Foto: Carlos Augusto Freire, 1994

Tupiniquim

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    ES2.901 (Siasi/Sesai, 2014)
  • Família linguística

Na Colônia, no Império e na República Velha

tupiniquim_3

No século XVI, os Tupiniquim ocupavam uma faixa de terra situada entre Camamu, na Bahia, e o rio São Mateus (ou Cricaré), alcançando a Província do Espírito Santo. Esses índios também viviam na região do rio Piraquê-Açu, onde em 1556 foi fundada pelo jesuíta Afonso Brás a Aldeia Nova. Um surto de varíola, e a criação do Aldeamento dos Reis Magos, em 1580, explicam a decadência da Aldeia Nova, acelerada pelos ataques de formigas que destruíram as plantações dos índios. Os jesuítas e os grupos indígenas passaram a se concentrar em Reis Magos, que logo se tornou um aldeamento populoso onde, conforme Serafim Leite, na sua História da Companhia de Jesus no Brasil, os índios eram quase todos Tupinanquins. O aldeamento dos Reis Magos dará origem à Vila de Nova Almeida, e a Aldeia Nova, à Vila de Santa Cruz.

Foi em 1610 que o superior jesuíta da aldeia dos Reis Magos, Pe. João Martins, conseguiu para os índios uma sesmaria de seis léguas em quadra, conforme o mesmo Serafim Leite, cuja medição só ocorreu em 1760, quando, através do Termo de Concerto e Composição, os índios de Nova Almeida e os moradores da Freguesia da Serra estabeleceram os limites dos domínios em que mantinham posse, transformados, por Sentença, em medição e demarcação amigável. Abaixo da Sentença do Ministro que estabeleceu o acordo territorial, estava mencionado que não existia foreiro algum dentro das terras medidas e demarcadas. Essa Sentença diminuía os limites da Sesmaria, sendo confirmada por Alvará ainda em 1760. Até a época da Sentença, os jesuítas haviam aldeado mais de 3.000 índios em Nova Almeida. No final do século XVIII, o governador da Capitania do Espírito Santo descreveu essa Vila como composta majoritariamente por índios.

Quando viajou pelo Espírito Santo no início do século XIX, o naturalista Auguste de Saint-Hilaire soube que os índios de Nova Almeida possuíam um território inalienável, doado pelo governo português, e que se estendia até Comboios, ao norte.

Nesse século, os viajantes encontravam habitações isoladas ou pequenos povoados de índios civilizados na região entre o rio Doce e a Vila de Nova Almeida. Em 1860, o próprio Imperador D. Pedro II, visitando a região, manteve contato com uma índia Tupiniquim em Nova Almeida, e com outros índios de Santa Cruz e da foz do rio Sahy, não identificados no seu diário de viagem. Os Tupiniquim afirmam que, quando esteve em Santa Cruz, o Imperador teria ratificado a doação das terras da sesmaria.

O pintor Auguste François Biard retratou o modo de vida dos índios civilizados nas matas de Santa Cruz em meados do século XIX, descreveu os fazendeiros que exploravam madeira para exportação utilizando o trabalho dos índios e anotou a presença de famílias indígenas dispersas pela floresta, comercializando madeira e mantendo roçados de subsistência. Em 1877, o Núcleo de Colonização de Santa Cruz contava com 55 índios naturais da Província, dividindo o povoamento com imigrantes italianos.

Após sua criação, em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) transformou a região norte do Espírito Santo num de seus pólos de atuação. Aí o Inspetor do SPI Antonio Estigarríbia conheceu vários agrupamentos de índios civilizados de origem Tupi localizados no baixo rio Doce e no litoral próximo. Estigarríbia manteria contato com esses índios até 1919, enquanto seu sucessor, o Inspetor Samuel Lobo, encontraria nessa região, em 1924, alguns índios Tupiniquim.