Foto: Eduardo Viveiros de Castro, 1991

Araweté

  • Autodenominação
    Bïde
  • Onde estão Quantos são

    PA467 (Siasi/Sesai, 2014)
  • Família linguística
    Tupi-Guarani

Língua

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A língua araweté pertence à grande família Tupi-Guarani. É possível que os Araweté, como vários outros grupos tupi da região, sejam os descendentes da tribo dos Pacajás, objeto de intensa atividade missionária por parte dos jesuítas durante o século XVII. As crônicas missionárias registram que parte desse numeroso povo resistiu à catequese, retornando à floresta. Mas a língua araweté, se comparada às línguas faladas por seus vizinhos tupi-guarani mais próximos (os Asuriní do Koatinemo, os Parakanã, os Asuriní do Trocará, os Suruí, os Tapirapé), todas elas bastante semelhantes entre si, mostra-se bastante diferenciada. Isto sugere que a separação dos Araweté foi mais antiga, ou mesmo que eles podem ter vindo de outra região do Brasil.

Ainda há uma parte significativa da população araweté que não fala Português. E, dentre os falantes, a maioria não possui fluência.

O araweté não é uma língua simples de se aprender: sua prosódia é fortemente nasal, o ritmo é rápido, e há sons de difícil reprodução pelos falantes nativos do português. A sintaxe e a morfologia são bastante diferentes das línguas indo-européias: há várias séries de pronomes pessoais, há aspectos verbais sem correspondente diretos no português… Por outro lado, é fácil reconhecer na língua araweté numerosas palavras que o tupi-guarani deixou no português falado no Brasil, seja no vocabulário comum, seja em falares regionais, seja nos topônimos (nomes de lugares).

A língua araweté ainda não foi estudada por especialistas; a grafia empregada nestas páginas não respeita integralmente o alfabeto fonético internacional, mas procura ser consistente. Os valores sonoros aproximados das letras são: as vogais "a" e "i" soam como no português brasileiro (o "e" sempre aberto); o "i" soa como um "u" pronunciado sem arredondamento dos lábios; o "ï" soa como no inglês "bit", mas produzido com a ponta da língua voltada para baixo; o "o" soa como no inglês "but"; o til indica uma vogal nasal (todas as vogais podem ser nasalizadas; nestas páginas, por dificuldades em codificar a fonte, o "i" nasal será grafado como "î").

 

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As consoantes "p", "b", "m", "n" soam aproximadamente como em português; o "ñ" como o "nh" em português; o "k" como o "c" de "casa"; o "t" como em "tudo", mesmo diante de "i"; o " d" soa como "tch" (como o "t" de "tio", no falar carioca); o "c" como "ts"; o "r" como em "caro", mesmo em começo de palavra; o "d" como o "th" do inglês "that"; o "d" como em "body", na pronúncia americana; o "y", o "w" e o "h" soam como no inglês "yes", "work", "home". O sinal ' entre duas vogais indica uma oclusão glotal suave, isto é, uma pequena pausa entre os dois sons separados por ele. A vogal tônica da maioria das palavras é a última; apenas quando este não é o caso, indica-se o acento por um traço sob a vogal: assim, por exemplo, bïde se pronuncia "bïdé", e Maï se pronuncia "Máï".