidam de toda a culinária festiva, sendo que as mães e as avós (materna e paterna) organizam as atividades da cozinha. Os homens se ocupam da confecção dos artefatos: flechas e cestos. As flechas serão oferecidas aos eremy como "pagamento" por seus serviços e aos paxira em agradecimento pelo seu comparecimento. Os cestos servem para ofertar os alimentos, em especial as carnes moqueadas, e também, quando colocados na cabeça do menino, para solicitar que eles sonhem bastante e sejam muito maty (bom caçador e pescador).

Os pais das crianças dividem-se entre as diversas comunidades que irão convidar, permanecendo nessas até a data de deslocar-se em direção à aldeia anfitriã. Expedições, com todos os habitantes das diversas aldeias, são organizadas pelas trilhas que interligam os diversos grupos locais. Durante o período de caminhada pela floresta, os homens vão caçando, moqueando e guardando a carne para a festa. No acampamento, somente frutas silvestres e os pedaços menos nobres das carnes são consumidos. Cestos cargueiros, confeccionados de palmeiras patauá, vão sendo enchidos de carne e esses são carregados pelos pais dos meninos até a chegada na maloca da festa.

Chegando próximo à mydy taha, os paxira armam acampamento para aguardar a chegada da alvorada do dia da festa, geralmente o dia seguinte. Próximo do amanhecer, os eremy começam a cantar e a acordar todos. Flautas e cantos são ouvidos de longe e todos na mydy taha põem-se em estado de alerta para aguardar os seus convidados.

Os meninos a serem iniciados são conduzidos para fora da maloca e sentados em um banco confeccionado especialmente para a ocasião. Algumas vezes suas irmãs adolescentes e solteiras os acompanham nessa recepção. Todos os paxira adentram o espaço da aldeia cantando, sendo que o pai e os eremy vêm à frente liderando a multidão. Festejam circulando os meninos, entregam a caça para os anfitriões e se dirigem ao espaço interior da maloca, onde serão recepcionados com beijus e mingau de buriti.

Desenho: Iarymaky, 1999.
Desenho: Iarymaky, 1999.

A festa não pode ser organizada sem a presença do eremy. É ele quem define, juntamente com o pai da criança, o período em que se realizará a festa e é, também, quem irá conduzir todos os trabalhos durante o ritual. Para ser eremy não é necessário somente querer. É necessário estar disposto a passar por um longo período de aprendizado com um cantor mais experiente, ter disciplina e uma boa memória. Essa atividade é exercida por ambos os sexos. São eles quem evocarão os cantos ligando o universo festivo ao cosmogônico. Suas cantigas falam dos animais, alimentos, heróis míticos e mitológicos, sendo cantadas em uma língua que não é mais falada atualmente. Seu conhecimento também contempla a fitoterapia, o uso de remédios, cuidados com doentes e acompanhamento nos partos junto com os familiares.

Há também outros tipos de festas, como o ritual dos mortos-vivos e inauguração de moradia. O Irikwa maryba (ritual dos mortos-vivos) é realizado quando algum espírito maligno está se aproximando da aldeia com o objetivo de acalmá-lo e afastá-lo; ou quando da morte de algum parente, para que sua alma não fique vagando pelo mundo dos vivos. Irikwa é uma entidade que não traz bons agouros. Vive na floresta e o kinja que a avistar é fadado a definhar até perecer, não havendo tratamento para esse tipo de contágio. O irikwa maryba é feito sempre que necessário, de maneira que não há uma periodicidade em sua realização.

A mydy maryba (festa da casa nova) acontece quando o grupo local termina os trabalhos de cobrir e fechar as laterais da maloca. Participam dessa festa os diversos grupos domésticos e locais que foram convidados pelos mydy iapremy a auxiliarem nos trabalhos de construção da nova maloca. Essa festa é realizada para solicitar bons fluidos para a nova moradia, para que irikwa não chegue perto, e também para que o material utilizado em sua execução tenha longa durabilidade.

Língua

Meninos pintados e enfeitados para o ritual do Maryba. Foto: Henrique Cavallero, 1999.
Meninos pintados e enfeitados para o ritual do Maryba. Foto: Henrique Cavallero, 1999.

