De Povos Indígenas no Brasil
Foto: Beto Ricardo, 1999

Kuikuro

Autodenominação
Ipatse ótomo, Ahukugi ótomo, Lahatuá ótomo
Onde estão Quantos são
MT 653 (Siasi/Sesai, 2014)
Família linguística
Karib

Os Kuikuro são, hoje, o povo com a maior população no Alto Xingu. Eles constituem um sub-sistema carib com os outros grupos que falam variantes dialetais da mesma língua ( Kalapalo, Matipu e Nahukuá) e participam do sistema multilíngüe conhecido como Alto Xingu, na porção sul da TI Parque Indígena do Xingu. Na história da formação deste sistema, os povos carib são considerados como tão importantes quanto os aruak ( Waujá e Mehinako), embora se atribua aos aruak a sua matriz inicial. Nesta seção são dadas informações mais detalhadas sobre a língua, a história e outras características dos Kuikuro, produtores dos famosos colares e cintos de caramujo pelos quais continuam desempenhando seu papel específico no sistema tradicional de trocas e pagamentos do sistema alto-xinguano. Para outros aspectos culturais e sociais, como xamanismo, cosmologia e festas ou rituais, a seção Parque Indígena do Xingu apresenta elementos que se encontram também entre os Kuikuro.

Nome

No final do século XIX o etnólogo alemão Karl von den Steinen (1940) registrava entre os vários povos das margens do rio Culuene a existência dos Guikuru ou Puikuru ou Cuicutl. Steinen observava a dificuldade de representar na escrita um som particular, mas muito comum, das línguas carib alto-xinguanas, uma espécie de ‘g’ produzido com batida da úvula. Os Kuikuro hoje escrevem este som com ‘g’, mas os brancos se acostumaram a escrevê-lo com ‘r’.

A palavra ‘Kuikuro’ tem uma história. O nome que Steinen ouvia e tentava registrar era aquele de um grupo local que naquela época habitava a aldeia Kuhikugu, uma contração de kuhi ekugu, “kuhi verdadeiro”, à beira de uma lagoa com muitos peixes kuhi (Potamorraphis, fam. Belonidae). Os de Kuhikugu constituíram a primeira aldeia de um novo grupo local, que se separou dos outros grupos locais carib do Alto Xingu em meados do século XIX; foram eles os fundadores de um povo que os brancos chamam até hoje de Kuikuro. A deformação do nome do antigo Kuhikugu ótomo se cristalizou como sendo o nome coletivo dos seus descendentes e o sobrenome individual de cada um deles: para os brancos, Kuikuro.

A autodenominação é dada sempre pelo nome do local ou aldeia ao que se segue o termo ótomo, “donos ou mestres”. Assim, os atuais Kuikuro são Ipatse ótomo ou Ahukugi ótomo ou Lahatuá ótomo, “os donos de Ipatse, de Ahukugi ou de Lahatuá”, nomes das três aldeias hoje existentes. Muitos velhos, contudo, continuam usando a expressão Lahatuá ótomo, do nome da aldeia forçosamente abandonada após a epidemia de sarampo de 1954, que dizimou metade da sua população.

Localização e população

Os Kuikuro fazem parte do que pode ser chamado de subsistema karíb alto-xinguano. Este é constituído, hoje, por quatro grupos: além dos Kuikuro, os Matipu, os Nahukuá e os Kalapalo. Seu território tradicional é a região oriental da bacia hidrográfica dos formadores do rio Xingu (rios Culuene, Buriti e Curisevo).

Os Kuikuro habitavam, em 2004, três aldeias. A aldeia principal e maior era Ipatse, pouco distante da margem esquerda do médio Culuene, onde viviam mais de 300 pessoas. Em 1997, surgiu a aldeia de Ahukugi, na margem direita do Culuene, rio acima de Ipatse, com cerca de 100 pessoas. Em seguida, formou-se uma terceira aldeia no local da antiga Lahatuá, com um grupo familiar de uma dezena de pessoas.

