Onde estão os isolados
As informações apresentadas a seguir são parte do trabalho de Monitoramento das Terras Indígenas que o Instituto Socioambiental realiza desde 1983. Essa pesquisa possibilitou organizar a relação das terras reconhecidas para ocupação dos isolados, e também as terras que, embora demarcadas e homologadas para outros povos, abrigam grupos isolados, assim como as referências de índios isolados nas diversas regiões da Amazônia e sobre um pequeno grupo na região de Goiás/Noroeste de Minas Gerais. Estas informações são provenientes da relação elaborada no Encontro de 1986, atualizada permanentemente por pesquisadores e confrontadas com a lista elaborada pela CGII.
Isolados em TIs reconhecidas para eles
| Terras Indígenas | Estado | Situação Jurídica |
| Alto Tarauacá | Acre | Homologada Registrada |
| Hi Merimã | Amazonas | Homologada |
| Igarapé Taboca do Alto Tarauacá | Acre | Com restrição de uso |
| Jacareuba/Katawixi (quase integralmente dentro do Parque Nacional Mapinguari e com uma pequena parte dentro da Resex Ituxi) | Amazonas | Com restrição de uso |
| Kawahiva do Rio Pardo | Mato Grosso | Com restrição de uso |
| Massaco | Rondônia | Homologada registrada |
| Piripkura: chamados de Piripicura pelos índios Gavião da TI Igarapé Lourdes, esses índios se localizam na área entre os rios Branco e Madeirinha, afluentes do Roosevelt,/MT. Já foram contatados dois índios, e parece existir mais um grupo sem contato de cerca 17 pessoas. | Mato Grosso | Com restrição de uso |
| Riozinho do Alto Envira (Xinane) | Acre | Identificada e aprovada pela Funai |
| Tanaru | Rondônia | Com restrição de uso |
TIs demarcadas e ou homologadas para outros índios, também habitadas por índios isolados
| Terra indígena | Isolados | Estado | Situação Jurídica |
| Apiaká e Apiaká isolados | Em 1984, o antropólogo Eugenio Wenzel, que viveu mais de 15 anos com os índios Apiaká , informou que havia notícias sobre a existência de um grupo de Apiaká que, depois de viver em contato com a sociedade regional e sofrer massacres no período da borracha no início do século XX, fugiu, afastando-se das margens dos rios maiores. Localiza-se na região dos rios Ximari e Matrinxã, entre os rio Teles Pires e Juruena, no município de Apiacás/MT e Apui/AM | MT e AM | Em identificação |
| Alto Turiaçu , Kaapor e Tembé |
isolados Guajá, no igarapé Jararaca | MA | Homologada e registrada |
| Arara do Rio Branco | MT | Homologada e registrada | |
| Araribóia Guajajara |
Guajá isolados. | MA | Homologada e registrada |
| Aripuanã Cinta Larga |
MT e RO | Homologada e registrada | |
| Caru Guajajara |
Isolados no Oeste da TI | MA | Homologada e registrada |
| Kampa e Isolados do Rio Envira, Ashaninka |
AC | Homologada | |
| Kaxinawá do Rio Humaitá | AC | Homologada e registrada | |
| Kayapo | Isolados Pituiaro, do grupo Kayapó | PA | Homologada e registrada |
| Koatinemo Assurini |
Isolados | PA | Homologada e registrada |
| Menkragnoti | Isolados Mengra Mrari, grupo Kayapó, que se separou dos Gorotire em 1938 | PA | Homologada e registrada |
| Mamoadate dos Yaminawa e Manchineri |
Isolados Masko, no verão circulam entre os rios Mamoadate e cabeceiras do Rio Purus, chamados de Masho-Piro, no Peru | AC | Homologada e registrada |
| Rio Tea | (isolados Maku) | AM | Homologada e registarda |
| Trombetas/Mapuera Wai Wai |
Karafawyana isolados | Roraima/Amazonas e Pará | Declarada |
| Tumucumaque Tiriyó, Katxuyana, Wayana e Apalai |
Pará e Amapá | ||
| Uru Eu Wau Wau | Há pelo menos dois grupos isolados, a nordeste e ao sul da TI | Rondônia | Homologada e registrada |