A língua Waimiri Atroari, o kinja iara (língua de gente), pertence a família lingüística karib. O kinja iara é falado por todos os Waimiri Atroari, sendo essa a língua referência na comunicação entre eles e para a alfabetização. O português é tido como língua do contato e sua utilização é restrita à escola, nas aulas de ensino de segunda língua, e nas relações interétnicas. O grau de bilingüísmo é relativamente baixo, chegando a 20% da população, sendo a maioria desses falantes homens (jovens e adultos) que atuam como intermediários nas relações entre a sociedade Waimiri Atroari e outras sociedades indígenas e não indígenas.

O contato

A história do contato dos Waimiri Atroari com as sociedades não indígenas na região onde habitavam e habitam remete ao século XVII, com a expansão mercantilista e extrativista das coroas portuguesas e espanholas interessadas em delimitar seus espaços geopolíticos. Porém a história oficial do contato dos Waimiri Atroari inicia-se no final do século XVIIII (1884), com João Barbosa Rodrigues, que se intitula o primeiro pacificador desse povo.

Foto: Paul Lambert, 1970
Foto: Paul Lambert, 1970

Barbosa Rodrigues percorreu diversas vilas próximas do território indígena com intenção de arregimentar guias, coletar registros e relatos sobre aquele povo. Ele os denominou Crichanás, justificando de essa era a etnia encontrada no período de suas expedições e que os "terríveis e traiçoeiros" indígenas que ali habitavam não mais existiam. Essa nova denominação era justificada pelo fato de que o pacificador queria construir uma nova imagem dos indígenas daquela região. Isso facilitaria a sua missão e, assim, poderia manter um contato mais amistoso entre os índios e não índios, que na época travavam relações de extrema hostilidade.

No início do século XX (1911), Alípio Bandeira, representante do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, , extinto em dezembro de 1967) percorreu a região onde se localiza o rio Jauaperi, quando ocorreram novos contatos amistosos com esses indígenas, agora denominados de Uaimirys. Alípio Bandeira encontra, guardadas as devidas proporções e momento histórico, a mesma situação de hostilidade entre indígenas e não indígenas. Em 1912 instalou o primeiro posto de atração aos índios no rio Jauaperi. A partir dessa data, o SPI passa a coordenar os trabalhos e a política indigenista na região. Isso teoricamente, pois esse órgão governamental pouca autonomia teve para impor as políticas indigenistas vigentes nessa época.

Os Waimiri Atroari viam seu território ser invadido por exploradores de recursos naturais (peles de animais, castanha, balata, pau rosa, entre outros) e, contra esses invasores, armavam-se de arco e flecha. A fama de valentia desse povo chegava até a capital da província do Amazonas e expedições militares eram organizadas para tentar retaliar toda a comunidade indígena. Nessa tentativa de afastar os invasores de seu território, muito mais perdas, segundo os relatos e documentos, sofreram os Waimiri Atroari que os não indígenas.

O governo estadual, nesse período, tinha sua economia alicerçada nos produtos extrativistas. Dessa maneira, a população indígena tornava-se um incômodo para os coletores das "drogas do sertão", que viam nas terras indígenas um grande depósito desses produtos. Invasões em áreas ocupadas por indígenas eram incitadas e denúncias dessas invasões eram tidas como calúnias contra os coletores, feitas por pessoas que impediam o crescimento da economia estadual. Como aconteceu no final do século passado, quando os indígenas reagiram contra a invasão de seu espaço territorial agredindo e matando não índios, represálias eram organizadas para vingar os mortos e punir seus malfeitores. Essas represálias eram sempre desproporcionais para os índios. Eram combates desiguais a começar pelo armamento: de um lado arma de fogo de outro arco e flecha. De um lado 300 não indígenas contra um número bem menor de indígenas, de acordo com os relatos das baixas em ambas as partes. Era uma guerra injusta e desigual, um se defendia enquanto o outro atacava. Devido ao reduzido número de combatentes, a posição dos Waimiri Atroari era mais de defesa do território, da honra, da comunidade. Aldeias inteiras eram dizimadas em ataques-surpresa, mesmo assim os índios combatiam com extrema habilidade guerreira. Assim a reputação atribuída aos Waimiri Atroari de valentes, guerreiros, bravos, arredios ao contato, foi crescendo contribuindo para gerar um mito em torno da sua identidade societária.

