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Líder indígena de MS é tema em espetáculo teatral

24/02/2010

Fonte: MS Notícias - http://www.msnoticias.com.br/?p=ler&id=34092




O Teatro Imaginário Maracangalha dá partida ao processo de criação do espetáculo de rua, "Tekoha -Ritual de vida e morte do Deus Pequeno", que narra a trajetória do líder indígena guarani Marçal de Souza e sua resistência histórica na luta pela terra e direitos dos povos indígenas. O grupo foi contemplado pelo edital do Fundo Municipal de Fomento ao Teatro da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande - FOMTEATRO/FUNDAC.
Fernando Cruz, diretor da montagem, há mais de 10 anos vem amadurecendo a proposta deste projeto. A força das palavras de Marçal de Souza, caladas há 26 anos, ainda pulsa fortemente entre os guarani, e relembrar esta história exigia do grupo um entendimento mais amplo, um olhar antropológico, histórico e político. "A partir da história de Marçal, pretendemos abrir uma reflexão sobre todas as lutas travadas pelas populações excluídas; lutas que traduzem a resistência de um povo e a garantia de melhores condições de vida. Isso nos remete aos povos quilombolas, aos movimentos populares e sociais, entre tantos outros. Marçal de Souza se correlaciona com todas essas causas." Afirma Cruz.
A palavra que leva o nome do espetáculo, TEKOHA, tem um significado muito peculiar para o povo Guarani. "Teko" significa modo de estar, sistema, lei, hábito, costume. Tekoha, assim, refere-se à terra tradicional, ao espaço do pertencimento da cultura guarani. É no Tekoha que os guarani vivem o seu modo de ser. O Teatro Imaginário Maracangalha, quer fazer da rua a representação deste espaço tão sagrado aos Guarani.

A equipe de criação do espetáculo é composta por 12 pessoas, e todas têm participado desde dezembro de 2009, de um intenso processo de pesquisa conduzido pela historiadora Patrícia Rodrigues. São dois encontros por semana, onde a troca de informação através de recursos audiovisuais, materiais para leitura e referências teóricas tornam-se os elementos essenciais para a construção de uma leitura crítica e de um entendimento mais amplo sobre a luta guarani em Mato Grosso do Sul. "É imprescindível o estudo e leitura para a construção do espetáculo, o processo de pesquisa é fundamental para os atores e toda equipe. Temos que ter a percepção da correlação de força envolvida, e que representam o poder como um todo, compreensão para poder levar à rua a história deste homem, revelar o que aconteceu, e o que continua acontecendo." Afirma Cruz.

A história de vida do líder Marçal de Souza, será representada por cinco atores em cena, tendo como linha condutora a morte e o conflito no julgamento, além de uma leitura contemporânea do papel das instituições como, imprensa, igreja, poder público e latifúndio, envolvidas no contexto de sua morte. Marçal, travou o principal embate político em Mato Grosso do Sul em relação aos direitos dos povos indígenas, principalmente aos guarani - nhandéva, sua etnia. Incansavelmente, denunciou a invasão de terras pelos fazendeiros, explorações e ilegalidades acerca do desrespeito com as populações tradicionais, e logo foi alvo de perseguição dos latifundiários da região, recebendo intimidações e ameaças até ser assassinado em 1983. Os acusados por sua morte foram julgados, mas absolvidos.
Para levar isso ao público, o grupo irá utilizar elementos de rua a partir de pesquisa cênica fundamentada em Augusto Boal e Bertolt Brecht, onde as representações que identifiquem os elementos em cena, no caso, o opressor e oprimido, sejam destacadas pela relação antagônica entre ambos.
A realização desta peça cumpre um importante papel social à sociedade sul-mato-grossense, pois, ao aliar história e arte, através de formas alternativas de difusão, é possível resgatar a memória deste grande homem e estimular uma reflexão sobre a questão indígena da região. O espetáculo será apresentado em comunidades indígenas da capital, como Aldeia Urbana Marçal de Souza, Aldeia Água Bonita, e na Praça Ary Coelho. .
A estreia está prevista para primeira semana de Abril. Todo esse processo de elaboração, montagem e pesquisa estarão publicadas no blog do grupo, e podem ser acessadas pelo endereço www.tekohamarcaldesouza.blogspot.com

FICHA TÉCNICA
Direção: Fernando Cruz
Elenco: Emmanuel Mayer, Lika Rodrigues, Aniela Paes, Camilah Brito, Mauro Guimarães
Pesquisa: Patrícia Rodrigues
Alegoria: Lício Castro
Cenografia: Zé Eduardo Calegari Paulino
Figurino: Ramona Rodrigues
Produção: Ana Capilé, Pietro Falcão e Renderson Valentim
Sistematização de conteúdo e Assessoria de Imprensa: Rafaela Muniz

SOBRE O TEATRO IMAGINÁRIO MARACANGALHA
O grupo de teatro de rua, iniciado em 2005, faz da rua, praça seu palco principal. Conduzido pelo ator e diretor Fernando Cruz, o Teatro Imaginário Maracangalha, utiliza-se de formas alternativas de difusão da arte cênica, ampliando o acesso a maior parte da comunidade, que por motivos diversos, não freqüentam as salas de teatro convencional.

O teatro nasce na rua no momento em que se manifesta e provoca a população a refletir espelhando sua realidade, desde Téspis na Grécia antiga, na comédia del arte e em todos os momentos importantes na história da humanidade.
Os elementos do teatro de rua, desde ritual, alegoria e cortejo levam em conta o teatro como produto avançado e histórico, não apenas de mercado, é para consumo da sociedade, como um todo. A partir disso, são 5 anos aliando história e arte, produzindo o resgate da memória e uma reflexão para o presente, quiçá a transformação no futuro.
O TIM - Teatro Imaginário Maracangalha, tem na bagagem vários espetáculos, entre eles, "Amar é", "Deixa Falar" e o "Conto da Cantuária", que recentemente foi selecionado para apresentar no Festival de Inverno de Bonito. O grupo ainda faz parte da Rede Brasileira de Teatro de Rua, discutindo a temática no Brasil e mundo.
 

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