Noticias
Nasce índio de número 1.500 da etnia Waimiri-Atroari
14/11/2011Autor: Gerson Severo Dantas
Fonte: A Crítica (AM) - http://acritica.uol.com.br/
Chegada da índia Ketamyna Atroari é comemorada pelo povo que quase foi dizimado. Acontecimento será festejado com 'Maryba'
Os waimiri-atroari, povo indígena que quase foi dizimado na época da abertura da estrada BR-174 (Manaus - Boa Vista), fará uma grande "Maryba" amazônico para festejar o nascimento do milésimo quingentesimo (1.500o) indivíduo da etnia.
A índia Ketamyna Atroari nasceu na aldeia Paryry, localizada em algum lugar entre o Amazonas e Roraima, no dia 4 de novembro. Com 4 quilos e 49 centímetros ela é mais um marco no renascimento do povo que em 1988 somava apenas 374 indivíduos e convivia com 20% de taxa de mortalidade anual e tinha extinção prevista para os anos 90.
O nascimento de Ketamyna foi comunicado na última semana pela Eletrobras, que opera junto com a Fundação Nacional do Índio (Funai) o Programa Waimiri-Atroari (PWA), apontado como estratégico para o renascimento do povo, que sofreu o impacto de três grandes projetos econômicos implantados no território dele: a BR-174, a Usina Hidrelétrica de Balbina e a exploração da Mina de Pitinga, ambos no Município de Presidente Figueiredo.
Projetada durante a ditadura militar (1964-1985), a abertura da BR-174 quase reduz a zero os waimiris-atroari, que reagiram a invasão das máquinas e dos militares do 6o Batalhão de Engenharia de Construção (6o BEC).
Do período de construção é famoso o episódio do massacre da expedição do padre Caleri, cuja autoria é atribuída aos índios por uns e aos próprios militares por outros.
O certo é que após esse episódio, que resultou na morte do padre, considerado até então um amigo dos índios, e mais dez pessoas; os militares encararam a construção como um esforço de guerra e não economizaram no uso da força contra os índios.
PRIMEIRO GOLPE
Com a estrada aberta veio o segundo golpe com a construção de Balbina, cuja formação do lago estende-se desde antes da sede de Presidente Figueiredo, no Km 107, até o território indígena no Amazonas, que começa no Km 200, aproximadamente. No total, o lago inundou mais de 30 mil hectares das terras waimiri-atroari.
Estrada
O último golpe veio com a construção de uma estrada ligando a BR-174 à sede do projeto de Pitinga, no meio da floresta. Por essa estrada era escoada toda a produção de bauxita e cassiteria da mina, que está fechada, mas com reabertura prevista para o início do próximo ano.
Etnia está aumentando rapidamente
O nascimento de Ketamyna Atroari, o 1.500o indivíduo da etnia, acontece apenas oito anos após o nascimento de Iawyraky, o milésimo waimiri-atroari, em 2003 na aldeia Iawara.
Na época, todos os waimiri-atroari participaram do "Maryba" (pronuncia-se marubá), um ritual onde cantaram e dançaram por três dias. Um novo "Maryba" em honra de Ketamy está sendo preparado para os próximos dias.
Filho de Anapidene e Ketamy, o milésimo waimiri-atroari completou oito anos em setembro deste ano e deve estar presente, conforme expectativa da Eletrobras, no "Maryba" de Ketamy.
Em 2003, destacando o nascimento de Iawyraky, o cacique Mário Pawere saudou a todos que participaram dos três dias de festa com uma frase que se confirma com o nascimento da nova indiazinha: "Digam ao mundo que vivemos!".
Virada da etnia iniciou em 1986
A virada dos waimiri-atroari começou em 1986, quando a criação do PWA foi negociada como compensação pela inundação. Com os recursos do programa pagos pela Eletrobras, os indígenas ganharam novo fôlego e passaram a ter atenção em áreas como saúde e educação.
De acordo com a Eletrobras, hoje existem 19 postos de saúde e oito laboratórios nas aldeias, que são atendidas por uma médica, enfermeiras, odontólogas, 18 agentes de saúde, motorista, e ainda 39 agentes técnicos de saúde e 12 laboratoristas indígenas.
A empresa ressalta que no início do programa todos os profissionais de saúde eram "brancos", mas com o passar dos anos os índios passaram a assumir estes serviços.
O mesmo fenômeno repetiu-se na área de educação. São 19 escolas tocadas por 54 professores waimiri-atroari e sete não-índios que auxiliam em disciplinas como ciências, geografia e matemática.
Educação e saúde realizadas por profissionais indígenas e o bom uso dos recursos do programa, que é decidido coletivamente, são o segredo para o renascimento dos waimiri-atroari que, diferente de outras etnias, vivem em suas terras sem influência de organizações não-governamentais ou missões religiosas.
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Nasce-indio-etnia-Waimiri-Atroari_0_590940948.html
Os waimiri-atroari, povo indígena que quase foi dizimado na época da abertura da estrada BR-174 (Manaus - Boa Vista), fará uma grande "Maryba" amazônico para festejar o nascimento do milésimo quingentesimo (1.500o) indivíduo da etnia.
A índia Ketamyna Atroari nasceu na aldeia Paryry, localizada em algum lugar entre o Amazonas e Roraima, no dia 4 de novembro. Com 4 quilos e 49 centímetros ela é mais um marco no renascimento do povo que em 1988 somava apenas 374 indivíduos e convivia com 20% de taxa de mortalidade anual e tinha extinção prevista para os anos 90.
O nascimento de Ketamyna foi comunicado na última semana pela Eletrobras, que opera junto com a Fundação Nacional do Índio (Funai) o Programa Waimiri-Atroari (PWA), apontado como estratégico para o renascimento do povo, que sofreu o impacto de três grandes projetos econômicos implantados no território dele: a BR-174, a Usina Hidrelétrica de Balbina e a exploração da Mina de Pitinga, ambos no Município de Presidente Figueiredo.
Projetada durante a ditadura militar (1964-1985), a abertura da BR-174 quase reduz a zero os waimiris-atroari, que reagiram a invasão das máquinas e dos militares do 6o Batalhão de Engenharia de Construção (6o BEC).
Do período de construção é famoso o episódio do massacre da expedição do padre Caleri, cuja autoria é atribuída aos índios por uns e aos próprios militares por outros.
O certo é que após esse episódio, que resultou na morte do padre, considerado até então um amigo dos índios, e mais dez pessoas; os militares encararam a construção como um esforço de guerra e não economizaram no uso da força contra os índios.
PRIMEIRO GOLPE
Com a estrada aberta veio o segundo golpe com a construção de Balbina, cuja formação do lago estende-se desde antes da sede de Presidente Figueiredo, no Km 107, até o território indígena no Amazonas, que começa no Km 200, aproximadamente. No total, o lago inundou mais de 30 mil hectares das terras waimiri-atroari.
Estrada
O último golpe veio com a construção de uma estrada ligando a BR-174 à sede do projeto de Pitinga, no meio da floresta. Por essa estrada era escoada toda a produção de bauxita e cassiteria da mina, que está fechada, mas com reabertura prevista para o início do próximo ano.
Etnia está aumentando rapidamente
O nascimento de Ketamyna Atroari, o 1.500o indivíduo da etnia, acontece apenas oito anos após o nascimento de Iawyraky, o milésimo waimiri-atroari, em 2003 na aldeia Iawara.
Na época, todos os waimiri-atroari participaram do "Maryba" (pronuncia-se marubá), um ritual onde cantaram e dançaram por três dias. Um novo "Maryba" em honra de Ketamy está sendo preparado para os próximos dias.
Filho de Anapidene e Ketamy, o milésimo waimiri-atroari completou oito anos em setembro deste ano e deve estar presente, conforme expectativa da Eletrobras, no "Maryba" de Ketamy.
Em 2003, destacando o nascimento de Iawyraky, o cacique Mário Pawere saudou a todos que participaram dos três dias de festa com uma frase que se confirma com o nascimento da nova indiazinha: "Digam ao mundo que vivemos!".
Virada da etnia iniciou em 1986
A virada dos waimiri-atroari começou em 1986, quando a criação do PWA foi negociada como compensação pela inundação. Com os recursos do programa pagos pela Eletrobras, os indígenas ganharam novo fôlego e passaram a ter atenção em áreas como saúde e educação.
De acordo com a Eletrobras, hoje existem 19 postos de saúde e oito laboratórios nas aldeias, que são atendidas por uma médica, enfermeiras, odontólogas, 18 agentes de saúde, motorista, e ainda 39 agentes técnicos de saúde e 12 laboratoristas indígenas.
A empresa ressalta que no início do programa todos os profissionais de saúde eram "brancos", mas com o passar dos anos os índios passaram a assumir estes serviços.
O mesmo fenômeno repetiu-se na área de educação. São 19 escolas tocadas por 54 professores waimiri-atroari e sete não-índios que auxiliam em disciplinas como ciências, geografia e matemática.
Educação e saúde realizadas por profissionais indígenas e o bom uso dos recursos do programa, que é decidido coletivamente, são o segredo para o renascimento dos waimiri-atroari que, diferente de outras etnias, vivem em suas terras sem influência de organizações não-governamentais ou missões religiosas.
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Nasce-indio-etnia-Waimiri-Atroari_0_590940948.html
Las noticias publicadas en el sitio Povos Indígenas do Brasil (Pueblos Indígenas del Brasil) son investigadas en forma diaria a partir de fuentes diferentes y transcriptas tal cual se presentan en su canal de origen. El Instituto Socioambiental no se responsabiliza por las opiniones o errores publicados en esos textos. En el caso en el que Usted encuentre alguna inconsistencia en las noticias, por favor, póngase en contacto en forma directa con la fuente mencionada.
Noticisa relacionadas
- Jucá protesta contra suspensão de obra de energia em Roraima