Uns 30 Kuikuro viviam, em 2004, na aldeia yawalapiti. Fortes e intensas alianças políticas e matrimoniais entre Kuikuro e Yawalapiti ajudaram o ressurgimento dos Yawalapiti como aldeia (e como grupo local) a partir dos anos 50. Em conseqüência de inter-casamentos, outros Kuikuro vivem em outras aldeias do Alto Xingu, sobretudo nas dos outros povos karíb da região.

Língua

Em fim de 1800, Karl Von den Steinen, etnólogo alemão, coletou listas de palavras das línguas alto-xinguanas, entre as quais a língua nahukuá. Steinen encontrou os Nahukuá em sua viagem descendo o rio Xingu e generalizou este nome para todos os povos karib do Alto Xingu, incluindo os então Kuhikugu (Steinen, 1940). Foi ele que classificou corretamente a língua nahukuá como pertencendo à família karib. O Kuikuro é então uma língua karib meridional.

Kuikuro, Kalapalo, Nahukuá e Matipu falam todos variantes dialetais de uma mesma língua (karib alto-xinguano). A identidade lingüística é um dos emblemas mais importantes da identidade social dos grupos locais. Assim, o jogo contrastivo das identidades sócio-políticas dos grupos locais karib se faz com base nas diferentes estruturas rítmicas (prosódicas) que contrastam variantes dialetais. Kalapalo e Nahukuá falam a mesma variante. Os Matipu já estão esquecendo sua variante, falada somente pelos mais velhos; o Matipu parece ser uma sub-variante da variante Kuikuro.

Do ponto de vista da classificação genética no interior da família karib, a língua karib do Alto Xingu é uma espécie de ilha distinta nas suas estruturas sintática e fonológica. Do ponto de vista da tipologia morfossintática, é uma língua ergativa (pelo menos, pela morfologia de caso nominal). Uma primeira comparação da língua karib alto-xinguana com as línguas karib setentrionais (ao norte do Rio Amazonas) e com as outras meridionais ( Bakairi, Ikpeng, Arara, Yaruma e Apiaká do Tocantins, estas duas últimas extintas) permite projetar um cenário pré-histórico em que houve uma primeira separação do proto-karib que deu origem à proto-língua dos atuais karib alto-xinguanos e uma segunda separação, posterior, que deu origem à proto-língua dos outros povos karib meridionais.

Os intercasamentos fazem com que o monolingüismo em Kuikuro (ou na língua karib alto-xinguana) caracterize muitos, mas não todos os habitantes das aldeias de Ipatse, Ahukugi e Lahatuá. Há não poucos indivíduos bilíngües ou trilíngües com conhecimento de outras línguas da região, aruak ou tupi. Na aldeia Yawalapiti, o Kuikuro parece ser a língua dominante. O domínio do português varia dependendo da idade e do sexo. Alguns homens, com histórias de vida particulares (chefes, líderes políticos), e os mais jovens (hoje, abaixo dos trinta anos) sabem o português em graus variados de fluência. São ainda raras as mulheres que usam o português, mas seu número está crescendo.

O kuikuro é uma língua ainda viva e íntegra, usada por todos em todos os domínios, mas não na comunicação com os brancos e outros índios. A escolarização, os contatos cada vez mais intensos com o exterior, as viagens constantes para as cidades, a presença cada vez mais impositiva da televisão e de outras mídias na aldeia, fazem com que o conhecimento e o uso do português esteja crescendo rapidamente. O Kuikuro é, como todas as línguas indígenas, uma língua minoritária de tradição oral sobrevivendo num contexto desfavorável para a manutenção de sua vitalidade.

História

Índios kuikuro recebem roupas por ocasião do contato com a expedição Roncador-Xingu, dos irmãos Villas-Bôas. Foto: acervo Museu do Índio, década de 1950.
Índios kuikuro recebem roupas por ocasião do contato com a expedição Roncador-Xingu, dos irmãos Villas-Bôas. Foto: acervo Museu do Índio, década de 1950.

Segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes (Heckenberger 1996, 2001), a pré-história do Alto Xingu começa por volta de mil anos atrás. Datações de radiocarbono apontam as primeiras ocupações como sendo de povos de língua aruak, entre 950 e 1050 anos d.C. Estabeleceu-se naquele período o padrão cultural da tradição alto-xinguana, reconhecível arqueologicamente por uma indústria cerâmica distintiva, padrão de aldeamento e aldeias circulares com praça central. Esse padrão persiste intacto até hoje. O Alto Xingu é a única área na Amazônia brasileira onde pode ser demonstrada com clareza a continuidade da ocupação indígena dos tempos pré-históricos até o presente. Por volta de 1400 d.C., se não antes, as aldeias pré-históricas alcançaram proporções imponentes (20-50 hectares), entre as maiores em qualquer área das terras baixas da América do Sul em tempos pré-históricos, e foram erguidas com uma variedade de estruturas, incluindo aterros lineares que marcavam as margens de caminhos principais, praças centrais e amplos fossos, sem dúvida associados com estruturas elevadas acima do solo, como paliçadas, pontes e portais de entrada. Calcula-se que essas aldeias abrigavam por volta de mil pessoas e que a oeste do rio Culuene, no Alto Xingu, viviam, provavelmente, mais de 10 mil índios.

A partir do trabalho de Heckenberger e de pesquisas sobre história oral (Franchetto, 1992 e 1990), podemos fazer a hipótese que os carib alto-xinguanos entraram na região na primeira metade do século XVIII, provenientes do leste. A oeste do rio Culuene, eles encontraram povos aruak. Povos tupi chegariam depois. Há evidências arqueológicas de uma ocupação única entre 1400 e 1500 ao leste do rio Culuene, com dois ou três blocos populacionais. Os sítios de Tehukugu, com uma casa circular de 55 m de diâmetro data de 1510, tendo sido ocupado posteriormente por Kamayurá e outros grupos não alto-xinguanos. Ainda ao leste, na lagoa de Tahununu, o sítio Kuguhí data de 1610. Trata-se de uma época em que se podia distinguir um complexo oriental carib, que incluiria os extintos Yarumá (ou Jaruma), e um complexo ocidental aruak, separados pelo rio Culuene. Consideramos, então, que em meados do século XVIII grupos carib falando uma mesma língua passaram a ocupar os territórios a oeste do Culuene, deslocando para oeste e norte os aruak que lá estavam.

Os Kuikuro contam que sua origem se deu após a separação de um grupo liderado por alguns dos chefes do antigo complexo das aldeias de oti (“campo”), situada no alto curso do rio Burití, provavelmente em meados do século XIX. Os que ficaram em óti deram origem aos que hoje são chamados de Matipu (Wagihütü ótomo). A língua mudou um pouco, dando origem a duas variantes ou dialetos (Matipu e Kuikuro). O novo grupo (Kuikuro) ocupou várias localidades, com sucessivas aldeias às margens das lagoas entre os rios Buriti, Culuene e Curisevo. A primeira se chamou Kuhikugu. As aldeias antigas eram numerosas e grandes.

Com relação a documentos escritos, o primeiro etnógrafo que visitou o Alto Xingu, o alemão Karl Von den Steinen, em duas viagens - 1884 e 1887 (Steinen, 1886/1942; 1894/1940)-, menciona os carib alto-xinguanos, entre os quais os Kuikuro no rio Culuene. Steinen é lembrado nas narrativas Kuikuro como Kalusi, o primeiro branco (kagaiha) que “veio em paz”, trazendo presentes e bens para trocar. Através dele, sabemos que no Alto Xingu viviam, no final do século XIX, mais de 3.000 índios em 31 aldeias, sete das quais carib. A memória oral kuikuro vai além da visita de Steinen e lembra os primeiros encontros com os brancos no Alto Xingu, na segunda metade do século XVIII, a época dos bandeirantes, que, em suas expedições no interior do Brasil, capturavam e matavam os índios (ver o depoimento kuikuro O Aparecimento dos Caraíba).

Após Steinen, outras expedições científicas e até militares entraram na região e registraram a presença de seus habitantes: Hermann Meyer (1897a; 1897b, referente a viagem de 1896), Max Schmidt (1905; 1942, referente a viagem de 1900-01), Ramiro Noronha (1952, referente a viagem de 1920); Vicente de Vasconcelos (1945, referente a viagem de 1924-25); Vincent Petrullo (1932, referente a viagem de 1931). A partir dos anos 40, se abre um novo capítulo da história dos povos xinguanos, confundindo-se com a história da criação do Parque Nacional.

