Foto: Lucia Mindlin Loeb, 1991

Tupari

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    RO517 (Funasa, 2010)
  • Família linguística
    Tupari

Alguns desafios da atualidade

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Na TI Rio Branco, onde está a maioria dos Tupari, os povos indígenas criaram duas organizações: Associação Indígena Doá Txatô, que significa na língua Makurap “Morro Grande” e que concentra os grupos que habitam a região mais à montante do Rio Branco (tendo como presidente Adriano Tupari e, como vice-presidente, Galdino Makurap). E Associação Agrária do Povo Indígena do Rio Branco (AAPIRB), cujos membros são predominantemente da região da Aldeia Colorado, à jusante do Rio Branco, e cuja principal liderança é o professor Isaías Tupari.

Boa parte das lutas dessas associações voltam-se contra a invasão da TI e a construção de barragens nos cursos d´água. Particularmente, os índios queixam-se da pesca clandestina que ocorre bem na época da piracema, quando os peixes tentam subir o rio Branco para desovar em suas cabeceiras.

Mas há quase uma década a principal reivindicação dos índios da TI Rio Branco é contra a construção de PCHs (Pequena Central Hidrelétrica). Houve uma gritante redução do volume de águas e a alteração de seu regime, que da sazonalidade conhecida passou a obedecer os critérios das necessidades de vazão das PCHs e de sua manutenção.

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Depois da construção das PCHs, o nível da água no rio Branco baixou muito, inviabilizando o transporte fluvial em alguns trechos no verão. Os índios alegam que, com a interferência das PCHs, que alteraram o sistema de altas e baixas no nível do rio, os carauaçus, tucunarés, traíras e outras espécies de peixes botam ovos no igapó, quando há altas artificiais no rio – e, com a seca repentina, os ovos morrem, perdendo-se o ciclo de reprodução. Com as tartarugas e tracajás acontece o mesmo: colocam seus ovos nas poucas praias que restam no rio Branco e, com a alta fora de época no rio, os ovos “goram”. Outra observação que os índios fazem é o aumento da quantidade de jacarés.

Contam ainda que no verão morre muito peixe porque a água do rio pára e esquenta, havendo lugares que dá para sentir o mau cheiro. A água fica verde. A piora na qualidade da água também aumentou a incidência de diarréias e outras doenças.

No decorrer da última década, já encaminharam denúncias à Funai, Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia e 6ª Câmara, até agora sem quaisquer resultados palpáveis. Além da punição aos empresários responsáveis pelas PCHs, esperam ser indenizados com base num cálculo sobre o lucro dessas empresas. Ademais, esperam corrigir esse crime ambiental rompendo as barragens e retornando as águas do rio Branco ao seu fluxo normal.

Outro fator que t&e circ;m colaborado para a má qualidade das águas do Rio Branco e os problemas de saúde enfrentados pelos índios é a localização do “Lixão” do município de Alta Floresta do Oeste. Ainda devem ser destacados os efeitos perversos do desmatamento, particularmente no assoreamento do rio, e da utilização de agrotóxicos nas lavouras da região.