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30/11/2011
Terras habitadas
- Xipaya
Xipáya
- Outros nomes
Xipáya - Onde estão
PA - Quantos são
84 (Funai/Altamira, 2010) - Família linguística
Juruna
Os Xipaya em Altamira
A presença dos Xipaya em Altamira data de meados do século XVIII, quando o padre jesuíta Roque Hunderfund criou a missão Tavaquara. Numa migração forçada, levou vários grupos étnicos para povoá-la, como Xipaya, Kuruaya, Arara e Juruna. A missão teve dificuldades para progredir, visto que por determinação do Marquês de Pombal os missionários jesuítas foram expulsos do Brasil em meados do século XVIII.
Os registro da existência da missão foram deixados pelo príncipe Adalbert da Prússia, nas expedições que realizou nos rios Amazonas e Xingu entre 1811 e 1873. O cientista Henry Coudreau, que fez uma expedição pelo rio Xingu em 1896, também menciona a localização da missão: "Missão extinta dos padres...instalada na foz do igarapé Itaquari, pequeno afluente da margem esquerda [do Xingu], mais longo porém mais seco que o [igarapé] Panelas".
Os velhos xipaya têm conhecimento que a missão, mesmo não se firmando, ficou como local de ocupação daquelas etnias. Perto dali se constituiria o centro de comércio mercantil que se tornaria à cidade de Altamira. No século XX a aldeia transformou-se em um bairro conhecido por Muquiço, devido ao grande número de bordéis, bares, festas e "arruaças" que por lá ocorriam. Depois o bairro passou a ser conhecido como "Onça" por haver um barracão onde onças e gatos do mato ficavam presos para serem vendidos no comércio de peles. Atualmente o bairro chama-se São Sebastião, em homenagem ao Santo Padroeiro da cidade.
Os indígenas foram aos poucos perdendo o território, na medida em que o bairro se incorporava à cidade e que havia uma dinâmica de ocupação dos grupos que se revezavam entre o Xingu-Iriri-Curuá para a realização do trabalho nos seringais, castanhais, como gateiros (captura de gatos do mato e onças para a venda de peles) e como piloto de barco. As mulheres que ficavam na cidade trabalhavam como empregada doméstica, lavadeira, criada de companhia, principalmente as mais jovens. Nessa época, as epidemias de gripe e sarampo dizimaram boa parte da população indígena.
A segunda metade do século XX se caracteriza pela expansão imobiliária, responsável pelo endividamento dos índios, já que os "donos" dos terrenos possuíam títulos no cartório da região. Essa época também é marcada pela viabilização dos grandes projetos, como a Transamazônica, que trouxe um número considerável de migrantes para a região e ajudou a organizar um novo cenário, que desfavoreceu a consolidação de um território indígena e a manutenção da organização social nos moldes de uma aldeia.
A retomada de parte do território foi solicitada à FUNAI e um Grupo de Trabalho foi enviado pelo órgão, em junho de 2001, para fazer o levantamento básico de informações sobre a área reivindicada pelos indígenas urbanos de Altamira. A liderança Xipaya que coordena a Associação dos Indígenas Moradores de Altamira (AIMA), junto com os velhos indígenas que ainda falam a língua, expressou a necessidade de ser reservado um espaço, na cidade, para que construíssem uma aldeia. A solicitação foi encaminhada a FUNAI no ano de 2000. Em 26 de junho de 2001 um grupo técnico foi organizado para realizar um Levantamento Básico de informações sobre as terras indígenas. O relatório final sugeriu a constituição de um grupo técnico para realizar a eleição de uma área. A previsão é que até o final do ano de 2003 o Estudo Prévio seja concluído pelo antropólogo contratado pela Funai.
População Xipaya em Altamira
No início do século XX, por volta de 1910 a distribuição das famílias indígenas se limitava ao bairro São Sebastião - em 1980 a famílias já haviam se organizado e formado um novo bairro conhecido como Açaizal. Nas décadas seguintes novos bairros foram se formando onde novos núcleos familiares indígenas se estabeleceram. Assim ficaram distribuídas na cidade: Bairro Aparecida (18 famílias: 13,04%), Boa Esperança (15 famílias: 10,87%), Independente II (14 famílias: 10,14%), Brasília (10 famílias: 7,25%), Açaizal (8 famílias: 5,80%), São Sebastião (7 famílias: 5,07%), Recreio, Jardim Industrial, Independente I e Centro (6 famílias cada um: 4,35%). Os bairros mencionados apresentam infraestrutura precaria.
Dados obtidos no Estudo de Impacto Ambiental (EIA, 2009) demonstraram que os números de famílias nos bairros citados aumentaram, como por exemplo: Aparecida 257 pessoas e 58 famílias; Boa Esperança 116 pessoas e 23 famílias; Independente I 152 pessoas e 38 famílias; Independente II 208 pessoas e 40 famílias; Brasília 84 pessoas e 16 famílias; Açaizal 180 pessoas e 36 famílias; São Sebastião 59 pessoas e 18 famílias; Centro 96 pessoas e 21 famílias, além de outros bairros.
O Estudo de Impacto Ambiental para a construção da hidrelétrica de Belo Monte solicitado pela Eletronorte em 2002, apresentou a seguinte distribuição das etnias na cidade: Xipaya: 44,20%, Kuruaya: 36,23%, Juruna: 7,97%,. Kayapó: 5,80%, Arara: 1,45%, Karajá: 1,45% e outros: 2,90%. Além disso, outros povos indígenas são citados no estudo de 2002 como moradores de Altamira: Kayapó, Arara, Xukuru, Guarani, Guajajara, Xavante e Canela.
Também em 2002, a área de saúde da Prefeitura Municipal de Altamira realizou, sob coordenação de uma Xipaya presidente da AIMA (Associação dos Índios Moradores de Altamira) um novo cadastro, o qual identificou 211 famílias indígenas de diversas etnias. Diferente do cadastro de 1988, este só focou as famílias residentes na cidade de Altamira. Em 2006 e 2007 foi realizada uma nova pesquisa e apesar de não incluir nomes e situação fundiária de cada família apresentou uma estimativa das famílias residentes em Altamira e na Volta Grande computando um número de 340 famílias. Finalmente, os dados do EIA de 2009 mostram 1.622 pessoas e 340 famílias.







