Foto: Maria Cristina Troncarelli, 2000

Trumai

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    MT97 (Ipeax, 2011)
  • Família linguística
    Trumái

Língua

trumai_5

A língua Trumai é considerada isolada, isto é, não apresenta parentesco genético com nenhuma outra língua do Xingu, nem com outras famílias lingüísticas brasileiras. A situação atual do Trumai é um pouco sensível , pois não há muitos falantes. A maioria das crianças já fala o Português como primeira língua; algumas delas também dominam outras línguas xinguanas, como o Kamayurá, o Aweti ou o Suyá.

Algumas tentativas têm sido feitas no sentido de estimular o uso da língua Trumai, com destaque para o trabalho educacional dos professores indígenas. Através de suas aulas, eles vêm tentando encorajar os mais jovens a voltarem a empregar o Trumai nas atividades do dia-a-dia. Com assessoria da equipe do ISA, os professores indígenas elaboraram um livro de ensino do Trumai como segunda língua, publicado em 2002. O trabalho de revitalização da língua é na realidade uma tarefa a longo prazo, que exigirá não somente o empenho dos professores mas também a participação da comunidade como um todo.

trumai_6

Analisando o vocabulário da língua Trumai, pode-se constatar a presença de vários empréstimos do Kamayurá. A influência dessa língua sobre o Trumai se deve aos casamentos interétnicos que vêm ocorrendo há muitas gerações (o antropólogo Buell Quain, nos anos 30, já havia observado isso). O fato do Kamayurá servir como espécie de língua franca no Alto Xingu - isto é, um meio de comunicação entre grupos distintos lingüisticamente - também contribuiu para aumentar a sua presença entre os Trumai. Ter certo domínio do Kamayurá pode oferecer a um indivíduo a possibilidade de se comunicar melhor em situações de viagem. Assim sendo, circunstâncias variadas (casamentos intertribais, prestígio local do Kamayurá) levaram o Trumai a ser influenciado por esta outra língua xinguana.

Em relação às mudanças culturais mais recentes, observa-se no Trumai a presença de vários empréstimos do Português para denominar objetos introduzidos pelos homens brancos: aros ("arroz"), asuka ("açúcar"), motô ("barco a motor"). Em alguns casos, pode haver para o empréstimo do Português um paralelo em Trumai, um neologismo. Por exemplo, kopeta ("coberta") ou mape kwach ("instrumento de cobrir"), kafe ("café") ou su dat´-ke ("suco que é preto"), kopu ("copo") ou sone kwach ("instrumento de beber"). O empréstimo de termos do Português na verdade não é um fato surpreendente, uma vez que o contato com pessoas das cidades da região está se tornando mais comum. Outros povos xinguanos igualmente emprestam termos do Português para nomear objetos novos em relação a suas culturas.