- MPF/AM recomenda anulação de edital de licitação para implantação de linha de transmissão

- O índio na mídia

- Relatório do governo aponta cerca de 300 indígenas mortos e desaparecidos pela ditadura

- Justiça Federal atende pedido do MPF/AM e determina estudo para revisão de limite de terra indígena

- Fraude em patrimônio indígena na Amazônia

- MPF/AM quer que Funai revise limites da Terra Indígena Waimiri Atroari

- Comissão de Integração vai analisar fechamento de BR em terra indígena

- Comissão visitará rodovia que passa por reserva indígena e é fechada durante a noite

- A Amazônia resiste

- A ditadura não é coisa do passado, aponta Comitê da Verdade do Amazonas

- VI Encontro Indígena

- Deputados vão à Amazônia tentar acordo para evitar fechamento da BR-174

- Um mistério na selva

- Comitê da Verdade do Amazonas pressiona para que investigação de crimes contra waimiri-atroari seja iniciada

- Visita aos waimiri-atroari ainda é incerta

- Comitê da Verdade planeja visita a aldeia indígena no AM

- Testemunha indígena

- Cimi lança manifesto e denuncia os 'decretos de extermínio' atuais contra os povos indígenas

- Roraima dos Ameríndios aos atuais habitantes do Estado de Roraima









