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Demarcação de terras gera tensão em Olivença

28/05/2009

Autor: Almir Neto, da Sucursal Itabuna

Fonte: A Tarde on line - http://www.atarde.com.br/




O anúncio da apresentação de um projeto da Fundação Nacional do Índio (Funai) de demarcação de uma reserva de 47.376 mil hectares de área para a etnia tupinambá em Olivença, no município de Ilhéus, região sul do Estado, deu início a uma situação de tensão entre índios e proprietários de terras, moradores e empresários do balneário, que temem perder tudo que construíram ao longo de anos de trabalho e investimentos, apesar de não haver nada de oficial ainda, pois o processo está só começando.
A cacique tupinambá, Valdelice Amaral, uma das principais lideranças do movimento indígena na região, diz que a luta pela terra dos ancestrais vem de muitos anos e não é só uma questão de reconhecimento dos índios, mas também de sobrevivência de um modo de vida que é próprio deles e que, sem um espaço definido e exclusivo, corre o risco de ser extinto.
A reserva, segundo ela, representa uma autoafirmação do povo tupinambá e a retirada de alguns irmãos da semiescravidão, pois trabalham em fazendas e sítios da área em questão, de domingo a domingo, sem descanso ou férias. Ela argumenta que não há prejuízo para Olivença, uma vez que boa parte das casas que estão dentro da área delimitada, não serve para moradia, mas para aluguel por temporada.
Proprietários de imóveis e de empreendimentos turísticos na região já começaram a sentir os primeiros impactos da proposta. A ocupação dos hotéis e pousadas, que no período junino chegava próximo dos 80%, este ano está fraco, pois, com a perspectiva de conflito, muitos visitantes assíduos estão preferindo mudar o seu destino e festejar o São João sem mais uma preocupação com a segurança, sua e de seus familiares e bens.

Comissão - Uma comissão de moradores, empresários e proprietários rurais já foi formada e está mantendo contatos com diferentes instâncias, procurando uma forma de reverter o projeto, que afetaria não apenas a Vila de Olivença, mas Ilhéus e região. Esta ganharia um novo foco de disputa por terras, que nunca existiu antes. A alegação é rebatida pela cacique com a afirmação de que os índios nunca procuraram e nem têm a intenção de realizar enfrentamento, não existindo clima de conflito ou tensão por parte deles.

Apesar disto, a queda no número de visitantes ao balneário já pode ser sentida e preocupa a comunidade que vive em grande parte do que consegue ganhar nas festas populares sazonais. O vereador Alcides Kruschewisky, que reside no balneário, afirma que com a proposta da reserva o município de Ilhéus perderia 1/4 de seu território atual e a única área de fronteira agrícola disponível, uma vez que em direção ao norte existem duas Áreas de Preservação Ambiental (APAs), que não podem ser exploradas agricolamente, além das faixas litorâneas de preservação de restinga, que acompanham o prolongamento da BA-001.
 

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