Foto: Maria Cristina Troncarelli, 2000

Trumai

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    MT97 (Ipeax, 2011)
  • Família linguística
    Trumái

Rituais

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Foram os Trumai que introduziram no Alto Xingu os ciclos cerimoniais: do Jawari e do Tawarawanã. O Jawari é um ritual complexo dedicado aos guerreiros mortos, cujo evento central é a disputa, entre dois grupos, de arremesso de dardos através de um propulsor. A festa é permeada por um conjunto extenso de cantos e de situações contendo diálogos polêmicos. Segundo a interpretação de alguns estudiosos, o Jawari agregaria em seus rituais os símbolos da guerra e da paz, criando o espaço para a manifestação da aliança com os inimigos e com as mulheres.

Já o Tawarawanã é uma festa simples e alegre, que as pessoas realizam pela manhã. Os homens vestem uma espécie de saia feita de buriti e se enfeitam com folhas de bananeira, cocares e folhas de uma árvore cheirosa (hik'ada xudak), usadas nos braços e no rosto. Eles dançam, enquanto os cantores, que são dois, ficam sentados. Um dos cantores toca chocalho e outro o acompanha, tocando um tipo de tambor de bambu de taquara. As mulheres usam pinturas corporais e dançam em pé sozinhas, acompanhando o ritmo dos homens. Depois se juntam a eles, segurando na ponta da saia dos homens. Dançam então rodando com eles pelo centro da aldeia.

Quanto ao Kwarup, ritual de grande importância no Alto Xingu, por um longo tempo os Trumai evitaram fazer parte desse tipo de cerimônia. Segundo contam, no primeiro Kwarup do qual participaram, os troncos rituais (que representam pessoas falecidas) tornaram-se vivos e os atacaram; depois desse incidente, os Trumai não quiseram mais participar da festa (Monod-Becquelin & Guirardello, 2001: 417). Só mais tarde começaram a aceitar novamente convites e, em 1966, o chefe Trumai cantou no Kwarup de Leonardo Villas Bôas, um acontecimento que reuniu todos os povos do Alto Xingu. Os Trumai, no entanto, não promovem o ritual do Kwarup. Eles podem aceitar participar da festa em aldeias de outros povos, mas eles mesmos não a realizam em suas aldeias. A cerimônia mais importante do grupo - sobre a qual eles falam com respeito e orgulho - é de fato o Jawari.