Foto: Tiuré, 1981

Potiguara

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    CE, PB16.095 (Funasa, 2009)
  • Família linguística

Festas populares

Quase todas as aldeias Potiguara possuem uma Igreja e um santo padroeiro. Em algumas delas, a Igreja é construída no centro e as residências são construídas paralelamente. Já em outras a Igreja encontra-se alinhada com as residências e o lugar onde ela está edificada costuma ser definido como o ponto central da localidade. É comum a existência de um cruzeiro fincado ao chão em frente à Igreja.

A Igreja não é um lugar freqüentado quotidianamente. Geralmente, as pessoas se dirigem a ela quando há a celebração de missa (uma vez por mês), quando se realiza a festa do padroeiro e no dia de finados. Nesta última data, as pessoas que não podem ou que não gostam de ir ao cemitério localizado na Vila S. Miguel acendem velas para os mortos dentro e fora da Igreja e no cruzeiro.

Festejar um santo significa expressar o desejo de proteção, particularmente de suas plantações. Neste sentido, é importante destacar que as festas religiosas são realizadas dentro do calendário agrícola: plantações e colheita, constituindo-se como ritos de fertilidade e de fartura.

Durante um período de nove noites antes da festa, as aldeias se mobilizam em torno das homenagens aos santos padroeiros. É um período de intensa movimentação na localidade. Os parentes que residem em outros lugares retornam para a aldeia onde nasceram e se criaram ou mesmo visitam amigos e compadres. Nas aldeias onde não existe o templo católico e, portanto, um padroeiro, as pessoas se dirigem para uma aldeia mais próxima.
Independente do padroeiro, em todas as aldeias festejam-se São João, São Pedro (mês de junho), Senhora Santana (mês de julho) e “Nascimento” (Natal). Como é típico da região Nordeste, as festas juninas são concebidas como referência cultural das pessoas e são comemoradas com fogueiras, balões, fogos de artifício e forró. As brincadeiras de junho acontecem, especialmente, em um pavilhão localizado nas proximidades da Igreja. Este período é também marcado por outros tipos de dança, a exemplo do coco de roda e de ciranda, os quais são realizados na casa de farinha.

Da mesma forma que o forró, a dança do coco-de-roda pode ser pensada como um rito de fertilidade e de união. O próprio espaço onde geralmente dança-se o coco induz concebê-la como tal. A casa de farinha é um espaço de trabalho e um ponto de encontro da família e de amigos; ao mesmo tempo é o lugar onde se festeja a colheita.
A festa de Santana no mês de julho e a “festa de Nascimento” fazem parte da agenda devocional dos índios. Nos dias 26 e 27 de julho e 24 e 25 de dezembro, respectivamente, as pessoas se mobilizam na casa de farinha seja para intensificar a produção de derivados da mandioca, seja para brincar de coco-de-roda.

No mês de agosto festeja-se São Domingos na aldeia Jacaré de S. Domingos. Em setembro realizam-se as festas de São Miguel – na Vila de S. Miguel e na aldeia São Francisco – e de N. Sra. dos Prazeres – na Vila Monte-Mór. No mês de dezembro homenageiam N. Sra. da Conceição as aldeias São Francisco, Jacaré de César e Silva do Belém e Sta. Luzia em Camurupim.

As festas têm seu início com o convite do “cacique da aldeia” dirigido aos moradores “do lugar”. O convite se faz com a intenção de que as pessoas dêem contribuições para o santo. As contribuições podem ser em dinheiro ou em objetos tais como velas, fogos e balões.

Em meio a este ciclo de festas religiosas, os índios se referem a três delas como sendo as mais importantes: a de setembro (dia 29) e a de dezembro (dia 8). São datas lembradas por todos como sendo os momentos de maior animação nas aldeias. No dia 29 de setembro comemora-se a festa de São Miguel na Vila de mesmo nome e na aldeia São Francisco, reconhecido como o “padroeiro dos Potiguara e o dono do nosso território e o protetor e guarda dos índios”, e na Vila de Monte-Mór a festa de N. Sra. dos Prazeres. Já no dia 8 de dezembro celebra-se a festa de N. Sra. da Conceição a padroeira da aldeia São Francisco, Jacaré de César e Silva do Belém; para os moradores do São Francisco esta é uma data especial porque “ao lado de São Miguel, Nossa Senhora é também protetora dos índios Potiguara”. Ver no final quadro relacionando os padroeiros das aldeias e as respectivas datas comemorativas.

As festas de São Miguel e de Nossa Senhora dos Prazeres são, segundo a memória do grupo, ocasiões nas quais os índios festejam os seus protetores ou padroeiros. A idéia de antigüidade justificaria o porquê da classificação da festa como tradicional. Segundo a tradição do grupo, a festa de São Miguel especificamente iniciou-se após a construção da Igreja na Vila de São Miguel. A Vila passou a ser um lugar mais freqüentado pelos índios no mês de setembro para a festa de São Miguel e no mês de novembro (dia de finados) para a visita ao cemitério dos índios que se localiza do lado da referida Igreja.

 

Aldeia Padroeiro (a) Data comemorativa
Caieira Santa Edwirgens 16 de outubro
Camurupim Santa Luzia 13 de dezembro
Estiva Velha Santo Antonio 13 de junho
Forte Nossa Senhora de Guadalupe 12 de dezembro
Galego
São João Batista
24 de junho
Grupiúna
Nossa Senhora da Conceição
08 de dezembro
Jacaré de César
Nossa Senhora da Conceição
08 de dezembro

Jacaré de São Domingos
São Domingos e Santa Luzia
08 de agosto e 13 de dezembro
Jaraguá São Sebastião 19 de janeiro
Lagoa Grande
São Miguel

29 de setembro
Laranjeira
Senhora Senhora
27 de julho
Monte-Mór Nossa Senhora dos Prazeres e Nossa Senhora de Fátima
29 de setembro e 13 de maio
São Francisco São Miguel e Nossa Senhora da Conceição 29 de setembro e 08 de dezembro
São Miguel
São Miguel
29 de setembro
Sarrambi São José 19 de março
Silva de Belém Nossa Senhora da Conceição
08 de dezembro
Tracoeira São Sebastião 19 de janeiro
Tramataia São Sebastião 19 de janeiro