Foto: Beth Lins, 2008

Puyanawa

  • Outros nomes
    Poianaua
  • Onde estão Quantos são

    AC540 (Funasa, 2010)
  • Família linguística
    Pano

Organização política

Na década de 1980, os Puyanawa possuíam dois chefes que tinham a função de representar o grupo junto à sociedade nacional. Destaca-se a Associação Agroextrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI), criada em 1988 para apoiar as lideranças, além de garantir à comunidade acesso a benefícios por meio de projetos com financiamento externo.

[Sérgio Augusto de Albuquerque Gondim, 2002]

Associação indígena

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O ano de 1988 foi marcado pelo surgimento das primeiras associações indígenas no Estado do Acre, dentre elas, a Associação Agroextrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI). Após dois anos de sua fundação, os Puyanawa demarcaram sua terra com recursos conseguidos pelas lideranças em uma viagem à Inglaterra. A iniciativa, que não teve reconhecimento oficial da Funai, foi fundamental para mobilizar a comunidade, legitimar o território puyanawa junto à sociedade regional e impedir invasões que caçadores vinham promovendo.

Na década de 1990, a AAPBI se envolveu em diversos projetos de geração de renda para a comunidade. Recebeu recursos para financiar parte da produção de farinha vendida a grandes compradores de Cruzeiro do Sul. Entretanto, o fim deste projeto coincidiu com a desarticulação da cooperativa local. A Associação também administrou um projeto de criação e de comercialização de pequenos animais domésticos e, de 1997 a 1999, desenvolveu um projeto centrado na compra de um trator e implementos com o intuito de mecanizar as atividades agrícolas, reutilizar as áreas de capoeira e evitar novos desmatamentos em áreas de floresta nativa.

No ano de 1999, a AAPBI assinou o contrato de prestação de serviços junto ao PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e ao PPTAL ( Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal) para a implementação do “Subprojeto de Acompanhamento e de Consolidação da Demarcação Física da Terra Indígena Poyanawa”. Este objetivava o fomento de condições para que os Puyanawa e sua Associação acompanhassem e fiscalizassem a demarcação de sua terra, feita por empresa de topografia contratada pela Funai no primeiro semestre de 2000. A Associação ficou responsável, ainda, por fixar placas indicativas em pontos das picadas considerados vulneráveis, para alertar a proibição das invasões de caçadores, pescadores e madeireiros.

O projeto permitiu o fortalecimento institucional da APPBI. Sua diretoria e as várias equipes de trabalho receberam cursos de contabilidade, secretaria, uso de GPS e registro. Para apoiar os trabalhos da AAPBI foram adquiridos bens materiais permanentes e de consumo para a nova sede na aldeia Ipiranga, bem como um barco para dar apoio aos trabalhos de demarcação e permitir a vigilância e fiscalização da terra. A Associação divulgou a demarcação em mensagens de rádio, matérias em jornais e visitas a comunidades de agricultores da vizinhança, associações de índios e seringueiros, sindicatos e órgãos de governo com sede em Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Os Puyanawa exigem, desde a demarcação e homologação da TI, mais compromisso por parte dos órgãos competentes do governo em impedir as invasões e ocupações irregulares que continuam a ocorrer.

[Marcelo Piedrafita Iglesias, 2001]