A partir de 1915, intensificou-se a exploração das cabeceiras do rio Xingu, inclusive com a participação de militares da Comissão Rondon. Os grupos carib continuavam nas mesmas localidades registradas por Steinen e Meyer. Todos os relatos deram conta de um processo incrivelmente rápido de depopulação. Agostinho (1972) nos fornece uma estimativa trágica do resultado do choque bacteriológico e virótico. Entre o final do século XIX e até meados da década de 50, a população da região teria sido reduzida de 3 mil a 1.840 pessoas em 1926 e para pouco mais de 700 índios no final dos anos 1940.

Em 1943 foi criada a Expedição Roncador-Xingu (ERX), vanguarda da Fundação Brasil Central, para a ocupação das regiões centrais do Brasil. Os irmãos Villas-Boas chegaram à região dos formadores do rio Xingu. Eles, também, observaram que os povos encontrados descendo o rio Culuene até a confluência dos formadores do rio Xingu eram os mesmos povos lá encontrados no final do século XIX por Steinen.

Nos anos 1940 também começam as expedições científicas do Museu Nacional, que registraram um quadro de grandes mudanças. No primeiro século depois da celebrada viagem de Cabral para a costa brasileira, as grandes comunidades xinguanas sofreram perdas populacionais catastróficas, muito provavelmente como resultado das primeiras epidemias causadas pelas doenças infecto-contagiosas provenientes do Velho Mundo. Um declínio demográfico drástico depois de 1500 até 1884, quando começou a história escrita do Alto Xingu, é claramente sugerido pela redução significativa do tamanho e número das aldeias em toda a região da fase pré-histórica tardia até o século XX. Entre 1884 e 1960, quando começaram os programas de vacinação sistemática no Alto Xingu, a população da região diminuiu de quase 80%. A contaminação com vírus de gripe e sarampo causou uma violenta depopulação, que atingiu seu ápice na epidemia de sarampo de 1954. Com isso, os grupos carib dos rios Culiseu/ Culuene foram obrigados a se deslocarem mais próximos do Posto Leonardo, ao norte dos territórios tradicionais, já que os índios Kalapalo, Kuikuro, Matipu e Nahukwá, dizimados desde a gripe trazida pela ERX, passaram a depender da assistência médica dispensada nos Postos da FBC. Posteriormente, uma vez iniciada a recuperação demográfica a partir dos anos 60, graças às campanhas de vacinação, os diversos grupos locais começaram a se organizar para reocupar seus territórios tradicionais, de fato nunca abandonados e continuamente visitados e utilizados por conterem sítios históricos, cemitérios, recursos naturais essenciais. A partir dos anos 80 ocorre tendência oposta, ou seja divisão dos grupos locais e surgimento de novas aldeias, um processo de clara recuperação demográfica e de reconstituição da situação original tal como documentada para o final do século XIX.

O traçado do Parque estabelecido em 1961, com uma área dez vezes menor do que aquela do ante-projeto de 1952, excluía os territórios de vários grupos indígenas, entre os quais os aruak (Waurá e Mehináku) e os carib (Kuikuro, Kalapalo, Matipu e Nahukwá). O Decreto de 1968 modificou os limites meridionais, reconhecendo parcialmente o erro do decreto anterior. Permaneceram, porém, seccionados os territórios dos grupos aruak e carib, finalmente incorporados – não em sua integridade – ao Parque pelo Decreto de 1971, que traçava a fronteira na altura da latitude 131 Sul, acima da confluência dos rios Tanguro e Sete de Setembro. Sítios antigos e pequizais carib ficaram fora da fronteira sul do PIX.

Aldeia

Foto: acervo do Museu do Índio, s/d.
Foto: acervo do Museu do Índio, s/d.

As aldeias Kuikuro são como todas as aldeias alto-xinguanas. A organização das aldeias, a planta circular com praça central e os padrões de aldeamento regional são outros elementos da cultura xinguana que mostram continuidade da época mais antiga até o presente.

