Foto: Marlinda Melo Patrício, 1999

Kuruaya

  • Outros nomes
    Xipáia-Kuruáia, Kuruaia
  • Onde estão Quantos são

    PA159 (Funai/Altamira, 2010)
  • Família linguística
    Munduruku

Organização social e política

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A aldeia Cajueiro é constituída por muitas famílias nucleares ligadas por laços de parentesco próximos. As famílias moram em casas individuais e os casamentos costumam se dar entre primos Kuruaya de primeiro ou segundo grau, entre primos Kuruaya e Xipaia de primeiro ou segundo grau, ou entre Kuruaya com não-indígenas. Desde os tempos em que a região do Iriri/Curuá foi ocupada pelos senhores de seringais e castanhais, os Kuruaya estreitaram suas relações de amizade com os Xipaia e construíram fortes laços de parentesco com os seus antigos inimigos. Mas a intensidade do contato com a sociedade nacional fez com que a maior parte dos casamentos fosse realizado com os não-indígenas.

Existem dois núcleos de poder atualmente, a liderança e o cacique, que exercem diferentes trabalhos no atendimento aos interesses da aldeia. O primeiro exerce o papel de diplomata, negociando os interesses de sua comunidade; como saúde, terra, educação, legalização da associação etc.; frente aos órgãos governamentais, não-governamentais, empresas mineradoras e associações de outras etnias; além de ser o presidente da Associação do Povo Indígena Kuruaya (APIK), registrada em cartório em 2002. A relação com os parentes Kuruaya e Xipaia, que moram na cidade de Altamira, é mantida sobretudo por seu intermédio quando os problemas são compartilhados.

Já o cacique dos Kuruaya é mais jovem e tem o poder de mando quanto à organização interna do grupo. As decisões que devem ser tomadas são discutidas entre o cacique, a liderança e a comunidade na aldeia, mas quase sempre a decisão do cacique Kuruaya é a que prevalece quando não há consenso.