Foto: Paulo França, s/d

Huni Kuin (Kaxinawá)

  • Autodenominação
    huni kuin
  • Onde estão Quantos são

    AC10.818 (Siasi/Sesai, 2014)
    Peru2.419 (INEI, 2007)
  • Família linguística
    Pano

Nota sobre as fontes

Os Kaxinawa são os Pano mais conhecidos e sobre eles existe copioso material etnológico e histórico. Os primeiros escritos sobre os Kaxinawa apareceram no início do século da pena do padre francês Constantin Tastevin (1919, 1920, 1925a, 1925b, 1925c, 1926; Rivet & Tastevin, 1921), que descreve os costumes dos Kaxinawa que encontra durante suas viagens pela bacia do Juruá-Purus. Ainda durante as primeiras duas décadas deste século, aparece uma coleção extremamente valiosa de narrativas e mitos Kaxinawa, uma transcrição e tradução interlinear, produzida por Capistrano de Abreu (1913, 1941, 1969).

Kenneth Kensinger foi o primeiro antropólogo a viver com os Kaxinawa, no Peru. Kensinger produziu uma vasta coleção de trabalhos e artigos sobre virtualmente todos os tópicos que dizem respeito à vida e sociedade Kaxinawa. A geração de antropólogos que sucedeu a Kensinger deu continuidade às questões tratadas em seus trabalhos.

Igualmente no Peru, os Kaxinawa foram estudados por Keifenheim e Deshayes (1982, 1990, 1992, 1994). Ambos autores privilegiaram os temas de identidade e alteridade e sistemas classificatórios. Marcel D’Ans (1973, 1978, 1983) estudou o sistema de nominação e classificação das cores e elaborou um compêndio sobre mitologia.

No Brasil os Kaxinawa foram estudados por Aquino (1977), Iglesias (1993) e Lindenberg (1996), no rio Jordão, que centraram suas pesquisas nos temas de relações interétnicas e educação.

Os Kaxinawa do Alto Rio Purus, o mesmo grupo com quem obtive os dados para a realização de minha pesquisa etnográfica, foram estudados por McCallum. O estudo de McCallum focaliza a organização social e as relações de gênero. No contexto das relações de gênero a autora analisa o ritual Katxanawa.

Os estudos de Kensinger, Deshayes e Keifenheim e McCallum enquadram etnograficamente e etnologicamente este trabalho. Portanto, esta tese é o resultado do que aprendi de seus escritos somado às minhas próprias observações de campo, que procurei direcionar para áreas de interesse que até então não tinham sido suficientemente exploradas.

Em minha tese de mestrado – Uma etnografia da cultura Kaxinawá: entre a Cobra e o Inca, de 1991 – procurei dialogar com a literatura sobre os Kaxinawa e outros grupos Pano amarrando ponto a ponto as minhas contribuições às dos autores referidos acima. Já em minha tese de doutorado – Caminhos, duplos e corpos. Uma abordagem perspectivista da identidade e alteridade entre os Kaxinawa, de 1998 – procurei construir uma etnografia estruturada pelos próprios conceitos e reflexões Kaxinawa. Embora use a literatura sobre os Kaxinawa, em particular, e sobre os Pano, em geral, como referência, este trabalho foi concebido enquanto uma etnografia baseada e construída sobre o material proveniente de minha própria pesquisa.