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Lideranças indígenas vão ao governo pedir a saída do presidente da FEI

20/07/2017

Fonte: D24am d24am.com



Lideranças indígenas das etnias Kokama, Baniwa, Macuxi, Kambeba, Munduruku, Mura, Tikuna e Sateré Mawé pressionaram, na tarde desta quinta-feira (20), o Governo do Estado para que o atual presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), Raimundo Nonato Sobrinho, seja substituído por uma nova liderança indicada por eles. Os índios estiveram na sede do Governo, na zona oeste de Manaus, e afirmaram que Raimundo não é índio, não possui Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (RANI) e busca beneficiar-se com a fundação, não contemplando as necessidades das comunidades indígenas.

Com a ida à sede do Governo do Estado, os líderes indígenas tiveram a intenção de indicar um novo nome para a presidência da FEI e afirmaram ter obtido, junto a assessores do governo estadual, parecer positivo para afastamento da atual liderança da fundação. Na semana passada, os índios afirmaram ter realizado um protesto, formado por eles e outros líderes indígenas, também para pressionar a substituição da presidência da FEI.

As lideranças que estiveram no local fazem parte da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) e questionam a identificação do atual presidente da FEI, Raimundo Nonato Sobrinho, como índio do povo Waimiri Atroari.

Em uma carta, endereçada ao governador interino do Estado, David Almeida, a qual a reportagem teve acesso, as lideranças indígenas afirmam que Raimundo usou o nome da etnia para tirar proveitos pessoais, lesando povos indígenas, caracterizando um crime de falsidade ideológica, conforme trecho da carta.

Em outro documento, endereçado ao MPF, os indígenas solicitam que o atual presidente da FEI seja processado por falsidade ideológica e que Raimundo pague danos morais ao movimento indígena pelo crime. Outra solicitação dos líderes, ligados a Copime, é que Raimundo seja substituído na presidência da FEI, órgão que está sob coordenação dele há oito anos, conforme os líderes.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do MPF para confirmar o recebimento do documento, apresentado pelos índios, mas foi informada que não seria possível verificar o recebimento, junto ao protocolo do órgão, que já havia encerrado o expediente no início da noite desta quinta-feira.

Segundo o representante do povo Kambeba, do Alto Solimões, Josué Kambeba, 32, a atual presidência da FEI não tem compromisso com os povos indígenas do Amazonas. "O Raimundo se diz índio, mas nunca provou ser índio e queremos alguém que nos represente. Estamos esquecidos e quem está lá dentro (da FEI) só beneficia eles mesmos", disse Josué, acrescentando que o atual presidente da fundação não possui RANI, documento de identificação indígena junto à Fundação Nacional do Índio (Funai).

"Os povos indígenas não estão satisfeitos com o atual presidente da FEI. Então, a gente pede que o Governo (do Estado) venha a se posicionar", disse o cacique da etnia Munduruku, Levi Munduruku, 49.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do governo estadual (Secom) para questionar a realização do encontro dos índios com assessores e foi informada que a assessoria de imprensa da FEI responderia os questionamentos. Questionada sobre a situação, a assessoria de imprensa da FEI informou que o governo estadual tem ouvido os índios que pedem a troca da gestão da FEI e os líderes que pedem a continuação do atual presidente.

A FEI informou, também, que não há previsão de mudança da presidência. Sobre a identidade indígena de Raimundo, "o mesmo se reconhece e é reconhecido como indígena, apesar de não possuir RANI", informou a FEI.




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