Foto: Isaac Amorim Filho , 1985

Matsés

  • Outros nomes
    Mayoruna
  • Onde estão Quantos são

    AM1.592 (Funasa, 2006)
    Peru1.724 (INEI, 2007)
  • Família linguística
    Pano

Malocas

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As malocas matsés têm um desenho hexagonal, com um corpo retangular formado por dois lados opostos mais longos. O teto de palha cobre toda a estrutura, deixando duas aberturas de cerca de 1,25 metros de altura. Essas “portas” ficam nos vértices frontal e posterior da maloca, nos extremos de um corredor central que a divide em duas partes. Cada metade é divida por sua vez em pequenos compartimentos separados por esteiras de palha que servem de “paredes”.

Os compartimentos são chamados quënë e abrigam um homem, sua mulher (ou duas) e filhos. Se o homem tem mais esposas, ao lado, no próximo quënë, pode estar outra esposa (geralmente a mais velha) e seus filhos. Em seguida, o irmão desse homem e suas mulheres e filhos e assim sucessivamente. Em cada quënë há um fogo, onde as mulheres preparam a maioria das refeições cotidianas para sua família, que aquece a casa durante a noite. O homem considerado o “dono” (icbo) da maloca (aquele que exortou seus parentes para o trabalho de construção) geralmente dorme com sua mulher e filhos nos compartimentos mais próximos à entrada.

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Na abertura principal, ficam localizados os bancos paralelos, feito de troncos inteiriços. O espaço em que descansam os bancos é chamado nantan, onde, de maneira muito formal, sentam-se os homens visitantes, que imediatamente são servidos com o que tiver disponível de comida pelas mulheres que vivem na maloca. As mulheres, mesmo visitantes, não se sentam nesses bancos e comem em pequenas rodas no chão, junto às crianças.

As maiores malocas observadas por Romanoff em 1976, no Peru, chegavam a 35 metros de comprimento e 10 metros de altura, abrigando 100 pessoas. Nestas, o antropólogo observou mais duas portas, localizadas no meio das paredes paralelas que formam a base retangular.

Atualmente, no Brasil, apenas a comunidade Lobo, localizada nas margens do igarapé de mesmo nome, possui uma maloca habitada. Nela vivem um grupo de irmãos que são considerados os “caciques” da aldeia, suas mulheres, filhos e sua mãe viúva. Quase toda noite ou fim de tarde, os homens que vivem nesta mesma aldeia se reúnem no nantan para conversar e tomar rapé depois da refeição. Planejam caçadas, trabalhos coletivos, e trocam as notícias do dia.

Até 2006, havia uma grande maloca na comunidade Trinta e Um, que foi derrubada por estar velha e pelo fato de seus “donos” estarem preparando a mudança para a aldeia Nova Esperança. Esta maloca não era habitada, mas servia como uma “casa dos homens”, principalmente os de meia idade, que no fim do dia lá se reuniam para refeições coletivas seguidas de sessões de rapé. Era também o lugar onde os caciques recebiam visitantes brancos para reuniões (os representantes de ONGs, Funasa, Funai etc.).

 

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A maloca possuía apenas sua estrutura e dois bancos paralelos que ocupavam toda sua extensão (feitos de toras de madeira dispostas em continuidade).

A absoluta maioria das habitações atuais dos Matsés no Brasil foi construída em estilo regional. Cada casa abriga uma família conjugal: um homem, suas mulheres e filhos solteiros. A preferência pela moradia patrilocal se manteve e assim quase todos os homens quando se casam, constroem sua casa de palafita e paxiúba perto ou ao lado da casa de seus pais, e muitas vezes vão buscar suas futuras esposas em aldeias distantes, inclusive no Peru. É comum, e faz parte da etiqueta, que o pretendente, principalmente se é jovem e está realizando seu primeiro casamento, fique um período na casa dos pais da futura mulher, antes de levá-la para sua futura casa.