As aldeias circulares com praça central são estruturadas de acordo com princípios e uma orientação precisos que permitem um entendimento da organização política e social da sociedade xinguana. As praças xinguanas e as estradas radiais (como os grandes caminhos das aldeias pré-históricas) que se departem da praça são orientadas nas direções cardinais (Norte/Sul, Leste/Oeste), assim como em relação a traços importantes da paisagem local, incluindo outras comunidades e locais como portos e pontes. Essa orientação não somente revela a integração de várias aldeias através do território, mas também demonstra um entendimento sofisticado do desenho arquitetônico, da astronomia e da geometria.

As casas Kuikuro, como todas no Alto Xingu, são grandes malocas de base ovalada; sua estrutura e sua construção revelam um conhecimento arquitetônico extremamente complexo.

Atividades produtivas

Os fragmentos de cerâmica, espalhados na superfície das aldeias xinguanas antigas e recentes, fornecem claras evidências da continuidade cultural ao longo de quase mil anos não somente da tecnologia, mas também da orientação econômica básica de todos os povos alto-xinguanos: agricultura de mandioca e pesca. Outros produtos de plantio são batata doce, milho, algodão, pimenta, tabaco, urucum. Hoje se plantam bananas, melancias, mamões, limões.

O Alto Xingu é um exemplo de como tecnologias ameríndias podem sustentar populações numerosas e sedentárias. Apesar de que o uso do território parece ter sido mais intenso nos tempos pré-históricos, os padrões xinguanos fornecem um modelo importante de como uma agricultura intensiva, no interior de um padrão rotativo de uso da terra, complexo e de longa duração, pode ser possível em um meio-ambiente amazônico. É um modelo que representa uma alternativa aos padrões destrutivos de exploração da terra comumente aplicados com o uso das tecnologias ocidentais na Amazônia.

As plantas cultivadas, sobretudo a mandioca, constituem de 85 a 90% da alimentação. Os Kuikuro conhecem 46 variedades de mandioca, todas venenosas, mas apenas seis variedades fornecem 95% de suas colheitas. O pequi (Caryocar brasiliense), plantado próximo das roças, é uma fonte sazonal importante de alimento e dele se extrai o óleo de pequi utilizado para embelezar e proteger a pele. Urucum, jenipapo, argila branca, carvão vegetal e resinas servem para a preparar pigmentos utilizados na pintura tanto do corpo como de artefatos.

As roças são abertas a distâncias variadas das aldeias, às margens da floresta e cultivadas durante três ou quatro anos. Para remover o ácido prússico da mandioca venenosa, os Kuikuro, como todos os alto-xinguanos, desenvolveram uma tecnologia sofisticada de lavagem da massa obtida após ralar os tubérculos. Com a farinha ou polvilho de mandioca são feitos beiju e diferentes tipos de bebidas.

A coleta de mel e, sazonalmente, de frutos silvestres, dos ovos de tracajá e da saúva complementa a dieta tradicional.

A caça não é importante; os alto-xinguanos não comem nenhum “bicho de terra ou de pêlo”, com exceção do macaco (uma espécie de Cebus). Jacus e mutuns, alguns tipos de pomba, tracajás e macacos substituem o peixe quando o consumo deste é interditado. O consumo de peixe representa 15% da alimentação e os Kuikuro conhecem cerca de cem espécies de peixes comestíveis. O Alto Xingu é um mundo de águas, entre rios, igarapés e lagoas. Aos métodos tradicionais de pesca, com arco e flecha, com lanças ou com diversos tipos de armadilhas e barragens, ou com o timbó, se acrescentam, hoje, o anzol e a linha, o arpão e a rede.

A produção tradicional de artefatos, como bancos, esteiras, cestos e adornos plumários, servia e continua servindo para usos cotidianos e cerimoniais, para pagamento de serviços como a pajelança ou para selar uma aliança de casamento, bem como para as trocas ritualizadas intra e inter-aldeias, chamadas de ulukí. Os Kuikuro, como os outros grupos carib, participam do sistema econômico e ritual alto-xinguano como especialistas na fabricação de colares e cintos de caramujo de terra, bens de alto valor. Estes adornos são muitas vezes usados como pagamento das panelas de cerâmica feitas pelos povos aruak da mesma região.

