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O indígena na formação do Brasil

08/01/2008

Fonte: O Progresso



O Brasil é um dos países de maior diversidade cultural do mundo. Existem mais de quinhentas áreas indígenas reconhecidas pelo Estado, habitadas por duzentos e vinte e cinco povos indígenas, que falam 180 línguas e culturalmente diferenciadas, que desenvolveram, ao longo dos séculos, várias formas de adaptação a toda variedade de ecossistema presente no território brasileiro.
As áreas de habitação do nosso povo, em geral, são as de cobertura vegetal mais preservada, mesmo nos casos em que a devastação tenha se expandido em seu redor. Isso se aplica também às situações de envolvimento de alguns de nossos povos em processos de extração ambientalmente predatórios (madeira, minérios).
Baseados em formas socioculturais que restringem a ampliação desmesurada do uso dos recursos naturais, assim como a acumulação privada, os nossos povos desenvolveram profundo e extenso conhecimento das características ambientais e possibilidade de manejo dos recursos naturais nos territórios que ocupamos.
A colonização brasileira empreendida pelos portugueses a partir do século XVI, plasmou entre a população rural não-indígena um modelo sociocultural de adaptação ao meio. Esse modelo sociocultural de ocupação do espaço e de utilização dos recursos naturais deve a maior parte de suas características às influências das populações indígenas e ao caráter cíclico e irregular do avanço nacional sobre o interior do Brasil.
Frente a uma natureza desconhecida, os portugueses e a população brasileira formada ao longo do empreendimento colonial, abraçaram técnicas adaptativas dos nossos povos indígenas. Com o conhecimento dos nossos povos indígenas, incorporaram a base alimentar, constituída pelo plantio do milho, mandioca, abóbora, feijões, amendoim, batata-doce, cará entre outros.
Adotaram produtos de coleta, compondo sua dieta com a extração do palmito e de inúmeras frutas nativas, como o maracujá, pitanga, goiaba, banana, caju, mamão e tantas mais. E, como complementos essenciais, apoiaram-se na caça e pesca.
Isso implicou na adoção de técnicas de plantio indígena e a utilização de artefatos como peneiras, os pilões, o ralo e o tipiti e outros artefatos que ainda hoje fazem parte da cultura rústica brasileira.
Os povos indígenas ensinaram-lhes também a extraordinária capacidade de ajustamento ao meio demonstrada pelos nossos povos: conhecimento minucioso dos hábitos dos animais, técnicas precisas de captura e morte, incluindo inúmeras armadilhas. A lista de elementos apropriados das culturas dos nossos antepassados é enorme, não cabe aqui detalhá-la, mas apenas mencionar mais alguns itens, como as técnicas de fabrico e uso de canoas, da jaganda,
de tapagem, redes e armadilhas de pesca, de cobertura de casas rurais com material vegetal e o uso de rede para dormir.
A influência indígena também se manifestou nas formas de organização para o trabalho e nos modos de sociabilidade. Em linhas bastante gerais, a colonização portuguesa dedicou-se à exploração intensiva de certos produtos valiosos no mercado internacional promovendo um verdadeiro saque (destruição) às nossas riquezas naturais e ambientais.
A emergência da questão ambiental nos últimos anos jogou outra luz sobre esses modos ‘arcaicos’ de produção, demonstrando a positividade relativa dos modelos indigenas de exploração dos recursos naturais e do modelo da cultura rústica, parente mais pobre, mas valioso, dos modelos indigenas sustentável. Isto é conhecimento tradicional! Um conjunto de saberes e saber-fazer a respeito do mundo natural e sobrenatural, transmitido oralmente, de geração em geração. Para os nossos povos indigenas, há uma interligação orgânica entre o mundo natural, o sobre natural e a
organização social.
Para Lévi Strauss, em o pensamento selvagem (1988), a importância do conhecimento tradicional das populações indigenas, ao afirmar a existência da elaboração de técnicas muitas vezes complexas, que permitem, por exemplo, transformar grãos ou raízes tóxicas em alimentos. Strauss, firma ainda, que são dois modos diferentes de pensamento científico, não em função de estágios desiguais de desenvolvimento do espírito humano, mas dois níveis
estratégicos em que a natureza se deixa abordar pelo conhecimento científico. Michel Balik e Poul Cox (1996) têm posição semelhante ao declarar que o conhecimento tradicional indígena e o científico ocidental estão epistemologicamente próximos, uma vez que ambos se baseiam numa constatação empírica.
Posto isto, destacamos a contribuição dos nossos povos, na formação da nação brasileira, não somente nos conhecimentos rudimentares como gosta de enfatizar os inimigos dos índios, mas, sobretudo, nos conhecimentos tradicionais milenares transmitidos de geração em geração, notadamente os respeitantes à preservação e o respeito à natureza e ao meio ambiente.
O movimento indígena nacional tem enfatizado a respeito da contribuição política que nós os indigenas, podemos da ao povo brasileiro por isso estamos estudando a formação de uma sigla partidária indígena, para que possamos continuar contribuindo com o crescimento da nossa pátria. (posso ser quem você é sem deixar de ser quem sou!)
Então..., se és verdadeiramente brasileiro já se perguntou o quanto de mim (Índio) você tem?
 

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