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Degradação na Amazônia agrava o aquecimento global

25/03/2021

Autor: COVEY, Kristofer; SOPER, Fiona; MARENGO, José; LOVEJOV, Thomas

Fonte: FSP - https://www1.folha.uol.com.br/opiniao



Degradação na Amazônia agrava o aquecimento global
Floresta está à beira de um colapso, catastrófico e irreversível

VÁRIOS AUTORES (nomes ao final do texto)

Junto com vários colegas do Brasil e do exterior, publicamos recentemente um estudo que sintetiza pesquisas científicas que investigam o clima e a biogeoquímica da bacia amazônica. Olhando além do carbono, tentamos contabilizar o máximo possível das diversas interações da floresta amazônica com o clima e descobrimos que o principal impacto climático da bacia provavelmente aquecerá a atmosfera.
Embora grande parte da conversa que se seguiu ao lançamento de nosso artigo reconhecesse a necessidade de abordar rapidamente a perda florestal, muitas das manchetes e menções nas mídias sociais não fizeram isso. A ideia de que a bacia é provavelmente uma fonte de gases de efeito estufa e que preservar e restaurar a Amazônia deve ser uma das principais prioridades de conservação para o clima pode ser verdade.
Isso parece surpreendente, mas não é a primeira vez que os cientistas sugerem que esses tipos de efeitos contraintuitivos são possíveis. Sabemos desde pelo menos 2016 que os ecossistemas terrestres do planeta emitem, como um todo, mais gases de efeito estufa para a atmosfera do que absorvem. Isso com certeza parece assustador, mas a realidade é que o total não importa tanto quanto a forma como a atividade humana está mudando esse total. Infelizmente, essas mudanças impulsionadas pelas atividades humanas são provavelmente ainda mais assustadoras do que muitos imaginam. A Amazônia não está piorando as mudanças climáticas: é a perda da Amazônia que está piorando as mudanças climáticas.
O desmatamento, legal e ilegal, está destruindo a Amazônia, aquecendo o clima global e ameaçando o futuro da região e do planeta.
A Amazônia ainda é o maior "banco" ou sumidouro de carbono verde da Terra, mas também é mais do que isso. Como o maior repositório de biodiversidade do planeta, o valor da Amazônia para a humanidade transcende o carbono. A região é o berço de centenas de grupos culturais indígenas ameaçados, foi e continua a ser a fonte de muitos de nossos produtos farmacêuticos, sustenta uma rede de rios complexa e bela sem igual na Terra e é o lar de espécies que ainda nem mesmo foram nomeadas no livro do conhecimento humano.
Também está à beira de um colapso, catastrófico e irreversível. Estamos nos aproximando rapidamente de um ponto crítico ("tipping point") de desmatamento que pode alterar permanentemente a trajetória da Amazônia. Se não tomarmos medidas imediatas e dramáticas, corremos o risco de perder todo o seu ecossistema para sempre.
Atividades humanas, principalmente o desmatamento e as queimadas associadas -mas também a mineração, a agricultura, a extração de madeira, a construção de barragens e uma série de outras-, estão reduzindo simultaneamente a capacidade de a paisagem absorver CO2 e, muitas vezes, aumentando as emissões de outros gases de efeito estufa.
O avanço do desmatamento, a degradação da terra, o aumento da variabilidade climática e as mudanças climáticas estão se unindo para causar danos massivos e potencialmente irreparáveis à maior área de floresta tropical do mundo.
Devemos agir para deter a destruição da Amazônia. O primeiro passo é aprender e apoiar ativamente as organizações de meio ambiente, saúde, conservação e restauração de ecossistemas que trabalham junto com comunidades indígenas e tradicionais para implementar soluções inovadoras que abordem as causas sociais do problema do desmatamento em sua origem. Devemos também nos juntar aos líderes climáticos dos EUA para pedir a administração Joe Biden que apoie agressivamente os esforços que protegem e restauram a maior floresta tropical do mundo.
No nosso artigo, olhamos além do carbono para tentar entender as complexas interações da floresta amazônica com o sistema climático regional e global em uma época de mudanças humanas sem precedentes. Como a própria biogeoquímica da Amazônia, as questões sociais, econômicas e geopolíticas que permitem e aceleram o desmatamento, a degradação da terra e as mudanças climáticas são complexas e matizadas. As soluções, também.

Kristofer Covey
Biogeoquímico florestal na Skidmore College (EUA) e autor colaborador no estudo do Balanco Global de Metano
Fiona Soper
Fisiologista de plantas e biogeoquímica na Universidade McGill (Canadá)
Jose Marengo
Climatologista e pesquisador sênior do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)
Thomas Lovejoy
Presidente do Amazon Biodiversity Center (EUA), membro sênior da Fundação das Nações Unidas e professor universitário da George Mason University


https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/03/degradacao-na-amazonia-agrava-o-aquecimento-global.shtml
 

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