Nadob

  • Outros nomes
    Macú Nadob; Maku Nadeb
  • Onde estão Quantos são

    AM-
  • Família linguística
    Makú

Localização

Os Maku se distribuem numa área limitada a noroeste pelo rio Guaviare (um dos afluentes colombianos do Orinoco), ao norte pelo rio Negro, ao sul pelo rio Japurá e a sudeste pelo rio Uneiuxi (um dos afluentes brasileiros do Negro). Este losango soma um total aproximativo de 20 milhões de hectares. Evidentemente, nem todo ele é ocupado pelos índios. A alta dispersão espacial dos seis grupos lingüísticos Maku dentro desse vasto perímetro se deve à dominância de enormes áreas de caatinga ou campinarana, um tipo de floresta não ribeirinha, de solo extremamente pobre, pouca variabilidade vegetal e baixa concentração de animais de caça. Os Maku ocupam justamente as "manchas" de floresta de terra firme, onde a caça é mais abundante e a vegetação mais rica em espécies utilizáveis na alimentação ou na confecção de artefatos.

A ocupação humana da área em tempos pré-colombianos se deu provavelmente em duas vagas: primeiro, os Maku se estabeleceram nas zonas interfluviais, nas "manchas" de terra firme; a seguir vieram os Arawak e os Tukano, estabelecendo-se nas barrancas altas dos rios, em meio ao igapó (terreno ribeirinho baixo, periodicamente inundável durante as cheias, de abril a setembro). O contato já bastante antigo entre esses povos de origem e línguas diversas, cada qual ocupando faixas ecologicamente distintas, resultou num complexo sistema de trocas comerciais e simbólicas, de que trataremos adiante.

No lado brasileiro, recentemente foram homologadas cinco terras indígenas: Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II, Rio Téa e Rio Apapóris, somando um total 10,6 milhões de hectares de terras contínuas e contíguas. Os grupos Maku brasileiros, isto é, os Hupda, Yuhupde, Dow e Nadöb, distribuem-se nos terrenos interfluviais de todas essas áreas, com exceção do Médio Rio Negro II. As descrições que se seguem dizem respeito sobretudo aos Maku do Uaupés (Bara, Hupda e Yuhupde) e se baseiam nas etnografias de Silverwood-Cope (1990), Reid (1979) e Pozzobon (1984, 1992). Sobre os Maku do Uneiuxi e do Paraná Boá-Boá, veja-se Schultz (1959), Münzel (1969) e Pozzobon (1998).