From Indigenous Peoples in Brazil
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Projeto fortalece proteção em 15 terras indígenas
24/03/2025
Fonte: Valor Econômico - https://valor.globo.com/
Projeto fortalece proteção em 15 terras indígenas
Iniciativa quer dar mais segurança territorial e ambiental a áreas que somam 6 milhões de hectares na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal
Daniela Chiaretti
24/03/2025
Um novo projeto de conservação com recursos do Fundo Global para a Biodiversidade irá fortalecer a proteção territorial e ambiental de 15 terras indígenas em cinco biomas brasileiros. A iniciativa, denominada Ywi Ipuranguete - que quer dizer terra bonita em tupi-guarani -, busca proteger mais de 6 milhões de hectares na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal. Nestes territórios vivem 61 mil indígenas.
O investimento, de US$ 9 milhões, será revertido em projetos de monitoramento e proteção territorial, fortalecimento da governança indígena e geração de renda sustentável, além de valorização cultural, soberania alimentar e restauração ambiental.
São cinco projetos na Bahia (contemplando os povos Pankararu e Pataxó, na Mata Atlântica), um no Ceará (povo Tremembé, na Caatinga), cinco no Mato Grosso do Sul, (para os Guarani-Kaiowá, Terena e Kadiwéu, no Cerrado e no Pantanal), dois no Pará (Munduruku e Kayapó, na Amazônia) e dois em Pernambuco (Pankararu, na Caatinga). Só o Pampa, entre os seis biomas brasileiros, ficou de fora.
"É um número pequeno de projetos a serem implementados, apenas 15, mas sendo bem feitos já é um bom começo", diz ao Valor Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas. "Um dos diferenciais desta iniciativa é que estamos trabalhando sem distinção de áreas, contemplando áreas demarcadas ou não demarcadas", continua a ministra.
Os recursos vêm do Global Biodiversity Framework Fund (GBFF), fundo internacional criado para apoiar as metas do Acordo Global sobre Biodiversidade que surgiu na COP 15, de Biodiversidade, em 2022, em Montreal. O GBFF faz parte do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), instrumento financeiro que existe há mais de 30 anos e é operado pelo Banco Mundial.
"Os povos indígenas são os verdadeiros guardiões da floresta, e esse projeto reforça o papel essencial que desempenham na conservação ambiental e no combate à emergência climática", diz a ministra, em nota distribuída à imprensa.
O Ywy Ipuranguete prioriza os Instrumentos de Gestão Territorial e Ambiental Indígenas (Igatis) como os Planos de Gestão Territorial e Ambientais (PGTAs). Esses planos são construídos de forma coletiva pelos povos indígenas e orientam a gestão das terras, respeitando suas especificidades culturais, ambientais e econômicas. A ideia, diz a ministra, foi implantar planos que já estavam prontos.
São projetos que preveem o uso de drones e rádios para reforçar a segurança e melhorar a vigilância dos territórios contra invasões e crimes ambientais ou para apoiar cadeias produtivas indígenas como as de biojóias, frutas nativas e castanhas, por exemplo. Outras iniciativas pretendem fortalecer os conhecimentos tradicionais ou apoiar a implementação de práticas agrícolas sustentáveis.
O Ywy Ipuranguete será executado pela ONG Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A coordenação é do Ministério dos Povos Indígenas e a gestão, do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (o Funbio), mecanismo financeiro nacional privado, sem fins lucrativos, e que trabalha com o setor governamental, o empresarial e a sociedade civil para que recursos financeiros sejam destinados à conservação da biodiversidade. As comunidades indígenas serão protagonistas na implementação dos seus projetos.
Para Joenia Wapichana, presidente da Funai, o projeto representa um avanço para a autonomia indígena: "Esse investimento fortalece a autonomia dos povos indígenas e garante que suas terras permaneçam protegidas contra o desmatamento e outras ameaças", diz ela na nota.
"A implementação de projetos como esses ajudam na soberania alimentar dos povos indígenas, na manutenção de seus modos de vida e cultura", diz Sônia Guajajara. "Protegem o território, ajudam na conservação da biodiversidade e combatem as mudanças climáticas", continua. O Ywy Ipuranguete é o primeiro projeto envolvendo povos indígenas do GBFF.
