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SES/MG lança Componente Verde da rede Farmácia de Minas

26/02/2010

Fonte: Correio dos Lagos (MG) - http://migre.me/lusc



Como forma de ampliar as opções terapêuticas aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), a Secretaria de Estado de Saúde lançou nesta quinta-feira (25), o programa "Componente Verde da rede Farmácia de Minas". O programa constitui uma estratégia da política estadual de assistência farmacêutica, que possibilitará o acesso dos usuários do SUS a produtos como planta medicinal in natura; planta seca (droga vegetal); fitoterápico manipulado; fitoterápico industrializado e medicamento homeopático. Cerca de 21 plantas medicinais e fitoterápicas foram pré-selecionadas, baseadas na validação científica, enquadradas nos critérios de segurança, qualidade e eficácia, como a hortelã, alfavaca, cavalinha, entre outras. De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, o Componente Verde tem grande importância estratégica para ampliação das opções terapêuticas aos usuários do SUS e ainda para incentivo à implantação de novos programas, promoção do uso racional e sustentável da biodiversidade mineira e desenvolvimento da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, com geração de emprego e renda.


"Um programa do SUS que disponibilize plantas medicinais e estimule seu uso racional estará mais próximo das práticas da medicina tradicional indígena, permitindo uma maior valorização dessas práticas e a integração entre as formas de cuidado com a saúde", destacou.

Para o assessor Especial para Assuntos Indígenas de Minas Gerais, Ailton Krenack, as espécies in natura devem ser conservadas para que "estímulos como esses aconteçam", falou. Representando a Universidade de Viçosa, João Paulo Viana Leite, lembrou a eficácia dos medicamentos e a importância da parceria com outras entidades. "A parceria com a SES possibilitou que saíssemos do laboratório indo de encontro à prática. Hoje, temos subsídio científico para conseguirmos formas mais adequadas para os tratamentos", comentou. O presidente da Fundação Arthur Bernardes, Demetrius David da Silva, destacou que o programa agrega o conhecimento da medicina popular ao científico.

Componente Verde

Considerando e valorizando as experiências dos municípios e das comunidades indígenas em Minas Gerais, a Gerência de Medicamentos Estratégicos da SES criou o Componente Verde que vai incentivar toda a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, ou seja, desde o cultivo das plantas até a sua manipulação. O Componente Verde ofertará medicamentos com qualidade e segurança para os usuários atendidos na atenção primária. Segundo o superintendente de Assistência Farmacêutica, Augusto Guerra, o uso terapêutico das plantas medicinais é uma prática que remonta às antigas civilizações, dentre elas a indígena. "O uso das plantas medicinais no cuidado com a saúde vem merecendo destaque na política, promovendo a extensão dessa experiência em outros segmentos da população", avaliou.

As etapas para a elaboração do Componente Verde já começaram. As informações para o banco de dados foram levantadas através da seleção das plantas medicinais e fitoterápicas baseada em critérios científicos, qualidade e eficácia. Os próximos passos são a análise e o estudo das formas de cultivo, de colheita e de secagem das espécies selecionadas para o Programa, além da forma de aquisição de mudas, sementes, droga vegetal, tinturas e outros insumos; controle e garantia da qualidade; definição da estrutura física; composição da lista de equipamentos; financiamento e gestão e capacitação de profissionais de saúde.

Alternativa

As plantas medicinais utilizadas na cultura tradicional dos povos antigos são encontradas em vários locais no Brasil e no mundo. Não apenas a alfavaca, mas a camomila, a copaíba e a aroeira, entre outras, são transformadas em remédios naturais e florais para ajudar pessoas que tem algum tipo de doença e acreditam na medicina alternativa. As plantas medicinais são utilizadas pela medicina atual, conhecida como fitoterapia e homeopatia, e suas propriedades são estudadas a fim de descobrir quais substâncias têm propriedades medicinais e, assim, produzir novos medicamentos.

Os medicamentos fitoterápicos são aqueles concebidos a partir de plantas não purificadas, tais como chás, extratos e tinturas. O uso dessa modalidade de tratamento é um resgate aos tempos ancestrais e sua utilização sempre foi bem divulgada. Hoje existe um acompanhamento da medicina para verificar a eficácia dos fitoterápicos.

Já os medicamentos homeopáticos também são preparados a partir de substâncias extraídas da natureza, provenientes dos reinos mineral, vegetal ou animal. Para que a substância da natureza seja usada como medicamento homeopático, é necessário prévio conhecimento de sua potencialidade curativa, através da experimentação.

Resgate

Para fortalecer a cultura e tradição dos índios no cuidado com a saúde, as comunidades indígenas vêm promovendo o resgate da medicina tradicional. Em 2006, a SES realizou um levantamento entre as aldeias para conhecer quais as plantas e ervas são mais utilizadas e, em seguida, criou um banco de dados voltado para a cura com ervas, além de estimular o cultivo. Na relação das espécies de ervas utilizadas como medicamento por cada etnia, há o nome científico e popular da planta, bem como sua finalidade e modo de usar.

Para a elaboração das informações, cada comunidade indígena elegeu representantes como responsáveis pela coleta de dados na aldeia e um guerreiro como cuidador da horta. Todo o levantamento foi realizado pelo próprio índio da aldeia. Segundo a coordenadora estadual de Saúde Indígena, Simone Abreu, as informações permitem um diagnóstico real daquilo que é praticado pela população indígena, podendo ainda garantir o registro em nome do detentor do saber, que é a própria etnia. "São riquezas e conhecimentos adquiridos no contato com o meio ambiente que não devem ser desprezados. E também não devem ser utilizados de qualquer forma, pois os índios têm toda uma forma de manipular as plantas, respeitando seu valor sagrado", disse.

Em Minas Gerais, há oito etnias com população estimada em 12 mil indígenas, localizadas em regiões bem diversificadas, Xukuru-Kariri, Kaxixó, Aranã, Pankararu, Xakribá, Maxakali, Pataxó e Krenak.
 

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