Foto: Carlos Augusto Freire, 1994

Tupiniquim

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    ES2.901 (Siasi/Sesai, 2014)
  • Família linguística

Irrupção das grandes empresas

A partir dos anos 40, quando a Companhia Ferro e Aço de Vitória (COFAVI) começou a devastar as matas para produzir carvão vegetal, os índios chegaram a trabalhar para a empresa, fazendo derrubada. Plantavam mandioca, feijão, milho e cana, processando a mandioca com ralador e prensa de tipiti no quitungo, casa de farinha artesanal e familiar. Como nas matas da região houvesse caça à vontade, com mundéus - armadilhas de caça - os Tupiniquim capturavam mamíferos e inúmeras aves.

Naquela época os Tupiniquim não se preocupavam em documentar as suas posses. Desde que a COFAVI começou a devastar as matas da região nos anos 40, os índios passaram a conviver com alguns posseiros, sem conflitos. Para desmatar, os representantes da COFAVI diziam que a terra era do Estado, e logo transformaram matas em pastos na região da aldeia de Pau-Brasil.

As áreas tradicionais de cultivo das aldeias Tupiniquim foram cercadas e reduzidas, quando foram plantados os eucaliptos pela Aracruz Florestal, no fim dos anos 60. Seu modo de vida - o padrão de convivência que resultava da ocupação territorial - sofreu as pressões originadas da enorme redução das áreas de plantio e da fixação em determinados limites, impedindo a tradicional rotatividade das roças.

Os poucos autores que escreveram sobre os Tupiniquim assinalam que os anos sessenta foram decisivos na alteração do panorama fundiário, marcando a entrada da empresa Aracruz Florestal na região, seguida da progressiva expulsão dos índios. Nessa ocasião, o sofrimento dos índios foi acompanhado por algumas manifestações de protesto. Ao estudar os diferentes ecossistemas do Espírito Santo em 1954, o biólogo Augusto Ruschi se defrontou em Caieiras Velhas, na margem esquerda do rio Piraquê-Açu, com "80 índios Tupi-Guarani", vivendo numa área de 30.000 hectares de florestas virgens. Já em 1971 o mesmo Ruschi lamentava a forma como era arrasada a flora e a fauna, com o desmatamento atingindo os índios, pois mais de 700 famílias, entre índios e posseiros, foram desalojados da região reflorestada pela Aracruz Florestal. Foram destruídas antigas aldeias Tupiniquim como Araribá, Amarelo, Areal, Batinga, Braço Morto, Cantagalo, Guaxindiba, Lancha, Macaco, Olho d'Água e Piranema. Os índios até hoje relatam as cenas de violência e desrespeito que sofreram nas áreas visadas pela Aracruz Florestal.

Em 1975, a Funai reconheceu a presença dos Tupiniquim no Espírito Santo. O processo administrativo de identificação das terras indígenas foi conflituoso, gerando inúmeras denúncias de índios, associações e organismos diversos, a respeito dos prejuízos causados por um acordo estabelecido entre a Funai e a Aracruz Celulose, em 1980, quando os limites das três Terras Indígenas foram definidos, culminando na homologação de cada uma dessas áreas em 1983.