Hoje, a fabricação de um variado e abundante artesanato – reproduzindo e inovando objetos e padrões tradicionais – é uma fonte de dinheiro fundamental para a compra de bens que se tornaram indispensáveis, como combustível, material de pesca, munições, miçangas, gêneros alimentícios que entraram na dieta (arroz, sal, açúcar, óleo, etc.), apenas para mencionar os mais importantes. Tempo considerável é atualmente gasto na produção de objetos “étnicos” vendidos no atacado e no varejo do mercado de “arte indígena” das cidades ou a compradores que chegam até as aldeias.

Organização social e política

Foto: acervo do Museu do Índio, s/d.
Foto: acervo do Museu do Índio, s/d.

Da continuidade da organização espacial da aldeia centrada na praça se infere a continuidade da organização política e ritual. Na praça se realizam as atividades cerimoniais, sobretudo aquela relacionadas aos principais ritos de passagem que caracterizam a trajetória dos chefes. O complexo sistema de “donos” e “chefes” regula a dinâmica política e a vida ritual, ou seja a própria existência e reprodução do grupo local (aldeia).

Há mais de um chefe e mais de uma categoria de chefia na aldeia como ‘dono (oto) da praça’, ‘dono da aldeia’, ‘dono do caminho’. Mulheres podem ser chefes. Tornar-se chefe é o resultado de cálculos de descendência bilateral, ou seja, tem um componente hereditário, mas é, sobretudo, o resultado de uma trajetória política individual, do esforço de um indivíduo para acumular e manter prestígio através da generosidade na distribuição de suas riquezas, da habilidade enquanto líder e representante da aldeia, assim como pelo conhecimento ritual, dos discursos cerimoniais e da oratória. Os chefes e suas famílias se constituem em uma espécie de estrato social ‘nobre’ distinto dos ‘comuns’.

Cada casa tem seu ‘dono’ (oto), o homem que a construiu e que reuniu em volta dele seu próprio grupo familiar. As roças têm ‘dono’, o homem ou mulher que se responsabilizou e dirigiu os trabalhos de limpeza do mato, preparação do terreno e plantio. Os pequizais têm ‘dono’, quem os plantou. Cada festa tem seu ‘dono’, quem patrocina sua realização dependendo do desejo dos habitantes da aldeia, de ocasiões específicas. Ser ‘dono’ de uma festa significa ter a capacidade de mobilizar trabalho familiar e coletivo para a produção de grandes quantidades de alimento e para o pagamento de variados tipos de serviço.

Parentesco

A unidade básica é a família nuclear, que pode ser ampliada (família estendida) acrescentando outros parentes, como viúvos e filhos casados. A regra é que o filho recém-casado passe a morar com os sogros, participando de todas as atividades diárias e produtivas da família destes últimos (uxorilocalidade). Após alguns ou muitos anos, o casal pode construir uma moradia própria.

A descendência é bilateral. Tipos de herança, inclusive do status de chefia, são estabelecidos igualmente por linha paterna e materna. A transmissão dos nomes próprios é feita de avós para netos, também bilateralmente; assim, um indivíduo porta todos os nomes pelos quais a sua mãe o chama e todos os nomes pelos quais o seu pai o chama. Os nomes dados alguns meses após o nascimento mudam em momentos específicos do ciclo de vida: na iniciação masculina e feminina, ao nascimento de filhos e netos. Nomes novos podem comprados ou, mais raramente, doados.

O sistema dos termos de parentesco apresenta uma feição dravidiana com oscilação na classificação dos primos cruzados. Em outras palavras, os primos paralelos – filhos da irmã da mãe e filhos do irmão do pai – são chamados e tratados como irmãos. A distinção entre primos paralelos e primos cruzados – estes sendo os filhos do irmão da mãe ou da irmã do pai – é fundamental, já que o casamento preferencial é com primos cruzados. Dela deriva a terminologia de casamento dos primos cruzados bilaterais. Os primos cruzados, todavia, são definidos enquanto tais ou como paralelos dependendo da distância social ou genealógica, com conseqüência para a classificação dos descendentes.

