Foto: Edilene Coffaci de Lima, 1998

Katukina Pano

  • Outros nomes
  • Onde estão Quantos são

    AC594 (Funasa, 2010)
  • Família linguística
    Pano

Nomes pessoais


Os Katukina usam dois tipos de nome: em sua própria língua e em português. A atribuição de um nome do segundo tipo não segue nenhum padrão preestabelecido e qualquer pessoa pode sugerir um nome em português para uma criança recém-nascida, que será bem recebido principalmente se for inédito na aldeia. Ao primeiro nome acrescentam, respectivamente, os sobrenomes da mãe e do pai.

Se na escolha dos nomes em português um dos principais critérios é o ineditismo, ocorre o contrário quando se trata dos nomes em katukina: os nomes se repetem, uma vez que provêm todos de um acervo comum que os katukina se esforçam em preservar. Em termos práticos, isso quer dizer que os pais escolhem para seus filhos os nomes de seus próprios parentes.

Os pais são quem nomeia seus filhos, do sexo masculino e feminino, algumas vezes consultando antes pessoas mais velhas. A atribuição de um nome pessoal é algo simples e nenhuma cerimônia ou ritual é realizado: uma vez escolhido, basta os pais começarem a usá-lo. O nome recebido na infância é definitivo.

A prática onomástica katukina é bastante variada e só não é permitido atribuir o próprio nome ao filho ou o nome de um filho morto. Dentre as alternativas existentes, a mais comum é os pais atribuírem a seus filhos o nome de seus próprios pais, isto é, se é uma menina os pais escolhem o nome da avó materna ou paterna, se é um menino escolhem o nome do avô paterno ou materno. A transmissão dos nomes através de gerações alternadas explicita o vínculo afetivo entre avós paternos e netos, que é bastante forte entre os katukina. Um outra alternativa, menos praticada, são os nomes dos tios maternos e paternos da criança. Deve-se observar, entretanto, que, nesse caso, os tios ou tias, sejam eles quais forem, já devem ter morrido e a escolha do nome é uma forma de colocá-lo novamente em circulação, permitindo assim que se preserve o acervo de nomes pessoais. Nesse caso, a reposição do nome assume um certo sentido de "homenagem", de demonstração de afeição ou estima pela pessoa que portava anteriormente o nome.

Embora os nomes sejam todos indeterminadamente repostos, não há qualquer idéia de reencarnação ou de que uma pessoa deva substituir a outra. A identidade entre homônimos encerra-se com o nome.