Foto: Isabelle Vidal Giannini-ISA, 1996

Kayapó Xikrin

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    PA1.818 (Funasa, 2010)
  • Família linguística

Nota sobre as fontes

O texto acima é uma tentativa de síntese das fontes de informações existentes sobre os Xikrin. Na bibliografia etnológica, a monografia Morte e Vida de uma Sociedade Indígena Brasileira, de Lux Vidal, publicada em 1977, é referência obrigatória para quem quer estudar a sociedade Xikrin. Ela descreve de forma detalhada esta sociedade enfatizando a organização social, o sistema de categorias de idade, as relações de parentesco, de amizade formal, papéis cerimoniais, as oposições entre centro/periferia, homem/mulher, natureza/cultura. Realiza uma análise sobre as relações entre nominadores e nominados, transmissão de prerrogativas, assim como a organização social por meio de um estudo de rituais de imposição de nomes. Entre os anos de 1978-1986, Vidal escreveu artigos importantes sobre o significado da ornamentação corporal. Dentre eles, “Pintura e adornos corporais”, publicado na  SUMA Etnológica Brasileira, organizado por Berta Ribeiro, e  “A pintura corporal e a arte gráfica entre os Kayapó-Xikrin do Cateté”,  publicado na coletânea Grafismo Indígena, organizada pela própria autora. A autora também escreveu um artigo sobre as categorias de idade como sistema de classificação e controle demográfico de grupos entre os Xikrin do Cateté e de como são manipulados em diferentes contextos. Este artigo pode ser encontrado na Revista do Museu Paulista, vol. XXIII. O assunto da morte e da saudade, sentimento tão presente entre os Xikrin, foi abordado pela autora em um artigo denominado “A morte entre os índios Kayapó”,  publicado no livro A Morte e os Mortos na Sociedade Brasileira, organizado por José de Souza Martins.

Como referência das décadas de 1960 e 1970, temos ainda a obra de padre Caron (1971) sobre os índios Xikrin, escrita sob forma de diário, registro de sua atuação missionária, no período de 1964 a 1970. Além das notas de Protásio Frikel contendo plantas e detalhes da construção da casa Xikrin, na época do contato, assim como descrições dos equipamentos e as técnicas de subsistência utilizados pelos mesmos. Horace Barnner, em seu artigo publicado em 1961, no Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, aborda a vida dos Xikrin em seu acampamento e suas relações com os regionais.

Em 1991, Isabelle Giannini escreveu sua dissertação de mestrado intitulada A ave resgatada: a impossibilidade da leveza do ser, cujo foco centrou-se no estudo da etnoclassificação da avifauna pelos Xikrin do Cateté e do simbolismo das aves nos vários campos da vida social em que são significativas. Em 2000, Fabíola Andéas da Silva defendeu uma tese de doutorado intitulada As tecnologias e seus significados: um estudo da cerâmica Assurini do Xingu e da cestaria dos Kayapó Xikrin sob uma perspectiva etno-arqueológica. A autora busca demonstrar que os processos produtivos da cultura material não são, exclusivamente, um indicador da adaptabilidade ou da eficiência do homem na resolução dos problemas originados da sua relação com o mundo material, mas sim uma construção social.

Em artigos publicados em Povos Indígenas no Brasil (1991/1995 e 1996/2000), Giannini aborda questões mais atuais sobre o modelo predatório e ilegal de exploração de madeira e a defesa do manejo sustentável pelos Xikrin do Cateté. Estas mesmas publicações contêm artigos sobre a exploração de madeira e o garimpo na área indígena Xikrin do Bacajá, assinados pelo antropólogo William Fisher. Este autor escreveu, em 1991, a dissertação Dualism and its discontents: social organization na village fissioning among the Xikrin Kayapó of Central-Brazil, e, em 2000, publicou o livro Rainforest exchanges: industry and community on amazonian frontier. Este último aborda as relações entre a sociedade Xikrin do Bacajá e o seu meio ambiente. Clarice Cohn em sua recente dissertação de mestrado A criança indígena: a concepção Xikrin de infância e aprendizado investiga o modo como os Xikrin do Bacajá concebem a infância e o aprendizado. Para tanto, parte de uma descrição da experiência das crianças, na vida cotidiana e nos rituais, e das ocasiões e modos de ensino e aprendizado, de maneira a perceber o que neles há de específico.