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Professores de escolas indígenas terão curso de graduação

14/12/2009

Autor: Thiago Mendes

Fonte: O Povo - http://www.noolhar.com/opovo/ceara/936915.html




Projeto coordenado pela UFC oferece ensino superior para professores de escolas indígenas. As aulas serão ministradas por professores da Universidade e por lideranças indígenas

Thiago Mendes
Especial para O POVO
thiagomendes@opovo.com.br
14 Dez 2009 - 00h20min

A ideia de formar professores indígenas, iniciada em 2006 pelos tremembés da praia de Almofala, ganha força com a expansão do curso para outras seis etnias. Em janeiro de 2010, começam as atividades do curso de Magistério Indígena Superior Intercultural dos povos pitaguary, tapeba, kanindé, jenipapo-kanindé e anacé. Trata-se de um curso de graduação de quatro anos para professores que já atuam em aldeias indígenas do Ceará. Após a formação, os participantes estarão aptos a dar aulas no Ensino Infantil, Fundamental e Médio em escolas indígenas.

O professor Babi Fonteles, coordenador geral do curso, explica que a formação leva em conta as características de cada etnia e busca o diálogo dos saberes acadêmicos e tradicionais. ``As relações culturais e o ritmo de cada aldeia são muito importantes. Na aldeia Tremembé, por exemplo, crianças, mães, toda a comunidade assiste às aulas``, destaca.

Segundo Fonteles, outro objetivo da formação é mobilizar as comunidades indígenas. ``Não queremos apenas formar professores. A ideia é fortalecer a identidade das novas gerações e suas lutas, dentre elas, a questão da terra``, esclarece o professor. Ele lembra que, no Ceará, apenas a etnia pitaguary, de Maracanaú, tem terras demarcadas.

As aulas serão ministradas em duas turmas, totalizando 80 professores em formação. As atividades são divididas em duas fases: ``Tempo Comunidade`` e ``Tempo Escola``. Durante o ``Tempo Comunidade``, ocorre a prática de ensino já realizada pelos professores nas aldeias. Já o ``Tempo Escola`` compreende aulas ministradas por professores convidados e lideranças indígenas durante uma semana por mês, sempre em uma aldeia diferente. ``A formação na prática é a tônica do curso. Algumas disciplinas, inclusive, só podem ser ministradas pelos próprios índios``, ressalta.

Para João Venança, cacique da etnia tremembé e professor do curso, informações sobre a natureza, por exemplo, são de conhecimento apenas dos índios. ``A gente tem muitos saberes guardados. Além disso, é a liderança quem conhece a história e a luta de seu povo``, defende.


E-Mais

>No Ceará existem 12 etnias indígenas reconhecidas, com uma população aproximada de 20 mil indivíduos. Em todas elas, há 28 escolas indígenas, com 280 professores que atendem em média 3.000 alunos. Somente em 2009, os professores começaram a receber formação em nível superior específica para atender às necessidades das escolas indígenas.

> O curso de graduação na modalidade Licenciatura Intercultural Específica é coordenado pela UFC e lideranças indígenas. O projeto recebe recursos do Programa de Formação e Apoio a Licenciaturas Indígenas (Prolind), do Governo Federal.
 

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