Foto: APIZ-Associação do Povo Indígena Zoró Pangyjej, 2008

Zoró

  • Outros nomes
    Pangyjej
  • Onde estão Quantos são

    MT625 (Associação Povo Indígena Zoró Pangyjej, 2010)
  • Família linguística
    Mondé

Localização e população

03375_20071105

Os Zoró vivem na Terra Indígena Zoró, demarcada e homologada, no município de Rondolândia (desmembrado em 1998 do município de Aripuanã), em Mato Grosso, em área próxima à divisa com Rondônia.

A região dos afluentes da margem direita do alto rio Madeira, desde muito tempo, é o habitat dos povos de línguas Tupi-Mondé. As pesquisas etno-lingüísticas estimam em dois a três séculos a origem do processo de diversificação de suas línguas, quando alguns grupos “proto-tupi-mondé”, eventualmente retomando áreas já ocupadas por outros grupos da mesma família, teriam se deslocado a montante ao longo dos rios Aripuanã e Roosevelt (Brunelli, 1989).

Então, um estado de guerra incessante governava as relações destes povos entre si, e servia-lhes de mecanismo para a definição de seus limites territoriais. Os Zoró relataram ao antropólogo Gilio Brunelli (1987a) que seus ancestrais habitavam as imediações da embocadura do rio Aripuanã e, nas primeiras décadas do século XX, abriram caminho entre os Arara Karo e outros povos agricultores estabelecidos a montante, aproximando-se aos poucos do território que hoje ocupam. Nesta migração, os Zoró enfrentaram grupos Cinta-Larga acima da confluência do rio Branco com o rio Roosevelt, impondo-se após escaramuças acirradas.

A movimentação cessou por volta da década de 1930, quando os Zoró se chocaram com grupos Cinta-Larga e Suruí, mais numerosos, a oeste e ao sul. Em meados do século passado, portanto, os Zoró ocupavam um território contínuo, desde a margem direita do rio Roosevelt até os córregos que formam o rio Madeirinha, tendo como confrontantes os Cinta-Larga a leste, os Suruí ao sul, os Gavião a sudoeste e oeste e os Arara Karo a noroeste.

Em 1976, com base nos levantamentos aéreos, os sertanistas da Funai estimaram a população zoró em oitocentas pessoas, distribuída em mais de dez aldeias. Um ano depois, não alcançava nem a metade desse número – caso seja verdadeira a informação de que apenas cerca de quatrocentas foram vacinadas pela equipe da Funai em 1977. Tuberculose, gripe, diarréia e malária golpearam epidemicamente os Zoró, antes e depois de sua primeira visita aos peões da Fazenda Castanhal (Brunelli e Cloutier, 1986).

Após o contato, os Zoró se deslocaram para a Área Igarapé Lourdes (atual TI Igarapé Lourdes), dos Gavião, aturdidos pelo ataque inesperado de Suruí a um acampamento – uma estadia curta, mas marcante: ali conheceram os religiosos fundamentalistas norte-americanos da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) e, além disso, contraíram malária e hepatite que vitimaram vários deles (Brunelli, 1987a; Forseth & Lovøld, 1984). Em maio de 1980, novamente buscaram refúgio na Área Igarapé Lourdes, onde os missionários dispunham de remédios e prestaram o atendimento de que careciam (Brunelli, 1987a; Cloutier, 1988). Desde os primeiros contatos com os peões da fazenda Castanhal, em 1976, até fins de 1979, ocorreram cerca de 44 óbitos, metade dos quais de pessoas com trinta anos ou mais (Forseth & Lovøld, 1984; Brunelli, 1987a).

Alguns Zoró casaram-se entre os Gavião, e assentaram definitivamente suas famílias na Terra Indígena Igarapé Lourdes. Um ano depois, contudo, a maioria retornaria ao território tradicional, concentrando-se no posto da Funai, onde o pequeno ambulatório contava com a presença eventual de um auxiliar de saúde (Brunelli, 1989). Assim, em 1984, após uma série de surtos epidêmicos, a população zoró somava pouco mais de 200 pessoas.

Dados demográficos

 

Ano População Local/Área Fonte
 1977 350   Praxedes, 1977
 1980

175

Igarapé Lourdes Moore, 1981
 1981 152
36
F.A. Zoró
Igarapé Lourdes
Projeto Rondon/UFMT, 1981
 1983

175
32

F.A. Zoró
Igarapé Lourdes
Gambini, 1983
 1984 169
34
F.A. Zoró
Igarapé Lourdes
Brunelli & Vallee, 1984; Brunelli & Cloutier, 1986
 1985 194
34
F.A. Zoró
Igarapé Lourdes

Brunelli & Cloutier, 1986
 1987 211 F.A. Zoró Gambini, 1987
 1988 200 F.A. Zoró Coimbra & Santos, 1989
 1989 218 Zoró Funai, apud CEDI, 1981
 1992 237
20
Zoró
Igarapé Lourdes
Hargreaves, 1993
 2000 400 T.I. Zoró Funai, apud ISA, 2000
 2003 464 T.I. Zoró FUNASA, apud ISA, 2006
 2006 540 T.I. Zoró Associação Pangyjej, 2006
 2008 599 T.I. Zoró FUNAI/CGDC - AER Ji-Paraná
 2010 625 T.I. Zoró

Associação Pangyjej, 2010 

 

Em 2008, os Zoró contavam com 599 pessoas, distribuídas em 23 aldeias que estavam dispostas desigualmente por todos os quadrantes da Terra Indígena Zoró, conforme os dados da Funai/CGDC AER-Ji-Paraná-RO.