No final da década de 1960, os governos do estado do Amazonas e do território federal de Roraima iniciaram as obras de construção da rodovia Manaus/Caracaraí, que ligaria por terra esses dois municípios. Tendo conhecimento das histórias envolvendo a sociedade Waimiri Atroari e a sociedade não indígena, o Departamento de Estradas e Rodagens do Amazonas (DER-AM) solicitou ao SPI que pacificasse os indígenas no menor tempo possível para evitar possíveis confrontos com os trabalhadores da estrada.

Atendendo ao pedido do DER-AM, a Fundação Nacional do Índio (Funai, sucessora do SPI), intensificou as atividades da Frente de Atração Waimiri Atroari (FAWA), sob a responsabilidade do sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, para liderar os trabalhos de pacificação. Gilberto encaminhava os contatos seguindo a política indigenista da Funai. Visitava as aldeias, conversava gesticulando com os indígenas e trocava "brindes" (panelas, facas, terçados, machados, talheres, roupas) por objetos confeccionados pelos Waimiri Atroari. Criou vários postos de atração em lugares estratégicos para atingir o seu objetivo de atrair os índios para lugares distantes do traçado da estrada. O esforço do sertanista foi considerado moroso para o DER-AM, responsável pelas obras da Manaus/Caracaraí, que tinha urgência em concluir os trabalhos devido às pressões políticas estaduais (AM/RR) e federal. Dessa maneira foi solicitada sua substituição a Funai.

Com o afastamento de Gilberto Pinto Figueiredo, assume a responsabilidade pela atração dos indígenas o padre italiano Giovanni Calleri da prelazia de Roraima. A Expedição Calleri era composta por oito homens e duas mulheres. Pela primeira vez mulheres participavam desse tipo de trabalho e a presença feminina era justificada para dar um caráter "normal", familiar, à expedição.

A estratégia seria seguir através dos cursos d'água, que eram vistos pelo padre como território neutro respeitado pelos índios. Pe. Calleri acreditava ser mais fácil o contato com os índios cuja aldeia estivesse mais afastada das frentes de trabalho da estrada, visto que esses, ainda, "não haviam pressentido a chegada dos brancos". A intenção de começar as atividades via rio Alalaú, onde estariam localizadas as aldeias mais distantes, foi desfeita, tendo a expedição de modificar a trajetória e iniciar os contatos pelo rio Santo Antonio do Abonari. A mudança do plano foi justificada pela necessidade de amenizar os conflitos entre os Waimiri Atroari e os trabalhadores. A expedição durou cinco dias em área indígena e conseguiu manter contato com a comunidade de uma maloca, no entanto no final do quinto dia quase todos estavam mortos, sobrando apenas um mateiro.

Com o extermínio da equipe do Pe. Calleri, retorna aos trabalhos Gilberto Pinto Figueiredo e a responsabilidade pela construção da estrada é transferida do DER-AM para o Departamento de Estradas e Rodagens (DNER), que amplia o projeto inicial para uma rodovia federal - a BR 174 (Manaus a Boa Vista). O DNER incumbe ao Exército Brasileiro, até então sem tradição na construção civil, a missão de coordenar e executar as obras. Dessa maneira as obras da estrada são retomadas pelo 20 Grupamento de Engenharia e Construção - 60 Batalhão de Engenharia e Construção (60 BEC).

As relações entre funcionários da Funai e Exército mantiveram-se tensas durante o período de obras. De um lado a Funai estabelecia normas de conduta em terra indígena para todos que estivesse desenvolvendo trabalhos na estrada; de outro lado o exército transgredia essas normas e conduzia as operações de engenharia segundo seus critérios.

A urgência em concluir as obras intensificou as divergências entre essas duas instituições e atropelou as ações indigenistas até então desenvolvidas. Em decorrência desses desentendimentos, em 1974 morre Gilberto Pinto Figueiredo e todos que se encontravam no posto de atração. O 60 BEC intensifica as obras e conclui a rodovia cumprindo as metas dos governos federal e estaduais. Para garantir o tráfego e a segurança dos transeuntes contra ataques dos Waimiri Atroari, no trecho de estrada ao longo da terra indígena, o 60 BEC instalou guaritas de controle de entrada e saída de veículos nos limites norte e sul da área indígena.

