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índio pesquisa origem das tribos Xavantes

28/08/2001

Fonte: A Tarde-Salvador-BA



Os índios xavantes teriam sido originários do litoral
brasileiro e mais precisamente da costa baiana? Esta é a pergunta que o índio xavante Abtwê
Madu tenta responder com sua pesquisa baseada principalmente nos fonemas lingüísticos
indígenas. A tradição oral de nossos velhos conta a origem dos Xavantes na costa, relatou o
índio, mas a chegada do homem branco, em 1500, nós obrigou a recuar para o Rio de Janeiro
e depois para São Paulo, Goiás e finalmente Mato Grosso.
Para simbolizar esta origem litorânea dos xavantes Abtwê Madu fez questão de lançar uma
flecha no mar com um longo arco de madeira, mas é nas palavras que o índio busca ligações,
semelhanças e provas de um elo perdido. Chegou a hora de o índio escrever sua própria
história e já temos conhecimento que o nome Niterói, por exemplo, vem da palavra indígena
xavante Iteró, que na língua Macro Jé significa meu lugar. É uma prova de nossa passagem
pelo Rio de Janeiro. De acordo com ele os mais velhos contavam de um lugar onde os
xavantes pescavam no mar, antes de serem afastados pelos brancos. Todos os índios viviam
aqui, mas eram nômades em busca da alimentação e da sobrevivência. A chegada dos
brancos nos obrigou a passar por vário Estados, até chegar ao Mato Grosso, ressalta.
O povo xavante, no final de toda esta peregrinação, atravessou o Rio Araguaia estabelecendo o
Rio das Mortes como último limite do qual não recuaria mais.Muitos brancos morreram, pois
nós decidimos que aquele seria nossa última fronteira. Antigamente, o xavante que tinha
contato com o branco era morto e até hoje o xavante que casa com branco não é mais
considerado xavante, acrescentou Abtwêu. O índio, que é estudante da Universidade Federal
de Mato Grosso, em sua viagem a Porto Seguro, patrocinado pela empresa Arte Indígena da
Amazônia, teve contato com as aldeias de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália e Barra
Velha, em Porto Seguro.
As características dos xavantes despertaram o interesse de médicos e pesquisadores, pois
seu longo isolamento os preservou de várias doenças. São milhares de índios, todos com o
tipo sanguíneo O positivo e onde as mulheres não registraram casos de câncer de mama,
explicou João Carlos Dull, que apóia a pesquisa de Abtwê.
 

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