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/03/24/projeto-fortalece-protecao-em-15-terras-indigenas.ghtml
Iniciativa quer dar mais segurança territorial e ambiental a áreas que somam 6 milhões de hectares na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal
Daniela Chiaretti
24/03/2025
Um novo projeto de conservação com recursos do Fundo Global para a Biodiversidade irá fortalecer a proteção territorial e ambiental de 15 terras indígenas em cinco biomas brasileiros. A iniciativa, denominada Ywi Ipuranguete - que quer dizer terra bonita em tupi-guarani -, busca proteger mais de 6 milhões de hectares na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal. Nestes territórios vivem 61 mil indígenas.
O investimento, de US$ 9 milhões, será revertido em projetos de monitoramento e proteção territorial, fortalecimento da governança indígena e geração de renda sustentável, além de valorização cultural, soberania alimentar e restauração ambiental.
São cinco projetos na Bahia (contemplando os povos Pankararu e Pataxó, na Mata Atlântica), um no Ceará (povo Tremembé, na Caatinga), cinco no Mato Grosso do Sul, (para os Guarani-Kaiowá, Terena e Kadiwéu, no Cerrado e no Pantanal), dois no Pará (Munduruku e Kayapó, na Amazônia) e dois em Pernambuco (Pankararu, na Caatinga). Só o Pampa, entre os seis biomas brasileiros, ficou de fora.
"É um número pequeno de projetos a serem implementados, apenas 15, mas sendo bem feitos já é um bom começo", diz ao Valor Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas. "Um dos diferenciais desta iniciativa é que estamos trabalhando sem distinção de áreas, contemplando áreas demarcadas ou não demarcadas", continua a ministra.
Os recursos vêm do Global Biodiversity Framework Fund (GBFF), fundo internacional criado para apoiar as metas do Acordo Global sobre Biodiversidade que surgiu na COP 15, de Biodiversidade, em 2022, em Montreal. O GBFF faz parte do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), instrumento financeiro que existe há mais de 30 anos e é operado pelo Banco Mundial.
"Os povos indígenas são os verdadeiros guardiões da floresta, e esse projeto reforça o papel essencial que desempenham na conservação ambiental e no combate à emergência climática", diz a ministra, em nota distribuída à imprensa.
O Ywy Ipuranguete prioriza os Instrumentos de Gestão Territorial e Ambiental Indígenas (Igatis) como os Planos de Gestão Territorial e Ambientais (PGTAs). Esses planos são construídos de forma coletiva pelos povos indígenas e orientam a gestão das terras, respeitando suas especificidades culturais, ambientais e econômicas. A ideia, diz a ministra, foi implantar planos que já estavam prontos.
São projetos que preveem o uso de drones e rádios para reforçar a segurança e melhorar a vigilância dos territórios contra invasões e crimes ambientais ou para apoiar cadeias produtivas indígenas como as de biojóias, frutas nativas e castanhas, por exemplo. Outras iniciativas pretendem fortalecer os conhecimentos tradicionais ou apoiar a implementação de práticas agrícolas sustentáveis.
O Ywy Ipuranguete será executado pela ONG Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A coordenação é do Ministério dos Povos Indígenas e a gestão, do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (o Funbio), mecanismo financeiro nacional privado, sem fins lucrativos, e que trabalha com o setor governamental, o empresarial e a sociedade civil para que recursos financeiros sejam destinados à conservação da biodiversidade. As comunidades indígenas serão protagonistas na implementação dos seus projetos.
Para Joenia Wapichana, presidente da Funai, o projeto representa um avanço para a autonomia indígena: "Esse investimento fortalece a autonomia dos povos indígenas e garante que suas terras permaneçam protegidas contra o desmatamento e outras ameaças", diz ela na nota.
"A implementação de projetos como esses ajudam na soberania alimentar dos povos indígenas, na manutenção de seus modos de vida e cultura", diz Sônia Guajajara. "Protegem o território, ajudam na conservação da biodiversidade e combatem as mudanças climáticas", continua. O Ywy Ipuranguete é o primeiro projeto envolvendo povos indígenas do GBFF.
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/03/24/projeto-fortalece-protecao-em-15-terras-indigenas.ghtml
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