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Foirn cria plataforma de informação para indígenas

03/12/2017

Fonte: A Crítica, Cidades, p. C8



Documentos anexos


Foirn cria plataforma de informação para indígenas

Estrelina Yanomami chegou à sede de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus) com o sonho de aprender e conhecer novas pessoas. Vinda da aldeia de Maturacá, na região do Pico da Neblina, Estrelina é uma das integrantes da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro e representante da associação de mulheres de sua comunidade, a Kumirãyõma.
Além de Estrelina, outros 13 participantes viajaram dias de barco ou de canoa para participar da primeira oficina de formação da Rede de Comunicadores Indígenas. Realizada entre os meses de outubro e novembro, na sede do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel, a oficina teve como objetivo treinar, motivar e articular os novos comunicadores para a produção de um boletim informativo de áudio mensal, o Wayuri.
O boletim também pode ser escutado através dos canais de comunicação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) nas redes sociais, pelo sistema de radiofonia (com 180 estações nas Terras Indígenas do Rio Negro), pelas rádios FM e AM de São Gabriel da Cachoeira e pelo WhatsApp. "Nosso objetivo é expandir a comunicação e levar mais notícias que interessam aos povos indígenas através de um boletim feito pelos próprios parentes", diz Ray Baniwa, coordenador de comunicação da Foirn.
A iniciativa pioneira integra uma estratégia da Foirn para fortalecer a comunicação na região que abrange sete terras indígenas no noroeste amazônico, entre elas a Terra Indígena (TI) Alto Rio Negro, a terceira maior do Brasil em extensão territorial, com 8 milhões de hectares e 17 mil habitantes. Aproveitando a internet das escolas, os índios driblam a falta de infraestrutura de comunicação para dar maior alcance as suas vozes.
DIVERSIDADE E INOVAÇÃO
A diversidade cultural dos integrantes da Rede também chama atenção. Os povos Baniwa, Tukano, Tariano, Dessano, Wanano, Yanomami, Baré e Tuyuka estão representados pelos comunicadores, muitos deles falando na própria língua e traduzindo para o português. "A gente sabe da dificuldade que as pessoas têm de receber informação nessa área tão grande e com pouco acesso a serviços de comunicação. Por isso, acreditamos que o boletim pode ser o meio mais ágil e barato de levar notícias que interessam aos povos indígenas", enfatiza Cláudia Ferraz, do povo Wanano, também locutora e apresentadora do Wayuri.


Boletim Wayuri, um trabalho coletivo
O nome do informativo é uma homenagem ao boletim impresso "Wayuri" realizado pela Foirn desde a década de 90. O impresso, com tiragem de 2 mil exemplares, é distribuído trimestralmente nas comunidades indígenas e também para parceiros da Federação. Wayuri é uma palavra em Nheengatu (Língua Geral), uma das três línguas indígenas co-oficiais em São Gabriel da Cachoeira, que significa "trabalho coletivo".
Agora, com a criação da Rede, o Wayuri ganha sua versão em áudio e conta com a participação de comunicadores correspondentes em Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, no alto Rio Negro, e na fronteira com a Venezuela e Colômbia.

Terras Indígenas
A inovação começa pela situação geográfica da Rede, que se expande por três municípios amazonenses do Baixo ao Alto Rio Negro: Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. A escolha dos locais dos comunicadores foi feita pela Foirn, seguindo o critério de principais núcleos populacionais nas terras indígenas.

Blog
Lucas Tariano
Integrante da Rede

A primeira oficina promoveu o encontro pessoal dos participantes da Rede, que montaram o planejamento de suas atividades, realizaram práticas de reportagem e definiram os papeis de cada integrante. Editores e locutores ficam baseados na sede da Foirn, enquanto os correspondentes distribuídos pela Bacia do Rio Negro enviam seus áudios com informações vindas dos mais importantes afluentes, como os rios Uaupés e Içana. Mensalmente, os editores receberão esse material e farão a edição do boletim, em conjunto com os locutores do programa. Estamos felizes com a ampliação da nossa comunicação e pela possibilidade de estarmos mais próximo da juventude indígena, com uma linguagem moderna e rápida.

A Crítica, 03/12/2017, Cidades, p. C8
 

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