| Vale do Javari | (vários grupos isolados: do Jandiatuba, do Alto Jutaí, do São José, do Quixitos, do Itaquaí e Mayá) | Amazonas | Homologada e registrada |
| Waimiri Atroari | Isolados Piriutiti dentro e fora da TI | Roraima e Pará | Registrada |
| Xikrin do Catete dos Xikrin |
Segundo a antropóloga Isabelle Giannini, os Xikrin dizem que ao norte da TI, na região do Rio Cinzento, vivem índios iguais aos que encontraram em 1987 em suas terras, um grupo de Araweté isolados | PA | Homologada e registarda |
Referências de índios isolados fora de TIs reconhecidas
| Povo | Localidade |
| Apiaká Isolados | Desde a decada de 1980 há noticias sobre um grupo de Apiaká isolados, que depois de viver em contato com com a sociedade regional e sofrer massacres no início do século XX, isolou-se, longe das margens dos rios maiores. Localiza-se na região dos rios Ximari e Matrinxã, entre os rio Teles Pires e Juruena, no município de Apiacás/MT e Apui/AM |
| Arama/Inauini | Os Jamamadi do Purus e uma familia Katukina que mora no igarapé Kanamari deram informações sobre a presença de um grupo isolado nessa região do Inauini. Em outubro de 1985, alguns desses índios teriam aparecido no outro lado do igarapé, em frente à moradia da família katukina. Município de Pauini/AM. |
| Avá-Canoeiro isolados | Na região do Noroeste de Goiás |
| Isolados Awá – Guajá | Fala-se da existência de pequenos grupos nas serras que formam o rio Farinha e Lageado (oeste do Maranhão). Em 1998, o sertanista Wellington Figueiredo fez o resgate de uma família awá no limite da Terra Indígena Awá e a reserva Biológica do Gurupi (região do Igarapé Mão de Onça). Em 2006, na estada do sertanista no PIN Juriti, o homem que faz parte do grupo que ele mesmo resgatou veio lhe cobrar que fossem buscar seu irmão que lá teria permanecido. (informação de agosto de 2006) |
| Isolados do rio Liberdade | Há anos os Metuktire dizem que existem Kaiapó "brabo" na região do Rio Liberdade, onde encontraram vestígios desses índios . Parece ser o mesmo grupo que foi visto pelos Metuktire na Cachoeira Von Martius, a poucas horas do rio Liberdade. Foram vistos três índios de cabelos compridos que flecharam os Metuktire, com uma flecha igual a dos Kaiapó, no dia 25/10/90. Nos municípios de Luciara e Vila Rica/MT e talvez em São Felix do Xingu. Segundo o antropólogo Gustaaf Verswijver, que tem trabalhado com os Kayapó, hoje perambulam entre a região do rio Liberdade que cada dia tem sofrido mais desmatamento e a TI Mekragnoti (informação novembro de 2005) |
| Isolados do Rio Muqui | A Rio Muqui teve restrição de uso da FUNAI até o ano 2000 e hoje, com a ocupação e desmatamento desta área, provavelmente os índios encontram-se na TI Uru-Eu-Wau-Wau |
| Isolados do Igarapé Muriru e Pacutinga | Localizados entre os rios Juruena e Aripuanã, no município de Aripuanã/MT. Os índios Rikbaktsa dizem que já tiveram contato com esse grupo que denominam Yakara Waktá (moradores do mato). São 20 a 30 índios que se deslocam para o Aripuanã na época seca. Pelos vestígios (alimentação) poderiam ser um subgrupo Apiaká. Em 1985 o jesuíta Balduino Loebens, em sobrevôo, localizou suas roças. Esse mesmo missionário disse que, em 1984, um picadeiro da colonizadora Cotriguaçu encontrou esses índios. Segundo o antropólogo Rinaldo Arruda, o grupo foi visto na TI Escondido, dos Rikbaktsa. |
| Isolados do rio Tapirapé | Esses índios vivem nas cabeceiras do rio Tapirapé, afluente da margem esquerda do rio Itacaunas, no município de Senador José Porfírio/PA. Poderia ser o mesmo grupo a que os Xikrin do Cateté se referem ao norte do limite da TI do Cateté, na região da Flona Itacaiunas e Flona Tapirapé |
