Foto: Michel Pellanders, 1987

Asurini do Tocantins

  • Autodenominação
    Asurini
  • Onde estão Quantos são

    TO516 (Siasi/Sesai, 2012)
  • Família linguística
    Tupi-Guarani

Histórico do contato

asurini_tocan_3

Os Asuriní do Tocantins aparecem nos registros históricos, no contexto do avanço da frente pioneira do início do século XX, na região acima da Cachoeira Itaboca (hoje coberta pelo reservatório da UHE Tucuruí).

A região de Marabá até Tucuruí tornou-se, a partir dos anos 20, uma importante área de exploração de castanha-do-pará. Com o objetivo de garantir o escoamento da produção de castanha de Marabá a Belém, determinou-se a construção da Estrada de Ferro Tocantins, que contornaria os doze quilômetros de corredeiras do Rio Tocantins, unindo as localidades de Tucuruí (conhecida na época por Alcobaça) e Jatobal. Esta ferrovia atravessou o território dos Asuriní e Parakanã, que reagiram veemente à invasão.

A Estrada de Ferro Tocantins foi iniciada em 1895 e parcialmente finalizada somente em 1945. Em 1935, haviam sido construídos apenas cerca de 67 quilômetros dos 117 planejados.

É no final da década de 20 que se acirram os conflitos entre os índios e os trabalhadores da ferrovia. Em 1928, após uma batida organizada pelo Engenheiro Amyntas Lemos, que resultou na morte de oito índios, os Asuriní intensificaram os seus ataques contra os regionais.

Dois anos mais tarde, os Asuriní atacaram e mataram castanheiros nas proximidades do local conhecido por Joana Peres. Em maio deste mesmo ano (1930), mataram mais duas pessoas. Já em 1933, revidaram uma diligência policial matando e saqueando no quilômetro doze da ferrovia.

No ano de 1937, os Asuriní chegaram a entrar em contato com funcionários do SPI. Logo depois, no entanto, foram atacados por trabalhadores da ferrovia e, em represália, invadiram um barracão, assassinando duas pessoas e ferindo uma terceira.

Em 1945, o diretor da Estrada de Ferro Tocantins e o delegado especial de polícia de Tucuruí organizaram uma expedição armada contra os Asuriní. O massacre só foi evitado porque os índios não foram encontrados pelos seus perseguidores. O SPI abriu um processo contra o engenheiro, mas a denúncia foi considerada improcedente pelo juiz de direito de Cametá.

Em 1948, os Asuriní entraram em contato com regionais, no lugarejo conhecido por Cachoeira de Itaboca, sendo repelidos à bala e perseguidos pela mata durante dois dias. Em 1949, os Asuriní mataram uma mulher, no Km 52 da ferrovia, e um trabalhador, no Km 18. Nesse mesmo ano, atacaram o barracão do SPI, localizado no Km 67, ferindo um funcionário.

O ano de 1949 foi um dos mais críticos do conflito. Os lavradores chegaram a abandonar as suas roças e as turmas de conservação da ferrovia só trabalhavam sob a proteção de guardas armados. É nesse ano que o SPI intensifica suas atividades para contatar os Asuriní, o que vai se efetivar quatro anos mais tarde.

O contato oficial dos Asuriní com a frente de atração do Serviço de Proteção aos Índios deu-se em março de 1953, no local conhecido por "sítio Apinajé", entre os igarapés Piranheira e Trocará, próximo à área que ocupam atualmente.

A decisão dos Asuriní de procurar o acampamento do SPI parece ter sido motivada pelos conflitos com os Parakanã. Um grande ataque Parakanã teria levado um dos grupos Asuriní a socorrer-se junto aos funcionários da frente de atração. Este grupo era formado por 190 índios que se estabeleceram junto ao posto do SPI.

No mesmo ano do contato, mais de cinqüenta índios morreram de gripe e disenteria. Este período é descrito pelos Asuriní como uma época onde não havia nem mesmo tempo para enterrar todos os seus mortos.

A maior parte dos sobreviventes à catástrofe do contato retornou às matas ainda em 1953. Apenas um pequeno grupo permaneceu junto ao SPI até 1956. Neste ano, porém, decidem deixar o posto devido a desentendimentos com os funcionários do SPI, regressando em 1958.

Já em 1962, o segundo grupo Asuriní, que havia permanecido na mata, ressurge no posto do SPI. Novamente, a gripe provoca uma série de mortes e os sobreviventes decidem voltar, mais uma vez, à região do Pacajá.

Quando o antropólogo Roque Laraia esteve entre os Asuriní, em 1962, encontrou uma população de 35 índios. Laraia observou que os Asuriní viviam uma situação de extrema dependência dos funcionários do posto Trocará atravessando, por outro lado, uma fase de profunda desorganização social em decorrência da drástica redução de sua população.

Já o grupo que havia retornado à região do Pacajá encontrava-se sem qualquer assistência do órgão indigenista, vivendo da caça, pesca, agricultura e de um pequeno comércio que mantinham com os regionais.

O grupo permaneceu na região do curso médio-alto daquele rio até 1974 quando mudou-se para o Trocará. Ao que tudo indica, os dois grupos locais do Trocará e do Pacajá mantiveram contatos intermitentes até a época de sua junção.

Em 1973, as pesquisadoras do Summer Institute of Linguistics (Nicholson e Aberdour) estiveram visitando os Asuriní do Pacajá e levaram uma fita gravada pelo grupo do Trocará, convidando-os para uma visita. O convite, somado às dificuldades advindas da falta de uma assistência do governo, levou os Asuriní do Pacajá a transferirem-se para o Trocará. Segundo seus relatos, a Funai teria mandado um barco buscá-los no ano 1974. Desde então, os Asuriní nunca mais retornaram ao Pacajá.