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Bolsonaro pede apoio da bancada ruralista a projeto de exploração de terras indígenas

13/02/2020

Fonte: O Globo, País, p. 10



Bolsonaro pede apoio da bancada ruralista a projeto de exploração de terras indígenas

Presidente se reuniu com a bancada em café da manhã no Palácio do Planalto

BRASÍLIA - Em café da manhã com um grupo de parlamentares da bancada ruralista nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro pediu apoio ao projeto que regulamenta a mineração e a geração de energia elétrica em terras indígenas, enviado na semana passado ao Congresso.


- (O objetivo do projeto) é que o índio possa ter o mesmo direito do fazendeiro. Plantar, arrendar, garimpar, usar sua terra para fazer uma PHC (Pequena Central Hidrelétrica) ou uma hidrelétrica. Fazer fazenda de paineis fotovoltaicos. Ou seja, (que) eles se integrem relamente à sociedade. Acredito que agindo dessa maneira nós ajudaremos em muito a diminuir, em especial, o conflito no campo - disse Bolsonaro na reunião.

O pleito foi confirmado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), na saída do evento no Palácio do Planalto.

- Pediu (apoio) sim. Aliás, é bom que se esclareça isso: quando se fala em regularização, estamos querendo legalizar o que em grande parte já existe. Já estão garimpando e tomando nossas riquezas com muitos outros interesses, sem pagar um centavo de imposto e causando grandes problemas na Amazônia - defendeu Moreira.

- Então, cada vez que o presidente fala em legalizar esse processo, não é autorizar de maneira indiscriminada que se tome as terras indígenas, que invada, que se faça isso ou aquilo, coisa nenhuma. O que nós queremos é legalizar, conhecer, proteger e preservar - complementou.

Questionado sobre a tramitação no projeto no Congresso, onde a matéria já conta com a contrariedade pública do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Moreira disse que a velocidade não é a questão principal, e que é melhor "colhê-lo" quando estiver maduro. Sobre a resistência de Maia, ele disse achar que Bolsonaro tem dialogado com o Parlamento, mas que não acredita que as pessoas mudem de opinião "do dia para a noite". Moreira frisou ainda que a Câmara e o Senado não são Casas de consenso e que o dissenso é o voto.

- Um dia a gente vai para o voto. A gente não tem que cumprir caprichos e vontades de quem quer que seja. Lugar ruim para fazer reinado é o Parlamento, lá não tem como. Então a gente precisa, na verdade, é despertar o que nós queremos pela grande maioria das lideranças, fazer a celeridade possível e ir a voto, para nós votarmos e decidirmos. O Parlamento não decide pela vontade de um ou de dois, decide pela vontade da maioria - declarou.

O presidente da FPA disse ainda que o grupo não é e não quer ser um partido político e não vai ocupar o lugar dos líderes, mas conta com mais de 250 parlamentares e, portanto, pode ser chamado pelo governo previamente para discutir o apoio a "este ou aquele tema". Ele complementou dizendo que a frente só tem "dever de unidade" nos assuntos da agropecuária.

Moreira defendeu ainda que é preciso vencer questões de "imagem e comunicação", citando a continuidade de declarações de todas as partes do mundo com relação à Amazônia.

- E não podemos fazer isso com raiva, com voluntarismo. Precisamos centrar isso no vice-presidente da República (Hamilton Mourão, que assumiu o comando do Conselho da Amazônia), ter linguagem única com relação ao processo, mas demonstrar claramente políticas públicas que façam regularização fundiária, preservação, que não permitam desmatamento e mineração ilegal, a devastação. Precisamos demonstrar isso para o mundo, e faremos com inteligência.

O café da manhã começou pouco depois das 8h. Bolsonaro estava acompanhado dos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência). Até o momento, a lista de convidados presentes não foi divulgada pelo Planalto.

O Globo, 13/02/2020, País, p. 10

https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-pede-apoio-da-bancada-ruralista-projeto-de-exploracao-de-terras-indigenas-1-24244292
 

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