Cosmologia, xamanismo e cura

As narrativas tradicionais, que os brancos chamam de ‘mitos’ e que os Kuikuro chamam de akinhá ekugu (narrativas ‘verdadeiras’), contam como o universo existe tal como ele é e explicam a origem de cantos, festas (rituais), bens culturais, plantas cultivadas, categorias de seres. Tudo o que existe e merece explicação está associado a uma ou mais narrativas. Giti, Sol, é o herói cultural por excelência, criador, junto com seu irmão gêmeo Aulukuma, Lua. Os demiurgos, contudo, incluem uma galeria de antepassados de Sol e Lua e são eles os descendentes do casamento entre Atsiji, Morcego, e Uhaku, uma árvore. O tempo da criação era (e é) o tempo em que humanos e não humanos se comunicavam, em que todos falavam, em que os humanos viviam no meio dos itseke. Estes são seres sobrenaturais que povoam a floresta e o fundo das águas; são perigosos, sedutores, causam doença e morte, tem poderes de transformar-se em humanos ou animais. Muitos animais e até artefatos têm uma existência real, atual, adequada e uma existência monstruosa, excessiva, como itseke. Podem ser, por outro lado, ‘espíritos’ auxiliares dos xamãs (hüati) em seu papel de curadores, em suas visões e viagens que os outros não podem ver nem experimentar. Somente os xamãs têm o poder de relacionar-se (perigosamente) com os itseke; a doença e o sonho são estados que podem, todavia, colocar em contato humanos em geral e itseke.

Máscaras representam vários tipos de itseke em rituais executados para o restabelecimento da ordem, do equilíbrio e da saúde. Tornar-se xamã é uma escolha individual e um chamado sobrenatural por ocasião de episódios de doença ou através do sonho. O xamã adquire seus poderes ao longo de uma demorada e difícil iniciação, aprendendo com um outro xamã mais velho, submetendo-se às restrições alimentares e sexuais, entre outras, que caracterizam os estados de reclusão. Ele pode então tornar-se um curador, com uma visão excepcional, pode diagnosticar as causas de doenças, mortes, roubos, desastres ‘naturais’, para identificar os kugihe oto, ‘donos de feitiço’. O preço de seus serviços é alto, pago com bens valiosos. Há uma distinção entre xamã – e mulheres podem ser xamãs – e kehegé oto, ‘dono de rezas’. Este último aprende e sabe utilizar ‘rezas’ para curar diversos tipos de doenças, ou facilitar o parto.

As ‘rezas’ são fórmulas transmitidas de geração em geração, parte em língua aruak e parte em língua carib, pronunciadas susurrando no ouvido do paciente. Os ‘batismos’ são semelhantes às ‘rezas’ e servem para ‘batizar’os primeiros frutos de certos alimentos vegetais, como o pequi e o milho. A cura pode ser realizada também por meio de remédios, graças ao considerável conhecimento de plantas que crescem nos diferentes ecossistemas do Alto Xingu. Remédios (embuta) não são apenas para a cura; os alto-xinguanos produzem e utilizam eméticos, assépticos e substâncias entendidas como fortificantes para os que se encontram em períodos de reclusão.

Há um mundo celeste (kahü, cujo ‘dono’ é o urubu bicéfalo) onde mortos e itseke habitam aldeias. A akunga (‘sombra’, ‘alma’) do morto se desprende do corpo, perambula durante um certo tempo entre os vivos para depois empreender uma longa viagem de encontros e batalhas, com aves e monstros, que, às vezes, conseguem destruir definitivamente a akunga. Os mortos têm destinos diferentes dependendo do tipo de sua morte.

Os Kuikuro possuem um sofisticado conhecimento de estrelas e constelações, projetando no céu personagens e acontecimentos míticos. A observação do nascer helíaco de certas estrelas regula atividades produtivas e rituais, estruturando as estações da seca (de maio a outubro) e da chuva (de novembro a abril).

Fontes de informação

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