Os planos desenvolvimentistas do governo federal para a Amazônia continuaram a atingir as terras Waimiri Atroari. Na década de 1970 o Projeto Radam constata a existência de cassiterita na área indígena. No início da década de 1980 a empresa Paranapanema demonstra interesse em explorar esse minério. Com o auxílio da Funai e do Ministério das Minas e Energia, através do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), consegue articular um processo que veio a culminar na extinção da Reserva Indígena Waimiri Atroari (criada em 13/07/71), transformando-a em Área Interditada Temporariamente para Fins de Atração e Pacificação dos Índios Waimiri Atroari (23/11/81) e excluindo, no novo decreto presidencial, a região da terra indígena onde se encontravam as jazidas. Ainda na década de 80, outro grande projeto atingiu as terras Waimiri Atroari. Tratava-se da construção da usina hidrelétrica de Balbina, pela Eletronorte, cujo lago atingiu 30 mil ha. na área indígena.

Os atuais Waimiri Atroari

Entre as ações do programa Waimiri Atroari, destaca-se a assistência à saúde, que conseguiu reduzir o alto índice de mortalidade causado pelas doenças introduzidas pelo contato com a sociedade envolvente. Foto: Nádia Barboza, 1999.
Entre as ações do programa Waimiri Atroari, destaca-se a assistência à saúde, que conseguiu reduzir o alto índice de mortalidade causado pelas doenças introduzidas pelo contato com a sociedade envolvente. Foto: Nádia Barboza, 1999.

A Terra Indígena Waimiri Atroari está localizada na Amazônia brasileira, entre o norte do estado do Amazonas e sul do estado de Roraima. Habitam a região situada à margem esquerda do baixo rio Negro, nas bacias dos rios Jauaperi e Camanaú e seus afluentes os rios Alalaú, Curiaú, Pardo e Santo Antonio do Abonari. Há muito tempo esse território, kinja itxiri (terra de kinja), era mais extenso, abrangendo os rios Urubu, Uatumã e Anauá.Dados censitários, no final do século XIX e início do XX, estimaram que a população Waimiri Atroari era de 2000 e 6000 pessoas respectivamente. Na década de 1970 a estimativa da Funai era de 500 a 1000 pessoas. No entanto, todos esses dados eram baseados em estimativas e não em um censo aplicado. O fato é que, devido ao seu processo histórico, os Waimiri Atroari sofreram uma baixa por causa das guerras e doenças introduzidas, chegando a população a 374 em 1988. Em dezembro de 2001, essa população era de 913 pessoas, divididas em 19 grupos locais que compõe os três aglomerados.

Em 1987, um projeto de mitigação aos impactos ambientais causados pela Usina Hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina) foi elaborado e proposto aos Waimiri Atroari, a Eletronorte e a Funai. Tratava-se do Programa Waimiri Atroari, que previa ações nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, apoio à produção, vigilância dos limites, documentação e memória. Aceita a proposta pelas partes interessadas, foi firmado um acordo entre as instituições Funai e Eletronorte, sendo a primeira executora e a segunda financiadora do projeto. A partir desse convênio, a área foi demarcada e homologada em 1989.

A educação no Programa Waimiri Atroari é voltada para valorizar a cultura indígena e ao mesmo tempo preparar os Waimiri Atroari para o contato com o mundo dos brancos. Foto: Nádia Barboza, 1999.
A educação no Programa Waimiri Atroari é voltada para valorizar a cultura indígena e ao mesmo tempo preparar os Waimiri Atroari para o contato com o mundo dos brancos. Foto: Nádia Barboza, 1999.

Os Waimiri Atroari têm acesso à educação escolar diferenciada, onde eles mesmos pensam e conduzem o processo de escolarização, ao atendimento médico e odontológico e a taxa de crescimento vegetativo varia em uma média de 5,68% ao ano. Têm procurado administrar as novas demandas decorridas do processo de encontro de culturas e utilizam os vários produtos industrializados em benefício da melhoria das condições de trabalho e na redução entre distâncias a serem percorridas. A melhoria na qualidade de vida pode ser observada no cotidiano dos kinja, que mais tempo têm para se dedicar às atividades sócio-economicas-culturais e no aumento da natalidade, que pode ser expressa pela quantidade de meninos a serem iniciados nos maryba, mais freqüentes e imprescindíveis na agenda cultural dos Waimiri Atroari.

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