Foto: Valéria Macedo/ISA, 2005

Ikolen

  • Autodenominação
    Digut
  • Onde estão Quantos são

    RO603 (Siasi/Sesai, 2012)
  • Família linguística
    Mondé

Situação fundiária

A terra indígena Igarapé Lourdes foi demarcada em 1976-77 e homologada em 1983, mas sem considerar a totalidade do território tradicionalmente ocupado pelos Ikolen. Conseqüentemente, antigas aldeias Ikolen situadas no rio Branco e em alguns de seus formadores ficaram fora da área delimitada.

Além disso, a regularização fundiária não foi suficiente para proteger a área das frentes de expansão nacional que se intensificaram na região após a conclusão da rodovia BR-364, no município de Ji-Paraná, em meados da década de 1970.

Até então, a única forma de se chegar à região era via fluvial, partindo de Manaus até a confluência dos rios Madeira e Machado. Devido às muitas corredeiras e obstáculos, a navegação pelo rio Machado dificultava o avanço das frentes de expansão nacionais sobre a área habitada pelos Ikolen, mantendo-a relativamente isolada.

Com a rodovia, o território habitado pelos Ikolen se tornou objeto da cobiça de fazendeiros agropecuaristas e madeireiros, bem como destino de colonos provenientes da região centro-sul, incentivados pelo Programa de Integração Nacional (PIN) do governo federal.

Em conseqüência de fortes pressões políticas e econômicas, os limites considerados inicialmente foram alterados, reduzindo e desmembrando a TI Igarapé Lourdes, em prejuízo dos Ikolen e seus demais habitantes. Em 1975, a abertura de uma estrada no interior da área delimitada propiciou a invasão por colonos. Várias fazendas se interpuseram entre a TI Igarapé Lourdes e o Parque Indígena do Aripuanã, habitado por outros grupos indígenas Tupi-Mondé (Paiter, Zoró e Cinta-Larga), com os quais os Ikolen se relacionavam.

Após mobilização dos Ikolen e Karo, foram estabelecidas taxas de pedágio e outras formas de indenização aos grupos indígenas prejudicados pela estrada aberta, mas, o problema continua sem solução.

Na década de 1980, o Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil (Polonoroeste), financiado pelo governo brasileiro e Banco Mundial, incentivou ainda mais o processo de ocupação não-indígena na região, acirrando os conflitos. Diversas ramificações e colônias irregulares foram abertas ao longo da estrada por madeireiros, tornando-se o principal foco irradiador de invasões na TI Igarapé Lourdes.

Diante da invasão crescente de seu território, os Ikolen e os Karo articularam-se contra os projetos em andamento, o que acarretou na interrupção do financiamento destes pelo Banco Mundial, condicionando-os a medidas mais rigorosas de respeito às populações indígenas e preservação do meio-ambiente.

Entre 1991 e 2001, o Banco Mundial financiou o Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planafloro), visando corrigir as distorções produzidas pelo programa anterior (Polonoroeste). Esse plano previu uma série de ações voltadas à saúde e educação das populações indígenas; à demarcação, fiscalização e proteção das terras indígenas; bem como ao desenvolvimento de projetos voltados a essas comunidades.

A despeito de avanços ocorridos nos últimos anos, os Ikolen e demais habitantes da TI Igarapé Lourdes lutam ainda pela redefinição do limite leste de seu território, que incorporaria antiga área de ocupação ikolen, na Serra da Providência. No mais, buscam uma solução para o problema da estrada que atravessa a terra indígena, no limite nordeste; assim como a incorporação de dois formadores do igarapé Água Azul, que pertencem atualmente à Reserva Biológica do Jaru, ao norte.