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Expedição amazônica busca tribos desconhecidas

10/06/2002

Autor: LEONÊNCIO NOSSA

Fonte: Estado de S. Paulo-SP



Por mais de três meses, equipe da Funai estará procurando vestígios de novos grupos


Paisagem da Amazônia: expedição que vai ao encontro de comunidades indígenas começou com viagens de barco e seguirá com perigosas incursões pela selva


Encontrar vestígios de índios ainda desconhecidos pela ciência é o objetivo de uma expedição integrada por 35 homens da Fundação Nacional do Índio (Funai), que começou sexta-feira passada, no Vale do Javari, Amazônia Ocidental, perto da fronteira com o Peru e a Colômbia. Com previsão de permanecer 105 dias na selva, a equipe de sertanistas e mateiros coletará informações sobre a dimensão das terras habitadas por povos isolados, ameaçados pela aproximação de madeireiros, pescadores e garimpeiros.

É a primeira vez, nos últimos 18 anos, que sertanistas passarão mais de três meses na Amazônia para conhecer hábitos e costumes de índios desconhecidos.

Único país a ter habitantes ainda sem contato com a civilização, o Brasil apresenta 53 lugares onde há registros de presença de tribos desconhecidas, sendo 38 na Amazônia.

Em 2001, funcionários da Funai passaram 51 dias no Vale do Javari, coletando dados sobre seis grupos de índios isolados da região, onde também vivem 11 povos já conhecidos pelos cientistas. Desta vez, os sertanistas não pretendem fazer contatos. A estratégia é garantir o afastamento desses povos de exploradores. "Índio bom é índio bravo", afirma o diretor do Departamento de Índios Isolados da Funai, Sidney Possuelo.

Desde os anos 90, a Funai tenta bloquear a entrada de madeireiros na Reserva Indígena do Vale do Javari. A área de 85 mil quilômetros quadrados foi um dos maiores centros de extrativismo ilegal do País até 1996, quando foi transformada em reserva pelo governo federal. A região está entre as mais cobiçadas da Amazônia, por ser rica em madeiras nobres, como cedro e mogno.


Caceteiros e flecheiros - Os índios mais temidos do vale são os korubos, que falam a língua pano e tinham população estimada em 250 pessoas, em 2000, segundo a enciclopédia Povos Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA). Alguns dos korubos também são conhecidos por 'caceteiros'. Em 1996, mataram com bordunas (cacetes de madeira) o funcionário da Funai Raimundo Magalhães. Foi o oitavo funcionário do governo a ser morto pelos índios desde os anos 70.

Outros korubos são ainda chamados de 'flecheiros'. A relação dos korubos com não-índios sempre foi de choques e conflitos. Em 1975, pistoleiros e madeireiros da região invadiram uma de suas aldeias, deixando vários mortos.

Pelos cálculos iniciais da Funai, a expedição comandada pelo sertanista Sidney Possuelo deverá percorrer 3 mil quilômetros do Vale do Javari. O ponto de partida é Tabatinga, cidade do Amazonas localizada nas margens do rio Solimões, na fronteira com a Colômbia, que está na rota do tráfico de drogas. Parte do trajeto será feito a pé. Também serão usados barcos e canoas construídas durante o percurso. A reportagem da Agência Estado deverá acompanhar os sertanistas durante toda a expedição.


A expedição - Sertanista: Sidney Possuelo.

Indigenistas: Paulo Welker Pilotos, Adelson Pereira, Pedro Lima, Danilo Rodrigues e Raimundo Lima. Cozinheiros: Mauro Gomes e Paulo Souza. Mateiros não índios: Valdeci de Souza Rios (soldado), Orlando de Moraes, José Francisco, Amarildo de Oliveira, Francisco Bezerra e Odair Rios.

Mateiros e interpretes índios: Machupa Matis, Alcino Marubo, Ivan Uaça (Matis), Damá Matis, Ivan Arapá (Matis), Tiemá Matis, Tepi Matis, Audelino Marubo, Kuimin Matis, Kuimin Montac(Matis), Kuimin Chumarapá (matis), Maká Matis, Mená Matis e Tiemin Maká ( Matis).
 

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