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Alertas de desmatamento e degradação na Amazônia somam 28,9 mil km² em 2020

08/01/2021

Fonte: Globo Rural - https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Sustentabilidade/noticia



Alertas de desmatamento e degradação na Amazônia somam 28,9 mil km² em 2020
Sistema Deter registrou 58.596 avisos no decorrer do ano passado, sendo São Félix do Xingu (PA) o município com maior área desmatada

MARIANA GRILLI
08 JAN 2021

O Deter atualizou nesta sexta-feira (8/1) dados mostrando que alertas de desmatamento e degradação ocorreram em 28.963,22 km² da Amazônia em 2020.
O levantamento do sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre evidências de alteração da cobertura florestal indica que 8.417,77 km² se referem ao desmatamento, mas 20.545,45 km² dizem respeito à degradação desta cobertura. Esta é a segunda pior marca anual do sistema de monitoramento, iniciado em 2015.
Apenas em dezembro do ano passado foram registrados alertas e m 216 km², 14% maior do que a verificada no mesmo mês de 2019.
De acordo com o órgão, enquanto o desmatamento representa a remoção total da cobertura florestal, independentemente da destinação à área desmatada, a degradação é caracterizada pela perda florestal e consequente exposição do solo, o que pode acontecer gradualmente.
Segundo Marcio Astrini, diretor-executivo do Observatório do Clima, a degradação é "uma espécie de 'poupança' do desmatamento", pois a área pode ser degradada aos poucos, podendo demorar anos até virar desmate em si.
"A degradação significa que aquela área de floresta foi alterada, que existe alguma atividade ali que está causando impacto negativo, mas que ainda não se configurou como o que se chama de 'corte raso', ou quando o desmatamento está concretizado. Estas áreas normalmente estão sofrendo interferência madeireira, cuja atividade degrada, mas não desmata por corte raso", explica Astrini.
Neste sentido, o Deter ainda indica que 15.318,29 km² registram cicatrizes de incêndios florestais e 8.093,98 km² têm solo exposto derivado do desmatamento.
Ao olhar os dados separados por Estados, os maiores avisos de desmatamento foram emitidos em Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas. No entanto, é o município paraense de São Félix do Xingu que concentra mais alertas, em 1.989,62 km², seguido de Barão de Melgaço (MT) e Altamira (PA).
Diante dos dados, Astrini classifica o acumulado de 2020 como "mais um número ruim para compor o quadro de recordes negativos do atual governo na área ambiental". "Tudo isso é fruto das políticas anti-ambientais adotadas pelo próprio governo. Isto é, de onde deveria vir a solução, é na verdade onde nasce o problema", lamenta.
Para 2021, o diretor-executivo do Observatório do Clima não tem perspectivas positivas. Ele ressalta, ainda, a importância do resultado da eleição à presidência da Câmara dos Deputados para o andamento de pautas ambientais.
Entre elas, Astrini cita o retorno da medida provisória da grilagem de terras, a votação do projeto de lei de terras indígenas para mineração e agropecuária e mudanças no Código Florestal.

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Sustentabilidade/noticia/2021/01/alertas-de-desmatamento-e-degradacao-na-amazonia-somam-289-mil-km-em-2020.html
 

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