| Isolados Kayapó Pituiaro (Rio Meruré) | Esse grupo Kaiapó tem o nome do homem mais velho que o conduziu separadamente quando, em 1950, os Kuben Kran Ken se dispersaram em meio a um ataque dos Kokraimoro. Este grupo perambula entre a região do rio Merure e a área Kuben Kran Ken, município de Altamira/PA. Em agosto de 1977 o antropólogo Gustaaf Verswijver, ao sair da aldeia, num vôo para Santana do Araguaia, avistou uma aldeia dos Pituiaro à margem do rio Merure – um circulo de cinco a seis casas do tipo tradicional Kaiapó, encravado numa serra. Verswijver disse em novembro de 2005 ser impossível a presença desses índios na região do rio Meruré, pois está muito desmatada. Ele acredita que eles podem ter se refugiado na TI Kayapó, no sudeste do Gorotire ou ao sul do Kuben-Kran-Krên. |
| Isolados Kayapó Pu´ro | Esse grupo se formou em 1940, quando 25 índios partidários do chefe Tapiete deixaram a aldeia Mekragnoti, nunca mais retornando. Os Megranoti atuais se referem a esse grupo como os Pu´ro. Segundo o antropólogo Gustaaf Verswijver, em novembro de 2005, eles não se encontram mais na região que está muito desmatada. Verswijver soube pelos Mekrãgnoti da aldeia Pukanu, que dizem ter ouvido de kubens (brancos) que, há uns dois ou três anos, quatro homens desse grupo foram mortos, (provavelmente por madeireiros). Esta é uma notícia preocupante, principalmente porque deve ser um grupo pequeno. Esses sobreviventes parecem estar nos limites norte da TI Mekragnoti. |
| Isolados do Karipuninha | Rieli Franciscato, indigenista da Funai, disse na década de 1990, que moradores da região do rio Karipuninha não têm coragem de subir o rio no rumo de suas cabeceiras, devido aos inúmeros vestígios de índios "brabos" que lá encontram. O rio Karipuninha é afluente da margem esquerda do rio Madeira, a aproximadamente 100 km rio acima a partir de Porto Velho, e suas cabeceiras ficam próximas à divisa de Rondônia e o estado do Amazonas. |
| Isolados do Bararati | Referência sobre a existência de índios isolados no rio Bararati e margem esquerda do rio Juruena, próximo do limite com o Mato Grosso (municípios de Apuí e Sucurundi/AM; informação da CGII-Funai). |
Flona Bom Futuro (Rio Candeias) |
A informação sobre a existência de um grupo de isolados motivou uma expedição da equipe da Frente de Contato Guaporé em meados de 1998. A equipe percorreu 90 km na margem direita deste rio, sem resultados concretos. Não foram encontrados vestígios de ocupação indígena na área vistoriada. Porém, ainda falta uma grande área a ser pesquisada. Segundo Gilberto Azanha/CTI, esse grupo está dentro do perímetro da Flona Bom Futuro. |
Wajãpi isolados do Alto Amapari |
A antropóloga Dominique Gallois informou em 1990 que, desde 1987, garimpeiros da Perimetral Norte informam terem encontrado, repetias vezes, vestígios da presença de um grupo isolado na região dos formadores do rio Amapari. De acordo com os Wajãpi do Amapari trata-se dos remanescente do subgrupo "Amapari Wan", que se separou dos demais há cerca de 50 anos. Membros desse mesmo grupo vivem na aldeia Mariry e na aldeia Camopi (Guiana Francesa). A região dos isolados fica dentro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e às vezes esses índios se deslocam para a Guiana Fancesa. Em 2003, os Wajãpi do Camopi acharam uma roça desses índios no rio Muturá. |
| Wajãpi isolados do Ipitinga | Segundo a antropóloga Dominique Gallois, os índios que vivem no Parque Indígena do Tumucumaque, falam desses índios Wajãpi que vivem próximos do Parque, no município de Almeirim, no Pará. |





