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Índios rejeitam proposta

19/05/2010

Autor: Elaíze Farias

Fonte: A Crítica (AM) - http://www.acritica.com.br/




Os 200 indígenas que desde anteontem mantêm como reféns três funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) na aldeia Pracuá, no município de Manicoré (a 65 quilômetros de Manus), rejeitaram ontem proposta do órgão de enviar representantes a um evento que acontecerá neste sábado, em uma aldeia de Humaitá (a 600 quilômetros da capital). No próximo dia 22, o presidente da Funai, Márcio Meira, estará na aldeia Tenharim-Marmelo para participar das comemorações de criação da Coordenação Regional do Madeira.

O professor Zaqueu Souza Ferreira, da etnia mura, disse, por telefone à reportagem, da aldeia Ponta Natal, que a proposta da Funai foi apresentada aos 200 indígenas mas estes preferem que Márcio Meira, ou outro funcionário da Funai, em Brasília, vá até a aldeia Pracuá, onde os funcionários dos órgãos estão mantidos. Segundo ele, os indígenas estão dispostos a manter os funcionários como reféns por tempo indeterminado.

Márcio Meira estará depois de amanhã, em Lábrea, e no sábado, em Humaitá. Ele realiza estas viagens pelo Amazonas (na semana passada esteve em Manaus) para explicar aos indígenas sobre as mudanças estruturais realizadas na Funai, segundo informou a assessora da presidência, Fabiana Melo.

O fato da Funai ter criado uma coordenação regional em Humaitá e não em Manicoré desagradou indígenas que vivem neste município. Conforme Zaqueu, a densidade populacional de indígenas de Manicoré é maior do que de Humaitá e o deslocamento deles até este município é difícil. Ele questionou também a ausência de diálogo entre a Funai e os indígenas da região do rio Madeira.

"O presidente poderia vir até aqui em Manicoré. É apenas uma hora de voo. A gente não quer agredir ninguém, mas resolver um problema que ele próprio criou. Os funcionários da Funai não estão sendo maltratados nem sofrem pressão psicológica. As lideranças estão dispostas a continuar na aldeia, com os funcionários. Eles já organizaram como vamos fazer para pescar e caçar", disse Zaqueu.

O coordenador da Funai em Humaitá, Valmir Parintintin, discorda de Zaqueu sobre a densidade populacional indígena. Segundo ele, existem 3 mil em Humaitá e 2 mil em Manicoré. Já o coordenador interino da Funai, em Manaus, Edgar Rodrigues estima que esse quantitativo populacional é o inverso: são 3 mil em Manicoré e 2 mil em Humaitá. Eles pertencem às etnias mura, tenharim, apurinã, parintintin, pira-hã e torá.

http://www.acritica.com.br/content/not-detail.asp?materia_id=159512
 

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