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Morte de índio entristece 'aldeia' kari-oca

23/06/2012

Fonte: OESP, Especial, p. H7



Morte de índio entristece 'aldeia' kari-oca
Última cerimônia que ocorreria no local, a do fogo, seria feita sem nenhum caráter festivo, 'em solidariedade ao parente'

LUCIANA NUNES LEAL / RIO

A morte repentina de um líder indígena no acampamento Kari-Oca, que reuniu ao menos 420 representantes de 20 etnias, interrompeu a programação festiva que marcaria o último dia da Rio+20. Ismael Carajá, de 48 anos, passou mal na manhã de quinta-feira, com dores na cabeça, nas costas e no peito, além de vômito e febre. Foi medicado no posto de saúde. Segundo os companheiros, Ismael teve melhora ao longo do dia, mas voltou a se queixar de dores à noite e foi encontrado morto na manhã de ontem, na rede onde dormia.
"Acordamos muito alegres até que apareceu uma dor. Ismael melhorou. À noite fizemos fogueira juntos, mas depois ele passou mal. Acabou dormindo. De repente, veio uma chuva muito forte. Hoje (ontem), quando fomos acordá-lo, ele estava morto. Morreu dormindo", afirmou o cacique Iwraru Carajá, de 46 anos, da aldeia Watau, na Ilha do Bananal (TO), que fica a 33 quilômetros da aldeia Fontoura, de Ismael.
Segundo o cacique, Ismael era professor. "Ele morreu lutando pela nossa terra. Nossa programação era encerrar a Rio+20 com alegria, dança e canto. Agora não dá", lamentou o líder.
De acordo com Iwraru, Ismael parecia bem disposto até quinta-feira e não havia mencionado nenhum problema de saúde.
Coordenador da aldeia Kari-Oca, Marcos Terena disse que a cerimônia do fogo, que encerraria as atividades no acampamento, seria feita na tarde de ontem sem qualquer festividade.
"Em respeito à tristeza e em solidariedade ao parente morto, todos os povos resolveram ir embora. Desmontamos a programação. Percebemos que algo estava diferente ontem à noite quando começou a trovejar. Era um trovão diferente", afirmou Terena.
O corpo de Ismael foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e, após a conclusão da análise sobre a causa de sua morte, seguirá para Tocantins de avião. Um índio carajá deverá acompanhar a viagem, segundo Terena. A desconfiança é que Ismael tenha sofrido um ataque cardíaco.
Em vez da intensa atividade que marcou a Kari-Oca durante a conferência, ontem foi dia de arrumar as malas e embarcar nos ônibus para a viagem de volta. O retorno dos carajás deverá durar três dias.
Em virtude da chuva intensa na madrugada de ontem, alguns espaços onde os índios dormiram se encheram de água e os grupos tiveram de ser acomodados em outros alojamentos. Os indígenas não puderam dormir ao ar livre, como fizeram em outras noites.
Grandes poças ainda podiam ser vistas na manhã de ontem.
No meio da tristeza pela morte do companheiro e dos preparativos para a viagem de volta, os índios da Kari-Oca receberam a visita do príncipe da saudita Bin Fahd bin Nasser. Ele foi recebido por Terena e representantes de várias etnias. "É a primeira vez que encontro um príncipe na minha vida", disse o coordenador da Kari-Oca ao último visitante.

OESP, 23/06/2012, Especial, p. H7

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,morte-de-indio-entristece-aldeia-kari-oca,890416,0.htm
 

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