Introdução

Simultaneamente ao processo de auto-organização política dos povos indígenas no Brasil, diversas outras ações foram por eles desencadeadas, assumindo cada vez mais novos espaços, além daqueles tradicionais: atuando na política partidária, desempenhando o papel de professores, agentes de saúde, escritores, documentaristas, pesquisadores, entre outros, sempre divulgando suas lutas e, principalmente, suas ricas culturas e modos de vida diferenciados.

A incorporação da educação escolar pelos povos indígenas - e o  conseqüente domínio da escrita - tem permitido a formação de sucessivas gerações de professores indígenas que, por sua vez, têm produzido uma série de materiais didáticos nos quais a autoria indígena é cada vez mais marcante. Produzidos tanto nas línguas nativas como em português, esses materiais são utilizados nas escolas indígenas visando uma formação escolar mais adequada de crianças e jovens.

O fenômeno da inclusão digital, que tem tomado conta de todas as regiões do país com a disponibilização de tecnologia da informação, alcança parte das comunidades indígenas que, através do acesso à rede virtual, têm produzido uma diversidade de sites de sua própria autoria.

Há de se destacar ainda duas das ações de protagonismo indígena mais interessantes nos últimos anos: são os “vídeo-makers” e os “técnicos e produtores musicais” indígenas. Formados dentro de um projeto assessorado pela organização não-governamental “Vídeo nas Aldeias”, diversos jovens indígenas têm aprendido a dominar as técnicas de áudio e vídeo e, com isso, produzido documentários de autoria nos quais, definitivamente, o “olhar indígena” sobre o mundo ganha um estatuto indiscutível. Mais recentemente, em parceria com a organização não-governamental “Som das Aldeias”, diversos jovens indígenas estão  aprendendo a manusear ilhas de edição em áudio com o objetivo de aprender a produzir seus próprios CDs musicais.

As ações de autoria indígena não se esgotam nos exemplos acima. Hoje temos diversos índios estudando em universidades e se formando como advogados, antropólogos, professores, historiadores, jornalistas, etc. Envolvidos na defesa dos direitos dos povos indígenas, estão cada vez mais ocupando espaços nessas áreas.

Os temas aqui apresentados podem ser conhecidos em maior detalhe nos próprios sites indígenas, como também nos sites das organizações indigenistas parceiras.