Foto: Isaac Amorim Filho

Matis

  • Outros nomes
    Mushabo, Deshan Mikitbo
  • Onde estão Quantos são

    AM457 (Siasi/Sesai, 2014)
  • Família linguística
    Pano

Nomes

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O termo matis foi o nome que os não-índios - em particular, os funcionários da Funai - deram a um grupo que se autodenominava matses. Deve-se ressaltar, no entanto, que matses é também a autodenominação de um outro povo, culturalmente e lingüisticamente muito próximo aos Matis: os Matses (também conhecidos como Mayoruna).

Os Matis aceitaram em certa medida o nome matis, que é uma variação de matses, porém existem outras denominações bastante empregadas em nível local.

A palavra matis, além de ser um etnônimo, ou seja, o nome atribuído a uma etnia, significa, em um sentido mais estrito, “ser humano” ou “pessoa”. O termo também pode ser utilizado para designar o conjunto de parentes de um indivíduo.

Como esse termo pode ter diferentes sentidos dependendo do contexto em que é empregado, faz-se necessário estabelecer distinções entre os matis - os “humanos”. Estas podem se dar a partir do uso de palavras, como kimo e utsi, que criam nuances novas. Os Matis diferenciam os matis kimo dos matis utsi. Os primeiros são os humanos dos quais se é mais próximo, com quem se tem um forte vínculo social, são a “gente verdadeira”. Enquanto que matis utsi pode ser traduzido por “outra gente”.

Os Matis dispõem de duas outras autodenominações: mushabo e deshan mikitbo. A primeira faz alusão ao compartilhamento, entre todos os membros de uma comunidade, de um mesmo de tatuagem. Mushabo significa literalmente “os tatuados” (musha = tatuagem, -bo = plural). Mesmo se, na área pano, a semelhança entre as tatuagens faciais não seja necessariamente um marcador de identidade étnica, este parece ser o papel que elas têm ocupado nos últimos tempos. Independente de suas origens, os Matis dizem que são todos mushabo, termo que pode ser às vezes trocado por wanibo, “gente da pupunha”.

Já a denominação deshan mikitbo significa simplesmente “gente à montante” (i. e. que está rio acima). Geralmente, é para se diferenciar dos Korubo, cujo território situa-se a jusante, que os Matis utilizam essa expressão. “Estar à montante”, como marco de identificação, se define em função do curso do rio Ituí (ou do rio Coari) e sob a ótica de um contraste com os principais adversários tradicionais dos Matis