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Tecnologia indígena

28/10/2010

Autor: Claudio de Oliveira

Fonte: Diário de Cuiabá - http://www.diariodecuiaba.com.br/



José Afonso Portocarrero lança livro destinado a arquitetos, antropólogos e estudiosos interessados em conceitos diferenciados

A arquitetura nasceu empiricamente. A palavra vem do grego, arché que significa "primeiro" ou "principal" e tékton, "construção". A arte de construir pode até não estar no manifesto das sete artes de Ricciotto Canudo (1923), mas sem dúvida reúne elementos artísticos suficientes para estar presente em toda história da arte.

Apesar da palavra ser grega, muito antes destes já havia povos construindo, vide as pirâmides do Egito ou os templos orientais. Todavia, a arquitetura não é só uma obra perene, mas uma obra dinâmica em permanente evolução que acompanha, no caso dos índios brasileiros, milênios de observação e aprimoramento das residências indígenas.

O professor doutor José Afonso Portocarrero que o diga. Sua tese de mestrado estudou a habitação Bororo e agora em seu doutorado ampliou seu olhar sensível e técnico para dez etnias. Portocarrero visitou 28 aldeias contemplando uma dezena de etnias: Bakairi, Bororo, Yawalapiti, Kamaiura, Irantxe, Myky, Umutinas, Karajá/Javaé, Xavante e Pareci. O arquiteto, hoje chefe do departamento de arquitetura da UFMT, salientou que pela primeira vez estão sendo apresentadas em estudo as casas Irantxe, Myky e Pareci.

Hoje à noite, no Espaço Sebrae do Conhecimento, será lançado o seu livro, o primeiro dele, que traz o seu estudo de doutorado e tem como editora a Entrelinhas. A iniciativa tem o apoio do Sebrae e do Núcleo Tecnoíndia do qual o professor é o coordenador e que vem promovendo estudos da tecnologia indígena.

O Espaço do Conhecimento, que é um projeto do arquiteto José Portocarrero, aplica alguns conceitos indígenas. "Não é o caso de copiar, mas aprender com anos de observação indígena e a partir de concepções e/ou conceitos desenvolver projetos", afirmou Portocarrero. No caso do Espaço, continuou o arquiteto, "desenvolvemos duas estruturas de concreto com 40 cm de distância uma da outra formando um colchão de ar conforme as sobreposições de palha nas habitações indígenas, isso confere um conforto térmico".

O livro é destinado a arquitetos, antropólogos e estudiosos e interessados no tema e além de ser uma fonte milenar de conhecimento traz em seu âmago um conceito de sustentabilidade e preservação do patrimônio histórico material dos povos da floresta.

O arquiteto percebeu através do seu olhar crítico que a primeira "invasão" da cultura branca nas aldeias se dá por meio da casa. "O governo chega lá e constrói uma escola sem ligar a mínima para a arquitetura indígena ou características específicas da etnia, e eles próprios veem nesta casa branca uma superioridade tecnológica", explica o arquiteto para quem parede e telhado são coisas homogêneas na tradição indígena e talvez a energia elétrica com tomadas para os aparelhos seja um forte atrativo para a migração arquitetônica.

Hoje faz parte do Núcleo Tecnoíndia o primeiro arquiteto índio do Brasil, Jucimar Ipaikyre, que estudou a habitação Umutina com o seu orientador professor José Afonso e é o responsável pelas maquetes que você poderá apreciar logo mais à noite.

O Espaço Sebrae do Conhecimento fica atrás do Sebrae da Av. do CPA e durante este mês de novembro está abrigando uma exposição de design de móveis feitos a partir de madeira com o viés sustentável, são obras primas. Sentimos falta da artista Lara Matana (ouro matogrossense) que trabalha também com reaproveitamento de madeira e tem reconhecimento nacional.

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=382158
 

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